A Índia vem aí
Mais acentuadamente nos últimos 20 anos, um grande contingente de indianos tem investido na sua formação acadêmica, completando seus estudos nos Estados Unidos. Muitos desses estudantes têm voltado para o seu país e contribuído para a melhoria do ensino. A área de tecnologia é a que sofreu a maior influência, pois é para a Califórnia que a maioria dos estudandes indianos vão. Nos últimos dez anos, a indústria de tecnologia norte-americana tem investido em empresas na Índia, em troca de mão de obra bem mais barata. Como consequência, esse processo acabou produzindo uma fortíssima indústria local, principalmente no segmento de software. Foi na Índia que grande parte dos softwares para análise e solução do problema do bug do ano 2000 foram produzidos. A indústria de software atingiu altíssimo nível de desenvolvimento e já é a responsável pelo grande crescimento econômico dos últimos três anos na Índia.

Indústria forte
Até pouco tempo atrás, as empresas indianas desenvolviam alta tecnologia somente para grandes corporações americanas, porém, hoje existe na Índia uma forte indústria de software com tecnologia e produtos próprios. São softwares que vão desde games 3D de última geração até sofisticados simuladores de vôo para a indústria aérea mundial. Os números não deixam dúvidas. Segundo a empresa de consultoria McKinsey & Co, a Índia exportou em 1991 US$ 50 milhões em tecnologia e pulou para US$ 5 bilhões em 1999. A previsão para 2008 é ainda mais impressionante: Serão mais de US$ 50 bilhões só em exportação de tecnologia. Pouco menos que toda exportação anual do Brasil. É claro que estamos falando de uma previsão para daqui a oito anos e, até lá, o Brasil deve estar exportando algo em torno de US$ 110 bilhões. Mesmo assim, pois estamos falando apenas do segmento de software na índia, e essa é área extremamente estratégica. Um dos exemplos é a empresa Armedia, situada em Bangalore, que desenvolveu uma tecnologia de descompressão de dados para TVs digitais de alta resolução. A Empresa norte-americana Broadcom comprou a tecnologia por US$ 67 milhões. A Infosys é outra empresa indiana que atua desenvolvendo softwares e aplicações de Internet para o comércio eletrônico. Um de seus principais projetos foi o desenvolvimento do site da CBS Sportline.

Ponto para Microsoft
O lançamento oficial do Windows 2000 na última quinta-feira aqui em San Francisco, Califórnia, não poderia ter sido melhor. A reação de editores, analistas e técnicos presentes no Bill Graham Civic Auditorium foi de surpresa e total aprovação. Infelizmente não consegui entrar, pois o auditório estava abarrotado, com centenas de pessoas que esperavam conseguir entrar mesmo sem a confirmação da reserva – que se esgotou no primeiro dia. Na verdade não era só Bill Gates que muitos queriam ver. Na festa também participaram o ator Patrick Stewart, de Guerra nas Estrelas e Príncipe do Egito, e também o músico guitarrista Carlos Santana. Apesar disso, a grande estrela foi mesmo Bill Gates, que na apresentação surpreendeu com alguns dos novos recursos do Windows 2000 para o gerenciamento de servidores mono ou multiprocessados. Bill Gates fez uma demonstração usando um sistema integrado entre servidores com processamento quádruplo, alternando o fluxo de dados para um servidor com 8 e depois 12 processadores Pentium. Na demonstração, a velocidade do processamento aumentava exatamente na proporção do aumento do número de processadores. Ao fim da demonstração, a reação foi extremamente positiva. Alguns analistas acreditam que o Windows 2000 Server parece estar mais robusto e estável do que o Windows NT. A Microsoft parece ter se empenhado bastante na correção de bugs e sem perder tempo com novos recursos desnecessários e secundários. O lançamento do Windows 2000 vai dar um novo fôlego à Microsoft e amenizar o impacto do processo de monopólio que está em andamento na Justiça, pelo menos junto à opinião pública.

América Latina na Internet
Na semana passada, a Jupiter Communications organizou um Forum Internet para a América Latina, de 15 a 16 de Fevereiro no Hyat Regency Hotel em Miami. Um dos principais conferencistas foi João Roberto Marinho das Organizações Globo. O forum abordou temas como o crescimento da Internet na América Latina, as barreiras, dificuldades e oportunidades do mercado. Um dos principais pontos de discussão foi a avaliação da importação do modelo de negócios na Internet norte-americana para o mercado Latino Americano. A importação do modelo americano pode resultar em fracasso, principalmente quando não são consideradas as dificuldades que o mercado virtual latino enfrenta, tais como baixo índice de micros PC; acesso à Rede caro – já que na maioria dos países o usuário paga o impulso telefônico – além do baixo índice de uso de cartões de crédito. São necessários criatividade, cuidado e capacidade para enxergar as oportunidades que se apresentam diante das dificuldades. O baixo índice de cartões de crédito, por exemplo, pode facilitar o envolvimento das instituições bancárias em soluções de dinheiro virtual, e até mesmo resultar no adiantamento do processo comparado com o mercado norte-americano. Esse tipo de tecnologia é tendência em todo o mundo, mas em razão do alto índice de cartões de crédito nos Estados Unidos, por exemplo, acaba dificuldando a introdução de uma nova tecnologia como a do dinheiro virtual. Aqui pode ser mais fácil, pois será menor a resistência, já que pode ser a única solução na maioria dos casos.

América Latina em números
Um estudo feito pela Jupiter Communications, apresentado no Forum Internet para a America Latina, concluiu que o gasto no comércio online nessa parte do continente, totalizou US$ 194 milhões em 1999, dos quais US$ 121 Mi no Brasil, US$ 25 Mi no México, US$ 15 Mi na Argentina e o restante dividido entre Chile, Venezuela, Peru, Colombia e outros. A previsão para o ano de 2005 é de que atinja US$ 8,3 bilhões, ficando o Brasil com US$ 4,3 bilhões; México com US$ 1,5 bilhão e Argentina com US$ 1 bilhão. O mercado está esquentando e é natural que os investidores estrangeiros estejam de olho no nosso mercado. No futuro, o mercado que menos deverá sofrer influência das atuais barreiras na América Latina é o de Business-to-Business. Pelo menos no Brasil, acredito que a maioria das pequenas empresas e todas as médias e grandes empresas estarão conectadas à Internet em um prazo máximo de dois anos. Na semana que vem vou escrever mais sobre os números da Internet da America Latina.

Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.

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