Informe Informática (Carlos Trindade)
US$ 20 bilhões em 1999
O comércio Internet no varejo, não incluindo transações business-to-business, deverá atingir US$ 20,2 bilhões este ano só nos Estados Unidos. O estudo da Forester Research concluiu ainda que mais de sete milhões de usuários Internet fizeram compras pela primeira vez em 1999. Algumas outras pesquisas conduzidas por empresas especializadas no mercado Internet, identificaram que os internautas estão perdendo o medo de comprar na Internet através de cartão de crédito. Os sistemas de segurança estão ficando mais sofisticados e oferecem cada vez menos riscos, especialmente nas grandes lojas virtuais.
eBay regionalizando
Os websites de leilões estão movimentando significante parte da economia do varejo virtual. Pra quem não conhece, existe uma dezena de sites que comercializam produtos através de leilões, onde o internauta pode dar lances e acompanhar com detalhes todo o seu andamento. O site eBay lidera com grande vantagem esse mercado. Para se ter uma idéia, enquanto escrevia esta coluna, dei um pulo, ou melhor, alguns cliques, até o site da eBay e constatei que naquele momento o site tinha disponíveis mais de um milhão e trezentos mil produtos, novos e usados, sendo leiloados. São produtos que vão desde computadores, eletrodomésticos, equipamentos fotográficos, antiguidades e jóias, até CDs, coleções de selos e moedas. O eBay resolveu adotar uma estratégia de regionalização e abriu uma seção de leilão para a cidade de Los Angeles, o resultado foi surpreendente e a empresa resolveu implantar mais 52 seções de sites regionais até o início do ano que vem. Com essa estratégia, a eBay se aproxima da sua audiência, fonecendo serviços mais personalisados.
Barnes & Noble compra Books.Com
A maior rede mundial de livrarias está trabalhando duro para garantir uma boa fatia do mercado online de livros. Depois de assistir de camarote o segmento de livros Internet sendo dominado pela iniciante Amazon.com, a Barnes & Noble, mais tradicional e conhecida rede de lojas de livro em todo o mundo, está investindo pesado para recuperar o terreno perdido. A Books.com não é tão grande quando as duas líderes, mas tem uma boa fatia do mercado e um público um pouco diferente da B&N, o que significa uma boa soma de forças. O valor da negociação não foi revelado. Além da aquisição, a B&N está fazendo fortes parcerias com as empresas ShoppersAdvantage.com e DaysInn.com.
Mania de leitura
Aproveitando o assunto sobre as livrarias eletrônicas, vale a pena comentar sobre a diferença do hábito de leitura na população da região de San Francisco, comparada com a nossa no Brasil. A diferença é gritante! Grandes livrarias aqui funcionam como franquias e além de serem enormes, podem ser encontradas em toda a cidade. Só em Oakland, uma cidade do tamanho de Londrina do lado leste da baia de San Francisco, tem mais 25 grandes livrarias. Mais o que impressiona é que a maioria abre até 10 ou 11 da noite, estão sempre lotadas, centenas de pessoas pelo chão, lendo livros e revistas. As livrarias normalmente tem uma loja de café com diversas mesas, onde o pessoal fica o dia todo estudando, lendo, e muitas vezes usando seus notebooks. Existe uma lei na Califórnia que obriga as livrarias a permitir a leitura de qualquer livro dentro da loja. No centro de San Francisco é comum ver indigentes lendo livros, sentados no chão ou nas diversas cadeiras e poltronas espalhadas pelas lojas. Eles podem ficar ali o dia inteiro lendo livros. Mas o hábito não se manifesta somente nas livrarias. Talvez, o que impressiona ainda mais, é ver que nos cafés (são centenas), bares, restaurantes e confeitarias, a grande maioria das pessoas está lendo ou estudando. A Starbucks, maior franquia de lojas de café, com mais de duas mil lojas espalhadas em todo mundo, tem tomadas de computador espalhadas por toda a loja, algumas com acesso à Internet. Diversas pessoas passam o dia tomando café e estudando em seus notebooks. Um excelente ambiente pra quem veio pra cá estudar, assim como eu. Quando sobra tempo, costumo ir a uma grande livraria chamada Borders e ficar por lá não menos do que quatro horas. Não é a toa que dessa região saem não só as grandes soluções na área de tecnologia e informática, mas também nascem os grandes movimentos culturais, influenciando todo o país e o mundo.
Para dar água na boca
Estou nos Estados Unidos há mais de dois meses e ainda não me acostumei com preços de produtos eletroeletrônicos. Quando saio para dar uma olhada nas grandes lojas de eletrônicos, dá vontade de sair comprando tudo. Mesmo com a enorme desvalorização do Real, as ofertas aqui são de dar água a boca. Aqui vão alguns destaques das listas de oferta: 1) Scanner USB 1200x600 com cinco botões função rápida para fax/cópia/scan/OCR/e-mail US$ 79; 2)Impressora Canon BJC-1000 por US$ 49 e a BJC-2000 por US$ 69; 3)Notebook Sony Vaio PII 366Mhz por US$ 1.499; 4) Monitor NEC 1280x1024 17 por US$ 180; 5) Caixa com 50 CD-RW por US$ 69; 6) HD Seagate 17GB por US$ 150; 7) Identificador de chamadas telefônicas armazenando 80 ligações recebidas e 80 efetuadas a partir de US$ 14 (de 50 ligações tem a partir de US$ 9,99); 8) Telefone sem fio 900mhz a partir de US$ 22. Bom, acho que a pequena lista é suficiente para dar mostrar que aqui só não compra quem não quer. Pra nós brasileiros, mesmo com o dólar na casa dos R$ 2,00, os preços são muito atrativos. É claro que eu provavelmente vou ceder a algumas dessas tentações e levá-las para o Brasil.
Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.





