Informe Informática (Carlos Trindade)
Até onde vai o Linux?
Ele chegou no início dos anos 90, quietinho, sem fazer barulho e hoje é uma pedra no sapato da Microsoft. Mas quem é esse tal de Linux? Um software sistema operacional distribuído gratuitamente, inicialmente usado para algumas funções específicas na internet, mas que aos poucos foi ocupando lugar nas empresas, até mesmo em substituição ao Windows. Para quem ainda não entendeu, o Windows é um sistema operacional, software que administra o uso de um microcomputador PC e que permite ao usuário executar outros softwares de sua preferência, como o Word, Excel, Corel Draw, Internet Explorer, Netscape e outros programas da Microsoft e de diversas outras empresas. Nessa mesma categoria estão o Unix, Macintosh OS, o Novell Netware (somente para servidores de rede) e o Linux. Potencialmente, o Linux pode se transformar em um grande concorrente do Microsoft Windows 95, 98, 2000 e outras versões futuras. Um sonho para os que se sentem aprisionados pelo monopólio da Microsoft. Com a luta judicial que envolve a Microsoft, acusada de manipular o mercado de software com sua força de monopólio, milhões de usuários se voltam para o Linux, transformando-o quase em uma religião.
Linux não é mais o mesmo
Para a felicidade de seus adeptos e dos usuários de PC em geral, O Linux melhora a cada dia e não é mais o mesmo software lançado inicialmente em 1991 nos Estados Unidos. Atualmente, empresas como a Red Hat (Red Hat Linux) e Caldera (OpenLinux) oferecem o software com diversas ferramentas auxiliares para tornar mais simples a sua instalação e uso. Muitas empresas estão utilizando o Linux como servidores Internet, em substituição ao Windows NT. Segundo especialistas, o Linux é bem mais estável, menos suscetível a travamentos do que o Windows 95, 98 e NT. Até pouco tempo atrás, o Linux ainda apresentava uma interface pouco agradável, dando ao Windows um larga vantagem. Somente profissionais de informática conseguiam usá-lo, mas isso também está mudando e promete ainda melhorar.
Linux de cara nova
O Linux pode ser usado com pelo menos duas interfaces gráficas interessantes, o Gnome da Free Software Foundation e o K Desktop Environment da KDE Project. Um usuário leigo diria que ainda faltam alguns quilômetros a serem percorridos para alcançar o grau de facilidade do Windows ou mesmo do Macintosh, mas isso é uma questão de tempo. Pouco tempo. Um módulo emulador do Windows permite a execução de praticamente todos os softwares Windows usando o Linux. Apesar de que algumas empresas nos Estados Unidos, ou mesmo no Brasil, estão substituindo o Windows de seus PCs pelo Linux, a alternativa requer muito cuidado. O Linux ainda não oferece suporte para muitos hardwares e o usuário pode encontrar problemas com o funcionamento de placas de som, impressoras jato de tinta e muitos outros periféricos. Algumas empresas de software já estão oferecendo versões de seus produtos feitos para o Linux, como é o caso do Netscape 4.5 for Linux e o Corel WordPerfect. Uma empresa alemã desenvolveu para o Linux um pacote semelhante ao Microsoft Office, chamado StarOffice. A IBM também já está trabalhando em uma versão do Lotus Notes for Linux.
No Brasil
O Brasil foi o primeiro país fora do eixo Estados Unidos-Europa a receber o Linux. O país possui atualmente 250 mil usuários Linux e a previsão é de dobrar até o fim do ano. Mais de 400 mil CDs já foram distribuídos e esse número deve alcançar 800 mil até janeiro de 2000. A Novell usava antigamente um slogan que dizia Novell - Freedom of Choice. O slogan seria perfeito para o Linux, que tem um forte apelo à Liberdade de Escolha e dentro de dois ou três anos poderá se transformar em uma excelente alternativa ao Windows, podendo até mesmo desbancar sua hegemonia. Quem duvida?
INTENET BUSINESS
Substituindo o toque
No início, eram só dúvidas e muito ceticismo. Poucos poderiam imaginar a Internet sendo usada para comprar frutas e legumes frescos, frutos do mar, roupas, jóias e tantos outros produtos onde o toque, o cheiro e uma visualização próxima parecem ser tão fundamentais. As empresas de comércio na Internet vão descobrindo meios para substituir tais necessidades, se não totalmente, pelo menos o suficiente para dar ao cliente uma boa margem de segurança sobre a qualidade do que está comprando. A empresa Guild.com, conhecida por comercializar peças de cerâmica, jóias e artesanatos finos, adotou uma solução interessante para garantir aos seus clientes que os preços dos produtos são mesmo justos e oferecem boas oportunidades de negócio. Boas fotos não eram suficientes e a empresa contratou uma importante galeria de artes para avaliar os produtos, filtrar o processo de compra, garantindo somente boas peças e bons negócios, dando o seu aval aos produtos da empresa. Funcionou! Os clientes passaram a acreditar que as características e o valor dos produtos correspondem mesmo às descrições do site. Segundo John Anderson, vice-presidente da empresa, todos os nossos produtos possuem uma avaliação de alguém conhecido dos nossos clientes.
Experimentando roupas
Infelizmente não é possível fazer o download de uma camisa, experimentá-la, e caso não sirva, devolver fazendo um upload, mas uma empresa norte-americana chamada Lands End Inc criou um mecanismo onde o cliente pode selecionar entre os diversos manequins, algum com medidas bem semelhantes às suas e visualizar uma foto com a peça de roupa vestida no manequim selecionado. O cliente ainda pode fornecer suas medidas e o site sugere o tamanho mais apropriado da roupa. Se deu certo? A empresa fechou seu ano fiscal em janeiro com US$ 61 milhões em vendas, contra US$ 18 milhões no ano passado. Em outros diversos segmentos, a empresas estão dando soluções inteligentes, ganhando a confiança dos clientes. A unidade de Boston da empresa Streamline.com, um supermercado on line, está instalando na garagem do cliente, uma geladeira com uma tranca e faz entregas mesmo quando ninguém está em casa, garantindo sempre a qualidade dos produtos que chegam e vão direto para a geladeira. O que está assustando os especialistas em análise de mercado, é que as empresas não-internet são mais vulneráveis do que eles pensavam. Não tenho dúvidas de que Internet é sinônimo de revolução no comportamento.
Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos Internet. Escreva para [email protected]





