Informe Informática (Carlos Trindade)
Marketing Internet
Um e-mail que recebi do meu primo Bento Cordeiro, arquiteto e assessor de negócios de uma empresa importadora e exportadora de confecções de Londrina, acabou me inspirando a escrever a coluna desta semana. Normalmente escrevo mais sobre o mercado Internet mundial, em especial o norte-americano. De modo geral, o que acontece no mercado norte-americano na áreas de tecnolgia de informática e telecomunicações, tende a se repetir mais tarde no mercado brasileiro. O mercado dos Estados Unidos é, na verdade, uma imensa fonte de informações estratégicas para as empresas nacionais ou estrangeiras que pretendem se aventurar pelas águas tropicais do nosso país. Entretanto não é só o poder do mercado norte-americano de ditar as tendências da área Internet que me faz escrever mais sobre a terra do Tio Sam, mas também a superabundância de informações sobre o mercado de lá em contraste com a falta de informação da versão tupiniquim da Internet. Fontes como o IDC, MediaMetrix, Forrester Research, Jupiter Communications, ActivMedia, Nielsen/NetRatings e e-Marketer são apenas as principais de uma centena de empresas que pesquisam o mercado Internet norte-americano com profundidade e despejam diariamente caminhões de informações estatísticas sobre o mercado. Mas felizmente isso está mundando.
Esqueceram do Brasil
Apesar da infinita quantidade de informações sobre o mercado norte-americano de Internet, a grande maioria das empresas de pesquisa de mercado nunca prestou atenção no potencial do nosso mercado. Até um ano atrás era quase impossível encontrar informações sobre o mercado brasileiro de Internet, publicado por essas empresas. Até o início deste ano, a impressão que os americanos tinham era de que o Brasil estava dormindo, entretanto, as grandes empresas norte-americanas do segmento é que estavam dormindo e agora desembarcam no Brasil apavoradas para recuperar o tempo perdido. Chamo de agora, os últimos seis ou oito meses.
Internet no Brasil
A falta de informação sobre o mercado Internet brasileiro nas publicações e estudos das principais empresas de pesquisa de mercado do mundo, acabou por não retratar a realidade do que estava acontecendo. Fui informado pelo meu caro primo Bento, de que tem aumentado significativamente o número de outdoors e veiculação de anúcios de sites e serviços Internet nas mídia em geral. Parece que vou perceber uma mudança no cenário quando voltar para o Brasil. Aqui, de cada dez anúncios no metro de San Francisco, oito são de sites. Quem acreditou no mercado Internet brasileiro com antecedência, já colhe os frutos, se não na forma literal dos dividendos, pelo menos na grande valorização de seus negócios. Já se fala que o Universo Online estaria valendo perto US$ 1 bilhão. Ainda que esse número possa ter sido engordado por razões diversas, ele não é ilógico. Vale lembrar que a Geocities foi vendida para a Yahoo por US$ 4,6 bilhões há um bom tempo. Não acredito que a estrutura operacional da Geocities fosse mais complexa do que é o UOL. O valor dessas empresas tem pouco a ver com o que elas faturam agora, mas com o seu potencial.
Chegaram atrasados
No caso do UOL é simples, é a empresa Internet brasileira de maior audiência e conhecimento público. Até aqui nos Estados Unidos a mídia noticiou sobre o orçamento de US$ 200 milhões em investimentos da America Online no Brasil. Entetanto, acredito que a America Online e Yahoo! chegaram um pouco atrasados ao Brasil. Certamente ainda vão abocanhar uma boa fatia do mercado, mas dificilmente estarão ocupando o primeiro lugar. A briga com a UOL e ZAZ vai ser ser acirrada e difícil. O UOL garante que tem um budget de US$ 100 milhões em investimentos Internet. À medida em que o mercado vai amadurecendo, aumenta a o montante de investimento necessário para quem quer se manter ou lançar um novo serviço Internet. Aqui nos Estados Unidos, analistas afirmam que para começar um novo negócio Internet de grande impacto, é necessário um investimento inicial de no mínimo de US$ 5 milhões. Pra quem quer investir em Internet no Brasil e não dispõe de grande capital, é bom aproveitar esse final de ano, pois a partir do ano que vem o volume de dinheiro necessário para começar um novo negócio Internet vai crescer a cada dia.
DSL mais barato...
...pelo menos aqui nos Estados Unidos. Uma nova lei do FCC-Federal Communications Commission, órgão que regulamenta as telecomunicações aqui nos EUA, estabeleceu uma norma onde a SBC Communications e Bell Atlantic são obrigadas a dividir suas linhas telefônicas com outros provedores DSL. As linhas DSL são linhas digitais de acesso à Internet que trabalham em uma velocidade muito maior do que a dos modems convencionais de 56Kbps, embora usando os mesmos cabos da linha telefônica. Até agora, as diversas empresas provedoras DSL eram obrigadas a pagar a instalação de uma nova linha para prover serviços DSL. Algumas poucas empresas telefônicas é que tinham o exclusividade na concessão para explorar linhas telefônicas e não permitiam que terceiros usassem as linhas instaladas, e como única alternativa, forçavam os provedores a pagar por uma linha extra. Por esse serviço, os provedores pagavam às empresas telefônicas US$ 20 por mês para cada assinante Internet DSL que conseguiam.
As novas regras
Agora, as empresas telefônicas são obrigadas a oferecer suas próprias linhas para os demais provedores, caso o usuário opte por um serviço DSL de outra empresa que não a própria empresa telefônica. Dessa forma, um assinante de serviço telefônico da Bell Atlantic por exemplo, poderá contratar um serviço DSL de uma outra empresa, que funcionará na mesma linha telefônica já existente. Por conta disso o preço do acesso Internet DSL e o tempo para a instalação deverão sofrer uma significante redução. Alguns podem achar estranho, mas o FCC se baseou na lei norte-americana que regulamenta a igualdade de competição, onde entende que as empresas telefônicas não podem disputar um novo mercado que depende de um recurso que somente elas podem ter ou controlar, limitando o poder de disputa de outras empresas. Obviamente as empresas telefônicas não concordaram e estão falando em apelar ao poder judiciário. E entretanto este não deverá revogar a regulamentação do FCC.
Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.





