Informe Informática (Carlos Trindade)
Internet em 2003
O Natal está chegando e, com ele, um batalhão de empresas investindo milhões de dólares na expansão do seu mercado Internet, em pesquisas, publicidade, propaganda e outras formas de fazer marketing. Um estudo da Forrester Research traz previsões dos principais mercados online para o ano de 2003 nos Estados Unidos. Segundo o estudo, o segmento de moda em 1999 vai fechar com US$ 1,6 bilhões em vendas e a previsão para 2003 é de US$ 20 bilhões, representando 7% de todo o mercado da moda nos Estados Unidos. Na área de brinquedos, 1999 vai fechar com US$ 253 milhões e em 2003 chegará a quase US$ 3 bilhões, ou 9% de todo o mercado de games. Música e vídeo vão vender US$ 1,17 bilhões em 1999 e US$ 5,5 bilhões em 2003, mais de 20% de todo mercado de música e vídeo nos Estados Unidos. Produtos de beleza e saúde vão totalizar US$ 510 milhões este ano, e mais de US$ 6 bilhões em 2003 (3% do total). As vendas de produtos eletrônicos em geral pela Internet somarão US$ 1,2 bilhões em 1999 e US$ 8,7 bilhões em 2003 (8% do mercado). Computadores e hardware atingirão o montante de US$ 2 bilhões este ano, e mais de US$ 11 bilhões em 2003, com 38% de todo o mercado norte-americano nessa categoria. Viagem e turismo será o maior mercado, totalizando US$ 2 bilhões em 1999 e quase US$ 30 bilhões em 2003, porém representando 12% do mercado total. Só de livros, a Internet comercializará US$ 1,2 bilhões em 1999, saltando para US$ 3,1 bilhões em 2003, representando 19% do mercado total.
Quem vai dominar a Internet?
Certamente não haverá domínio de apenas uma empresa, mas com o estudo da Forrester Research já dá para imaginar quem serão os principais players de cada segmento. O estudo se baseou em uma pesquisa de intenção de compra e concluiu que no segmento de moda, os três primeiros colocados nas intenções e compra do consumidor são a L.L.Bean, GAP e JC Penney. No segmento de brinquedos e jogos a ToysRUs é a primeira, seguida pela eToys e a Disney. No segmento de músicas e vídeos, os ganhadores são a Amazon, CDNOW e Columbia House. Já para produtos de beleza e saúde, o primeiro é uma loja virtual chamada Clinique, seguida da Drugstore.com e CoverGirl. Nos próximos anos, os internautas vão procurar por eletrônicos primeiramente no BestBuy, depois Amazon e Wal-Mart. Computadores e outros hardwares terão preferência na ZDNet, EggHead e Buy.com. Os principais sites para Viagem e Turismo serão o CheapTickets, SouthWest e Priceline.com. Finalmente, para o mercado de livros, os grandes vencedores serão a Amazon, Barnes & Noble e Borders. Deu pra perceber algum impressionante? A Amazon, uma empresa totalmente virtual, com uma história de pouco mais de cinco anos nos Estados Unidos, estará entre as primeiras em pelo menos três segmentos: Música & Vídeo, Eletrônicos e Livros. Isso é Internet.
Caso Microsoft
Já não é novidade que a Justiça norte-americana concluiu, em uma avaliação preliminar, que a Microsoft exerce monopólio no mercado de softwares para computadores PC. A Microsoft tratou de diminuir o impacto da decisão afirmando que é simplesmente mais uma fase do processo e que a decisão não é final. Mesmo que o processo venha a ser avaliado em outras instâncias, a primeira avaliação tem um grande peso no restante do processo e a MS sabe disso. É praticamente certo que a Microsoft sofra sansões. Ela provavelmente será forçada a dividir seu negócio em diferentes empresas. Pode parecer que é a mesma coisa mas, na prática, pela lei norte-americana, diversas empresas do mesmo grupo têm muitas limitações na aplicação conjunta de seus recursos. Uma unidade, com um produto altamente lucrativo, não pode simplesmente pagar para introduzir no mercado outro produto menos lucrativo de uma outra unidade. Esse processo é complicado e enfrenta diversas barreiras. É o que a Microsoft fez internamente dando de graça o Internet Explorer.
Chega de briga
A Microsoft já deu o primeiro sinal de que vai diminuir o rítmo das brigas com os principais concorrentes. Desde o início do ano, a MS vem investindo no desenvolvendo de um controvertido software tipo Instant Messenger, semelhante ao AOL-IM, ICQ ou o Yahoo Pager. O MSN Instant Messenger deveria permitir a comunicação com os usuários do AOL-IM (America Online instant Messenger) e aí é que está o problema. Pode parecer inofensivo para muita gente, mas com esse recurso, a Microsoft passaria a interceptar todas as mensagens e endereços trocados com usuários AOL, uma das principais rivais da MS no segmento Internet. A AOL vinha brigando para proibir a MS de lançar seu software no mercado contendo esse recurso, pois colocaria a segurança e privacidade de seus usuários em risco (e principalmente o seu mercado). A Microsoft anunciou no fim da semana passada que vai iliminar do seu software Instant Messenger, o recurso que permite a integração com o AOL-IM. Isso na verdade quer dizer: Não quero mais briga !. Pelo menos não por enquanto.
MS x Sun
Outra briga que só vai favorecer os usuários de microcomputaores é entre a Sun Microsystems e a Microsoft. No início de setembro deste ano a Sun, outra grande rival da MS, comprou uma empresa de software alemã chamada Star Division, que desenvolveu um conjunto de programas compatíveis com o Microsoft Office e resolveu distribuir gratuitamente na Internet esse software, chamado StarOffice. Somente na primeira semana, mais de 250 mil cópias foram baixadas da Rede para computadores de todo o mundo. A estratégia é a mesma que a Microsoft utilizou contra a Netscape quando resolveu distribuir gratuaitamente o Internet Explorer. Para o ano que vem, a Sun promete lançar uma nova versão recheada de novidades e o produto deverá se chamar StarPortal. Esse é o começo de uma briga que poderá mudar a história dos softwares tipo office suite. A Microsoft conta hoje com 90% desse mercado e isso tem nome: monopólio. É claro que quando falo de monopólio jamais penso em tirar o mérito da postura sempre empreendedora da Microsoft, da visão de Bill Gates. Porém, continuo a afirmar que o monopólio não faz bem para o mercado, pelo menos não para o mercado consumidor. O poder de barganha, de mudar o mercado, deve estar na mão do consumidor e não de poucas grandes empresas.
Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.





