Contagem Regressiva
Faltam 71 dias, 3 horas e 31 minutos para o ano 2000. Pelo menos faltava quando eu escrevi essa linha. Se para alguns o ‘‘Bug do Milênio’’ é uma ameaça, para outros é uma grande oportunidade para ganhar dinheiro. Muito se tem falado e escrito sobre os gastos na área de tecnologia de hardware e software para evitar maiores consequências no que diz respeito ao bug, mas muitas outras áreas estão sendo afetadas com o problema. Nos Estados Unidos, as companhias de seguro estão prevendo prejuízos com o pagamento de sinistros extras. Um estudo desenvolvido pela indústria dos seguros concluiu que o pagamento de indenizações deverá subir de US$ 15 bilhões/ano para US$ 35 bilhões no ano 2000. A diferença é muito grande e muitas empresas de seguro estão tentando renegociar seus contratos, principalmente os que prevêm indenizações por paralisação no funcionamento de empresas e os pagamentos por ‘‘erros e omissões’’.

Prejuízo das seguradoras
Existe muita polêmica sobre o que uma empresa de seguros deve ou não pagar em relação às possíveis consequências do bug do milênio (Y2K bug). Enquanto as seguradoras passam os últimos dias do ano fazendo contas e prevendo prejuízos, os advogados têm razão de sobra para festejar. Nunca houve tanto trabalho, nunca se ganhou tanto dinheiro de uma só vez. As empresas de seguro são as que mais estão gastando dinheiro com a contratação de advogados para trabalhar na prevenção de possíves conflitos com clientes. A empresa de telecomunicações GTE, contratou uma equipe de advogados para trabalhar em processos visando recuperar parte do dinheiro gasto na adatação dos seus sistemas para o ano 2000. A GTE quer indenizações das empresas de hardware e software, bem como das seguradoras. No caso as seguradoras, a GTE está argumentando que seu investimento na adaptação de todo o sistema vai evitar que as seguradoras tenham que pagar indenizações, e portanto, nada mais justo do que dividir as despesas com as seguradoras, mesmo antes de que qualquer coisa aconteça.

Cisco: US$ 33 milhões/dia
A Cisco Systems, uma das mais bem sucedidas empresas de hardware do mundo, trabalha duro para garantir seu crescimento. Através da comercialização de seus equipamentos para redes de computadores, Internet e outros segmentos da comunicação, o faturamento anual da Cisco é de mais de US$ 12 bilhões. A empresa está prevendo um lucro de US$ 2,1 bilhões para 1999. Ela está cotada em US$ 200 bilhões no mercado de ações. Somente nesse ano, a Cisco adquiriu dez empresas, incluindo a empresa Cerent, também do segmento de tecnologia de hardware para redes. A Cerent foi adquirida por mais de US$ 7 bilhões. ‘‘O que realmente estamos comprando com essas aquisições é a próxima geração de produtos dessas respectivas empresas’’, declarou o CEO da Cisco, John Chambers. Segundo ele, o objetivo ao comprar uma empresa deve ser claro. Se o principal objetivo de uma empresa, ao adquirir outra, é o de comprar o market share e produtos existentes, a aquisição pode ser um péssimo negócio. As empresas de tecnologia são avaliadas de acordo com o potencial de seu pessoal. Em média uma empresa vale de US$ 500 mil a US$ 3 milhões por empregado.

Aquisições geram problemas
Um fator quase sempre desconsiderado na fusão de empresas, é o da diferença cultural entre a empresa compradora e a adquirida. A falta de habilidade em entender e administrar as diferenças culturais entre as empresas é o principal fator para o fracasso de uma fusão. John Chambers, CEO da Cisco Systems, considera de extrema importância o cuidado para não perder profissionais. O potencial de uma empresa em produzir tecnologia está diretamente relacionado com o seu pessoal e vale a pena até mesmo dar incentivos para os funcionários logo após a fusão. Trabalhar as diferenças culturais é fundamental. Diferença cultural é o maior problema que a AT&T está enfrentando depois que adquiriu a TCI, empresa provedora de comunicação a cabo. A AT&T tem uma postura mais conservadora, enquanto a TCI é uma empresa muito mais informal e acaba gerando tensão no relacionamento entre funcionários das duas empresas. O grau de frustração de diversos funcionários da TCI, consequente das barreiras encontradas na burocracia da AT&T, está refletindo em perdas de importantes cabeças da empresa.

Um Gigabyte em 3mm
Do tamanho de um ‘‘M’’. O laboratório de pesquisas de médias de armazenamento da IBM, em Zurich, na Suiça, está em fase final dos testes de um novo tipo de memória medindo apenas 3x3mm, com a capacidade de armazenamento de 1 Gigabyte, ou um bilhão de letras ou números. É fácil imaginar o tamanho do chip, é aproximadamente do mesmo tamanho de uma letra ‘‘M’’ impressa nesse jornal. A nova mídia de armazemanento estará no mercado em pouco tempo. Segundo a IBM, a nova tecnologia utilizada no desenvolvimento dessa memória, vai permitir a médio prazo, produzir novos chips do mesmo tamanho, porém com a capacidade de 1 terabyte (1 trilhão de letras ou numeros), ou mil vezes a capacidade do atual novo chip. A IBM já está trabalhando em um protótipo para o chip de 1 Terabyte, mas não tem data prevista para o lançamento.

Carlos Trindade é consultor em Sistemas de Informação e Internet e atualmente desenvolve pós-graduação em Marketing na Universidade de Berkeley, Califórnia.

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