Windows 2000 Pirata
A Microsoft ainda nem lançou oficialmente sua nova versão do Windows e já está enfrentando uma verdadeira batalha contra os sites que já oferecem uma versão pirata do software. Os piratas conseguiram a versão original do Windows 2000 através de algumas cópias que a Microsoft distribuiu em dezembro do ano passado para testes finais. É possível que tenham conseguido também copiar o Windows já distribuido em alguns microcomputadores que estarão sendo comerializados a partir da semana que vem. Aqui nos Estados Unidos, o lançamento oficial será realizado na quinta-feira, em uma festa de gala em San Francisco, na Califórnia. A Microsoft está disposta a investir muito na luta contra a pirataria. O desenvolvimento do Windows 2000 consumiu nada menos do que US$ 1 Bilhão e três anos de muito trabalho. Alguns piratas usam sofisticados processos para a cópia fiel do CD-ROM e até mesmo da embalagem. Entretanto a empresa garante que as novas embalagens e CD-ROM estarão no mercado com estampando selos holográficos de última geração, considerados impossíveis de copiar. Alguns milhões de dólares estão sendo gastos somente no desenvolvimento de embalagens e técnicas para envitar a pirataria. Até agora, mais de cem web sites foram fechados em uma intensa ação promovida pela empresa, com a ajuda do FBI.

Windows 2000 - O lançamento
Na quinta-feira, Bill Gates estará presente no lançamento oficial do novo Windows 2000 aqui em San Francisco. O evento será transmitido via satélite para auditórios espalhados em outras 51 cidades norte-americanas, onde haverá também festa. A empresa está aceitando inscrições para a participação nos auditórios, mas a grande maioria dos lugares já havia esgotado na terça-feira da semana passada. Além de novos recursos, a principal alavanca do projeto Windows 2000 é o da unificação do Windows para desktops e do Windows NT, para servidores de rede. Com o Windows 2000, a idéia é a de que uma única linha de produtos possa atender o mercado, usando o mesmo núcleo e conceito de funcionamento. Na versão anterior, o Windows 98 e Windows NT tem o seu núcleo (Kernel) diferentes, demandando maior esforço para suporte e futuras novas implementações. Com o Windows 2000, o custo de desenvolvimento e suporte do produto será menor. Os preços aqui nos Estados Unidos vão variar de US$ 149 para micros individuais, até US$ 3.999 para a versão avançada para servidores (Advanced Server Version).

Internet muda mercado
Na última quinta-feira, Rupert Murdoch, Chairman e chefe executivo da News Corp, deu entrevista dizendo que precisará trabalhar duro para que seu império não acabe sucumbindo nas mãos de novos grandes competidores no mundo Internet. O grupo News Corp é o maior grupo de mídia nos Estados Unidos e reúne empresas como Fox News, Fox Sports Net, Sky, Fox Studios, 20th Century Fox, editora Harper Collins, jornais The Times, The Sun, The Sunday Times, New York Post e dezenas de outras grandes empresas do segmento de mídia e entretenimento. Murdoch afirmou que se não houver um novo redirecionamento em seus negócios, a News Corp poderá virar lanche na boca das novas feras. Ele ainda completou: ‘‘O mundo mudou totalmente depois que a AOL - America Online e TimeWarner se juntaram. Muitos de nós somos acostumados a ser peixes grandes em um pequeno aquário e agora estamos perdendo para dois tubarões’’, referindo-se a AOL e Microsoft. O fato é uma interessante mensagem aos grandes empreendedores da mídia e entretenimento em todo o mundo. Se o gigante grupo News Corp. reconhece que precisa mudar urgentemente para não ser atropelado pela nova ordem ditada pela Internet, o que diremos das empresas menores. Nos Estados Unidos, quem não levou a Internet a sério já está condenado. No Brasil, o ano 2000 será decisivo. A abertura do mercado nacional para a livre negociação na bolsa norte-americana, certamente trará grandes investimentos.

Internet na China
Nos últimos 12 meses, muito tem sido escrito sobre o mercado Internet na China. Seu potencial de crescimento e, principalmente, seu uso como instrumento de mudanças no regime político do país. Em razão dessa expectativa, grandes investidores já estão participando de alguma forma em empresas virtuais na China, entretanto, na semana passada, o governo chinês publicou diversas leis regulamentando e limitando o setor. Os motivos são simples: medo de perder o controle sobre o conteúdo publicado, concorrência com empresas públicas e controle das empresas por parte de capital estrangeiro. Algumas empresas virtuais estão concorrendo com empresas públicas federais e começam a gerar grande ciúmes. O ministro da Indústria da Informação, Wu Jichuan, é o principal obstáculo ao crescimento da Internet. O interesse de Jichuan no combate à Rede é claro, pois está começando a perder controle e dinheiro no segmento das telecomunicações, segmento incluído na sua pasta. O presidente Jiang Zemin, um pouco mais aberto ao processo, prometeu a abertura do capital das empresas virtuais permitindo até 50% da participação com capital estrangeiro. A promessa causou grande irritação em Wu Jichuan, um dos principais articuladores do novo pacote que regulamenta, limita e controla o conteúdo disponibilizado na Internet. O texto da regulamentação afirma que é proibida a dispobilização de informações e serviços que dissiminem os ‘‘secredos de estado’’. O termo usado foi exatamente esse, porém, sem dizer o que é secredo de estado. A regulamentação dá margem às mais diversas interpretações que, certamente, serão aplicadas conforme interesse do governo. A regulamentação já está causando incertezas no mercado. Se essa tendência continuar, bom para o Brasil, que certamente se tornará maior alvo para os investimentos estrangeiros.

Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.

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