Informe Informática (Carlos Trindade)
EUA x Europa
A Internet está avançando rapidamente na Europa, mas apesar da euforia, ainda não é suficientemente grande para determinar uma nova ordem na economia européia. Segundo o presidente do Banco Central Europeu, Wim Duisenberg, a Europa precisa colocar a casa em dia antes de pensar no grande fenômeno Internet que está acontecendo nos Estados Unidos. Duisenberg se referiu ao investimento dos países do EuroZone, no desenvolvimento de um comércio aberto, destinado principalmente a atingir os consumidores norte-americanos. Alguns números mostram a diferença ainda existente entre os Estados Unidos e os países compreendidos na região chamada EuroZone. Enquanto o investimento em tecnologia da informação representa em média 4,3% de todo o GDP nos Estados Unidos, na EuroZone ele é apenas 3%. Nos EUA, aproximadamente 28,5% de toda a população está plugada à Rede, enquanto na EuroZone o percentual é de 15%. O comércio internet B2B-Business to Business atingiu em 1999 US$ 48 bilhões nos EUA e US$ 14 bilhões no EuroZone. Já o B2C-Business to Consumer registrou um volume de U$ 29 bilhões nos EUA e apenas US$ 5 no EuroZone. Talvez o tempo para que EuroZone arrume a casa, conforme afirmou o presidente do Banco Central, seja suficiente para que os Estados Unidos estabeleça uma presença ainda mais maior no comércio virtual mundial, incluindo a própria EuroZone. A vantagem dos EUA poderá então custar muito caro aos países europeus quando decidirem pensar estrategicamente no mercado Internet.
Uma esperança para os cegos
Gosto de escrever sobre novas tecnologias que podem transformar a vida das pessoas ou, pelo menos, melhorar a qualidade de vida. Uma nova tecnologia de visão artificial pode dar aos cegos algo com o que sempre sonharam. Um equipamento que deverá ser lançado ainda este ano, oferece a possibilidade de visão aos cegos, ainda que limitada. Jerry, um norte-americano que sofreu um acidente de automóvel em 1974, quando ficou totalmente cego, é a cobaia do médico Willian Dobelle, diretor de pesquisas com orgãos artificais do Hospital Presbiteriano de Nova Iorque. Uma câmera colocada nos óculos de Jerry envia informações a um pequeno computador, conectado a um cartão plástico flexível com 64 elétrodos, implantado na córtex visual do cérebro de Jerry. A primeira versão do equipamento permite a Jerry enchergar e ler letras de cinco centímetros de altura, a uma distância de 1,5 metro. Jerry também teve que aprender a ver novamente, pois a visão resultante dos impulsos causados pelos elétrodos é diferente do padrão humano. Custando US$ 50 mil, o novo equipamento pode parecer ainda muito longe de permitir uma visão ampla e bem próxima do mundo real, entretanto só mesmo quem sofre de deficiências físicas como cegueira e paraplegia, sabe o quanto vale um pequeno avanço e a influência que esse avanço pode ter em suas vidas. Torço para que o projeto do Dr. Dobelle avance rapidamente e se torne um dia acessível a todos os portadores da cegueira.
Redes domésticas - chegaram para ficar
A tecnologia de rede de computadores está definitivamente chegando às residências. Até bem pouco tempo as alternativas eram somente as utilizadas por empresas, que funcionam muito bem, mas quase sempre implicam em passar cabos por toda a casa, instalações feitas por profissionais e custo pouco acessível. Os principais fabricantes de equipamentos e softwares para redes estão oferecendo soluções simples para conectar micros nas residências. O mercado de microcomputadores que mais cresce nos Estados Unidos é o das residências, que já possuem pelo menos um micro. Uma rede simples é fundamental para permitir o compartilhamento de impressoras, de scanners e de conexão à Internet. O crescimento das conexões DSL de alta velocidade e da aquisição de mais microcomputadores nas residências, implica na necessidade de compartilhar recursos.
Soluções para redes domésticas
São diversas as soluções para conectar micros em casa, porém a mais interessante e prática é que usa a rede telefônica já existente. Cada tomada telefônica se transforma em um ponto da rede. Para isso, os micros precisam de uma placa de rede. Para criar uma rede doméstica, o ideal é utilizar placas e dispositivos certificados pela Home Phonelline Networking Alliance (HPNA), pois é garantia de melhor funcionamento e conectividade. As novas placas neste padrão trabalham a 10Mbits por segundo, já a versão anterior no máximo a 1 Mbit/segundo, o que é suficiente para conexão doméstica. Elas custam US$ 90 e US$ 50 respectivamente por cada micro plugado na rede. Alguns fabricantes de microcomputador já estam comercializando seus micros com um disposivito HPNA. A interface pode ser externa e funciona conectada em uma saída USB, que é um novo tipo de conexão serial muito mais veloz do que a serial usada nos modems e que já está disponível em praticamente todos os novos equipamentos desde o ano passado. Empresas como Intel, 3Com, LinkSys e Farallon são os principais fabricantes dessas interfaces (placas ou unidades externas).
Mais tomadas telefônicas
E o que fazer se o cômodo onde fica o micro não tem tomada de telefone? Talvez a forma mais econômica, no Brasil, seja instalar mais tomadas telefônicas, já que o serviço não é tão caro. Entretanto, um único ponto pode custar até US$ 200 aqui nos EUA. Nesse caso, uma interface de rede sem fios é a melhor solução. O custo é de aproximadamente US$ 150 por micro. A Compaq e Proxim estão oferecendo uma opção baseada no padrão da Home RF Working Group e que funciona a uma velocidade de 1,6Mbits/segundo. Existem alternativas com maior velocidade, usadas em empresas, entretanto, o custo é bem maior. Para quem fez o upgrade do Windows 98 Second Edition, pode usar o Ajudante de Compartilhamento de Conexões para configurar as instalações. Para quem não fez o upgrade, pode tirar vantagem do software incluido em todos os produtos da 3Com para soluções de rede doméstica HPNA. Os padrões de comunicação de rede doméstica de micros já estão sendo preparados para a conexão de outros dispositivos como equipamentos de navegação Internet e eletrodomésticos.
Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.





