Nasdaq e a crise
A mídia tem informado diariamente sobre quedas na Nasdaq, bolsa que regulamenta e negocia ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Criada há alguns anos para estimular a negociação de novas empresas de tecnologia, a Nasdaq ganhou dimensões nunca imaginadas a partir de 1993, quando as primeiras empresas do segmento Internet começaram a ir a público. Já escrevi diversas vezes nesta coluna sobre a fragilidade do mercado de ações das empresas Internet, que muitas vezes mais parece jogo de azar onde venture-capitalists apostam milhões no potencial de empresas iniciantes. Aliás, esse tem sido o modelo da Nasdaq, a potencialidade do negócio, uma mistura de especulação e feeling sobre a capacidade de um novo empreendimento Internet gerar audiência e negócios, baseado na estratégia e no seu corpo diretivo. Cheguei a escrever estabelecendo uma analogia entre o mercado de ações Internet e o efeito bolha na economia japonesa. Após alguns dias de quedas significativas, as ações na Nasdaq devem continuar a cair lentamente até atingir um patamar mais próximo da realidade. Por enquanto, ninguém arrisca dizer quando as ações ainda devem cair.

Nasdaq e a sustentabilidade
O mercado de ações fala agora na capacidade de um empreendimento Internet estabelecer um crescimento sustentável. Observou-se que muitas novas empresas virtuais, praticamente empurradas para o mercado através de investimentos iniciais de US$ 3 a 5 milhões, geram um bom tráfego inicial resultante de uma massiva campanha publicitária. Entretanto, acabam por perder boa parte da audiência e tráfego para as empresas mais novas. É como se fosse moda, onde os internautas estão sempre experimentando novos sites. Por essa razão, o modelo de valorização das ações em Nasdaq deverá ser o da sustentabilidade, e não baseado simplesmente em um subjetivo potencial de produzir tráfego.

Nasdaq, fusões e quebras
A queda no valor das ações das empresas de tecnologia deverá ainda resultar em fusões, onde as empresas ‘‘top’’, nos diversos segmentos, comprarão as empresas menores, provavelmente com valores bem mais próximos do que podemos considerar como real. O perigo é que, a exemplo da CDNow.com, que vive um problema de caixa e investiu milhões de dólares, algumas grandes empresas continuam operando com grandes perdas e dependem de um próximo round de investimentos. Com um fluxo de caixa negativo, essas empresas poderão ir água abaixo caso os venture-capitalists não continuem injetando seus preciosos dólares. Com a desvalorização das ações, o valor já investido resulta em muito maior prazo no retorno de investimentos (ROI), dificultando o recebimento de mais dólares. Para complicar ainda mais, há uma grande tendência na movimentação dos investimentos em negócios online ao consumidor (B2C - business to consumer), para os negócios entre empresas (B2B - business to business).

Seguradoras online
É interessante observar o comportamento dos diversos segmentos da indústria, em relação à Internet. Me lembro que há pouco mais de três anos, as empresas de seguro não acreditavam que a Internet pudesse ser instrumento de venda de seguros, e que, no máximo, seria utilizada para a publicação de informações institucionais e informações detalhadas sobre os produtos. Uma recente pesquisa feita pela Andersen Consulting e Loma (Life Office Management Association), com a participação de mais de 200 empresas de seguro de todo o mundo, concluiu que a Internet causará nos próximos cinco anos grandes mudanças nos modelos de venda, canal de distribuição e atendimento ao cliente. Em 2005, a Internet estará comercializando aproximadamente 17,3% dos contratos de seguro. Mais de 50% de todas as empresas entrevistadas afirmaram que estarão oferecendo cotação e venda online nos próximos dois anos. Aproximadamente 75% das empresas acreditam que a Internet será extremamente importante para a venda em massa. Nas empresas entrevistadas, 66% de seus executivos acreditam que os seguros comercializados na Rede terão menores preços do que os oferecidos nos canais convencionais de distribuição.

Nova tecnologia óptica
Um novo dispositivo, operando em uma voltagem muito baixa, converte rapidamente sinais elétricos em sinais ópticos. A descoberta permitirá a transmissão de informações na Internet, a velocidades muito maiores que as existentes. O dispotisivo modulador, chamado opto-chip, pode converter sinais elétricos em ópticos a uma velocidade de 100 gigabytes de informação por segundo. Segundo os pesquisadores, a nova tecnologia permitirá que sinais de TV, telefone, computadores e outros, possam dar a volta ao mundo com perda praticamente zero. Em demonstrações feitas pelos técnicos da Tacan Corp, sinais de uma transmissão de TV a Cabo foram convertidas em sinais ópticos usando menos de um volt de eletricidade.

Carlos Trindade é consultor em Estratégia Internet, especializado em Marketing pela Universidade de Berkeley, Califórnia. [email protected]

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