Informe Informática (Carlos Trindade)
Publicidade e Internet
A novidade aqui não é a propaganda na internet, mas sim os milhões gastos pela indústria internet para veicular anúncios na mídia convencional. O mercado internet está causando um grande aumento na venda de publicidade, especialmente na televisão e mídia impressa. Nesse fim de ano, os jornais norte-americanos estão experimentando um crescimento na venda de publicidade de 7% ao mês, em relação ao mesmo período do ano passado. O maior responsável pelo crescimento é o segmento internet. No no passado, 30 segundos de um anúncio nacional na final do Super Bowl custou US$ 1,2 milhões. Uma das empresas que adquiriu os valiosos 30 segundos foi a hotjobs.com. Esse ano, a correria das empresas internet fez com que o preço aumentasse para US$ 2 milhões por 30 segundos. Segundo a imprensa norte americana, o telespectador norte americano vai assistir no Super Bowl, mais anúncios internet do que anúncios de cerveja.
US$ 7,5 milhões por um domínio
Domínio internet é o nome principal de um endereço que o usuário usa para acessar um determinado web site. Yahoo.com, Altavista.com, UOL.com.br, Cade.com.br e Onda.com.br, são alguns exemplos de nomes de domínio. Algumas pessoas já ganharam muito dinheiro cadastrando nomes de domínio interessantes e os vendendo mais tarde para outras empresas. No Brasil, os casos mais conhecidos são o da AOL.com.br, registrado por uma empresa chamada América Online Telecomunicações Ltda, com sede em Curitiba. A empresa tenta negociar com a AOL.com, que por enquanto está o no Brasil com o endereço americaonline.com.br e www.br.aol.com (uma derivação do domínio norte americano aol.com). O endereço Altavista.com.br é semelhante e está registrado no Brasil por outra empresa curitibana chamada Intermedia Empreendimentos Comerciais Ltda. Recentemente o site se transformou em uma ferramenta de procura. Nos Estados Unidos, não é permitido o registro de domínio de uma empresa que já detem a marca registrada do nome. No Brasil, a Aol.com e Altavista.com esperam ganhar na justiça o direito pelos nomes. Entretanto, nada impede alguém de registrar palavras que possam interessar a alguma empresa futuramente. É o caso o endereço business.com. Por esse endereço, eCompanies.com pagou US$ 7,5 milhões para Marc Ostrofsly. Nada mal para quem não investiu mais do que US$ 400 para registrar e manter o domínio. Atualmente, a grande maioria dos endereços interessantes já estão cadastrados.
Me deixa ser seu cliente?
Qualquer comerciante, do mundo físico ou virtual, sonha em ouvir essa pergunta quantas vezes for possível. Infelizmente ela não é tão comum assim, empresas em todo o mundo gastam dezenas de bilhões de dólares anualmente para informar e seduzir o consumidor. Entretanto, enquanto isso, num mundo não muito distante, na verdade a um clique de distância, em uma famosa empresa chamada Net2Phone.com, o internauta tem que implorar para ser cliente. No início de novembro resolvi testar os serviços da empresa. Ela fornece um software e serviço que permitem ligar para qualquer telefone no mundo, usando um microcomputador. Com o software, plugado na internet, o internauta se conectar a um servidor da Net2Phone, que por sua vez faz a conexão internet até o país destino da ligação, de onde um equipamento faz a ligação para um aparelho de telefone comum. O sistema funciona bem, me cadastrei e com os meus primeiros minutos gratuitos, falei sem problemas com o Brasil. Depois, cada minuto custaria US$ 0,33, no mínimo um terço de uma ligação convencinoal. Porém, foi quando eu tentei comprar meus primeiros minutos que o pesadelo começou. O sistema rejeitou meu cartão de crédito. Estranhei, pois estou usando o cartão diariamente aqui nos EUA. Liguei para a administradora do cartão no Brasil e eles me disseram que não havia qualquer problema. Depois de diversas mensagens de fax e e-mails para o serviço de atendimento e muita argumentação, finalmente aprovaram meu cadastro e pude comprar meus minutos pela primeira vez. Achei que o problema estava resolvido. Um anuncio no site da Net2Phone me chamou a atenção. Eles estavam vendendo cartões telefônicos permitindo ligações usando um telefone normal, pelo mesmo preço da internet. Esse sistema também usa a internet, mas a partir de um aparelho telefônico comum. Depois de efetuar o pedido do cartão, recebi novamente uma mensagem dizendo que não poderiam aceitar o meu cartão de crédito. Enviei uma mensagem para todas as pessoas com quem tinha tido contato, dizendo que depois de implorar para ser cliente da Net2Phone, eu estava desistindo. Aproveitei para incluir na mensagem, congratulações para a CDNOW, Yahoo Shopping, EggHead, MicroWareHouse e Amazon que tão gentilmente tem aceitado o meu cartão e enviado mensagens de agradecimento para cada dólar que gasto lá.
A Net2Phone não está só
Infelizmente a Net2Phone não está só. Tem muito mais desrespeito ao consumidor por aí. Ou será que pelo fato de estar nos Estados Unidos, fazendo uma especialização em Marketing, ouvindo o dia inteiro sobre o que se deve e não se deve fazer com o consumidor, eu esteja muito sensível às não raras trapalhadas dos serviços de atendimento ao consumidor das empresas com quem tenho tido contato ? Antes do caso Net2Phone, descrito acima, tive o outras frustrações como consumidor. Primeiro foi com a Pacific Bell, uma das principais empresas de telefonia dos Estados Unidos. Liguei diversas vezes solicitando uma linha DSL de conexão internet de alta velocidade, preenchi formulários internet e até hoje estou esperando um contato. Faz quatro meses. Com a Pacific Bell não consegui falar com um ser humano, somente com sistemas de auto-atendimento. Em seguida foi com a AOL. Era uma sexta-feira à noite, depois de 2 semanas de e-abstinência, desesperado para assinar um serviço internet nos EUA, instalei um dos programas da AOL que prometem 100 horas de acesso gratuito internet. Preenchi os formulários online para assinar o serviço, instalei o software e depois de informar todos os meus dados, incluindo o número do meu cartão de crédito, recebi uma mensagem de que deveria telefonar para um determinado número para confirmar os dados que enviei eletronicamente e só então poderia acessar a internet via AOL. Detalhe - O tal telefone só atende durante horário comercial. Teria que esperar até segunda feira. Irado, cinco minutos depois, estava acessando a internet através da ATT WorldNet. Quase 45 dias depois, recebi um telefonema da AOL perguntando o que aconteceu: Porque eu não liguei confirmando meus dados ? Dá para imaginar a resposta que dei.
Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.





