De volta ao Brasil
Foram pouco mais de sete meses de pós-graduação em Marketing e trabalho em uma empresa de Marketing Internet nos Estados Unidos. Uma experiência inesquecível de estudos e relacionamento intercultural na Universidade de Berkeley. É impossível, depois de experimentar uma cultura diferente, não fazer comparações como nosso dia-a-dia no Brasil. Na verdade, desde a minha chegada, parece que em cada lugar que vou aqui no Brasil, estou sempre fazendo comparações com o que eu e minha esposa vivemos nesses sete meses na terra do Tio Sam. Uma das coisas que mais incomodam é a qualidade geral dos nossos produtos e serviços, muitas vezes os mesmos oferecidos nos Estados Unidos, produzidos pelos mesmos fabricantes. É como se aqui, país de terceiro mundo, permitíssemos que tudo seja de qualidade inferior. Simplesmente aceitamos tudo como é.

Qualidade
Na semana passada, portando uma peça de um aparelho que comprei lá, fui a uma loja em Londrina à procura de uma adaptador para usá-lo aqui no Brasil. Depois de alguns segundos analisando a peça, o comerciante perguntou: De onde vem essa peça? Disse então que tinha trazido dos Estados Unidos e ele logo respondeu: Só podia ser, com essa qualidade... Não temos peças aqui com esse acabamento, completou. Algo que me agrada na cultura americana é que eles prontamente não concordam com a qualidade de algo e logo reclamam, reivindicam e se recusam a comprar. Na pós-graduação, éramos 300 alunos em aproximadamente 18 turmas de dez cursos diferentes. Logo no início, distribuíram os livros e um deles era uma cópia do original feita pela própria editora. Até que era bem encadernado, mas era cópia em branco e preto. Rapidamente os alunos se mobilizaram e reclamaram pedindo o original colorido. Em poucos dias todos receberam o original, que custava quase US$ 100 em uma livraria. Sei que estamos vivendo uma grande mudança nessa área no Brasil, mas quero viver pra ver essa nação, que tem um potencial incomparável, acordar e exercer sua cidadania na plenitude.

Linux ressuscita dinossauros
Antes que usuários IBM se encolerizem, concordo que não estejam realmente mortos, mas talvez chegaram perto da extinção. Muitos usuários IBM da linha S/390 estão entusiasmados com a novidade de uma versão Linux para essa linha da IBM. Logo que uma versão beta foi disponibilizada no site IBM’s DeveloperWorks, já foram mais de 1.100 downloads. Segundo analistas, a união dos recursos transacionais da linha de mainframes IBM, com os recursos do Linux, está resultando em uma extraordinária plataforma para solução de ambiente e-commerce. Segundo a IBM, o uso do Linux em seus mainframes abrirá o seu restrito ambiente de desenvolvimento, para empresas de software e desenvolvedores em todo mundo. O desempenho das aplicações rodando no Linux/IBM S/390 é bastante animador e certamente vai dar mais oxigênio aos mainframes existentes, apelidados de ‘‘dinossauros’’ pelos analistas do mercado de computadores em todo o mundo.

30 milhões na América Latina
Em consequência do mercado de acesso Internet gratuito no Brasil, algumas empresas de pesquisa deste mercado já estão ajustando suas previsões de crescimento para os países da América Latina. O IDC-International Data Corporation, que tinha previsto um crescimento de usuários Internet de 32% para o período 1998 a 2003, ajustou esse índice para 41%. Com a mudança, o IDC prevê agora que a América Latina vai atingir o número de 30 milhões de usuários em 2003. O Brasil vai representar 41% desse total. A Argentina e México participarão com 11,6% cada. A estimativa do IDC é uma das mais conservadoras entre as diversas empresas de pesquisa.

Internet no mundo Árabe
Até mesmo nos países árabes a Internet está encontrando seu espaço. Um estudo feito pela unidade de pesquisa da IAW-Internet Arabic World, revelou a existência de quase dois milhões de usuários na região centro-oeste e norte da África. O Egito aparece como o país que tem maior número de usuários, com 440 mil, seguido dos Emirados Árabes com 400 mil, Arábia Saudita com 300 mil e o Líbano com 227 mil. Países como Tunísia, Kuwait e Oman tem no mínimo 50 mil usuários cada. A Líbia vem em último lugar com apenas 7,5 mil. A Líbia apresenta um dos maiores índices de usuários por conta Internet. São cinco usuários por conta, portanto apenas 1.500 usuários assinantes. O estudo da IAW concluiu que em 2002, o número de internautas vai alcançar mais de 12 milhões nos países árabes. A Internet poderá ser uma poderosa ferramenta para informar as pessoas e ajudar a criar uma senso crítico sobre os direitos humanos, já que em muitos desses países existe grande opressão sobre as mulheres e não há liberdade de expressão religiosa.

Uso inadequado da Internet
Empresas em todo o mundo estão enfrentando dificuldades na luta contra o uso abusivo da Internet no ambiente de trabalho. Uma organização chamada Saratoga Institute desenvolveu um estudo com 224 empresas norte-americanas e concluiu que 30% de todas as empresas já demitiram diversos empregados por uso inadequado da Rede. Apesar do potencial para aumentar a produtividade no trabalho, o uso inadequado da Internet tem resultado na perda de produtividade em funcionários que gastam tempo de trabalho para navegar por sites não relacionados ao trabalho ou troca de e-mails pessoais. Apesar do problema, é certo de que o caminho não é a proibição ou punição gratuita, mas sim a orientação e treinamento. Das empresas pesquisadas, a maioria está investindo em treinamento para conscientizar seu quadro funcional. Quase 38% de todas as empresas estão utilizando softwares para filtrar o tráfego Internet, que inibe o acesso a sites e serviços não autorizados.

Carlos Trindade é Consultor em Internet, graduado em Tecnologia da Informação e Pós-graduado em Marketing pela Universidade de Berkeley, Califórnia. Escreva para [email protected]

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