Por um Office mais simples!
Será que os usuários de microcomputadores não gostariam de ter uma versão mais simples do software Microsoft Office? Stephen Wildstrom, um escritor que escreve artigos sobre tecnologia para a revista Business Week, percebeu que alguns leitores escreviam reclamando da complexidade das aplicações que compõem o pacote Office da Microsoft. Stephen resolveu então fazer uma pesquisa junto aos seus leitores. Segundo ele, o resultado da pesquisa não foi nenhuma surpresa para ele. A pesquisa contou com milhares de participantes e a grande maioria respondeu ‘‘sim’’. Queremos um Office mais simples. Os usuários acham o Office muito complicado, ocupa muito espaço em disco, custa muito caro e exige muito poder de processamento.

Só uso 20%
Um dos comentários típicos da pesquisa feita por Stephen foi o de um usuário que garantiu usar no máximo 20% de todos os recursos do Office, ‘‘80% dos recursos pelos quais paguei, são inúteis para mim’’, afirmou o usuário. A pesquisa revelou que 99% dos que responderam as perguntas concordam que a Microsoft deveria lançar uma versão bem mais simples do Office, principalmente para uso doméstico, escola e pequenos negócios. Mesmo o Word, a aplicação mais utilizada por usuários de PC, traz recursos que a grande maioria nunca usou e provavelmente nunca irá usar. Funções como a da auto-formatação, que substitui alguns caracteres por outros automaticamente ou mesmo a auto-correção, deixam alguns usuários irritados, principalmente quando o programa faz substituições não desejadas. Quase sempre o usuário não sabe como configurar ou desativar essas funções. Funções como inserção de notas, legendas, referências cruzadas, índices, indicadores ou mesmo controle de alterações e mescla de documentos, são totalmente ignoradas pela grande maioria dos usuários. Por que temos que pagar pelo que não usamos? É a grande pergunta dos usuários. A Microsoft controla o direito sobre os formatos de arquivos usados no Office, proibindo que qualquer outra empresa desenvolva aplicações compatíveis com o Microsoft Office.

Onde está a mágica?
Os wizards, recursos desenvolvidos pela Microsoft e depois copiados por muitas outras empresas de software, prometem auxiliar o usuário a executar de forma mágica, complexas tarefas a partir de um sistema de tutor que vai indicando os passos a serem executados. Muitos dos pesquisados pela revista Business Week reclamaram que os wizards são confusos, exigem do usuário decisões complexas, sem que saibam exatamente o que estão escolhendo. Algumas tarefas se tornam mais complicadas usando os wizards. O Office 2000 traz um recurso que permite que algumas funções sejam adicionadas ao programa somente quando necessárias, porém, seguindo a regra, esse recurso é complicado de usar e pouco flexível. A instalação mínima, somente do Word, ocupa aproximadamente 89 megabytes de disco. Segundo executivos da Microsoft, a empresa não tem nenhum plano para lançar uma versão mais simples do pacote Office.


INTERNET BUSINESS
A disputa pelos cabos
Tenho abordado, com certa frequência, sobre a disputa nos Estados Unidos pelas empresas de TV a Cabo, que possuem uma gigante malha de cabos em todas as cidades do país. Empresas como AT&T, AOL, Microsoft, disputam a compra ou parceria com as principais empresas do segmento. A AT&T deu o primeiro e mais importante passo, a compra da TCI e MediaOne por US$ 116 bilhões. Motivo da acirrada briga? A disputa para prestar serviços de conexão Internet de alta velocidade. Mas a briga agora ganhou os tribunais e estimulou a discussão sobre o open-access, uma lei que obrigaria as empresas proprietárias dos cabos, a comercializar o uso de sua estrutura para outros provedores Internet, quase a preço de custo. A luta tem de um lado a AT&T, e de outro empresas como AOL, Baby Bells, GTE Corp e milhares de outros provedores Internet que querem usar a rede de cabo da AT&T.

Dividindo o bolo
Será que as empresas de cabo deveriam ser obrigadas a comercializar sua estrutura para qualquer provedor, por preços regulamentados? A pergunta divide muitos. As operadoras de cabo argumentam que só os investimentos na atualização da rede de cabos, para permitir o uso para Internet, já somam mais de US$ 36 bilhões. ‘‘Por que devemos ser obrigados a dividir o bolo agora?’’, argumentam as empresas de cabo. Nos Estados Unidos, onde o monopólio assusta e causa muita polêmica, o medo é que o acesso Internet a cabo fique na mão de pouquíssimas empresas, principalmente da AT&T. Na cidade de Portland, estado de Oregon, uma lei obriga a AT&T dividir a rede de cabos da TCI com qualquer provedor Internet interessado. A AT&T já apelou para a corte suprema. A AT&T está em disputa com mais de 200 cidades e a decisão da corte sobre o caso de Portland gerará importante precedente para a próximas decisões. A empresa está confiante que a decisão será em seu favor. As empresas de cabo têm um forte aliado de nome William Kenard, um dos principais homens da FCC-Federal Communications Commision. Kenard é totalmente contra o open-access. Segundo ele, a regulamentação do open-acess para redes de cabo poderá desestimular as empresas a investir na atualização de suas redes, atrasando o processo de atualização. ‘‘Minha preocupação principal agora é garantir que os Estados Unidos tenham acesso o mais rápido possível a serviços Internet de alta velocidade’’, afirmou Kenard. Com aliados como a FCC, a AT&T tem grandes chances de ganhar a parada.

O mercado não tem dono
A Toys’R’Us, a maior rede de lojas de brinquedos nos Estados Unidos teme perder a guerra on line. Uma iniciante, a eToys, loja de brinquedos com presença somente na Internet, lançou de forma tímida sua loja on line e comercializou US$ 30 milhões no ano passado. Um volume de vendas equivalente a apenas duas das 1.486 lojas da grande rede Toys’R’Us. Porém, no Natal, a eToys deixou no chão o site toysrus.com da mega empresa dos brinquedos. Com isso a eToys ganhou nos últimos 12 meses, uma valorização de capital de US$ 7,8 bilhões, contra apenas US$ 5,6 da gigante Toys’R’Us. Não existem dúvidas de que Internet vai mudar totalmente o modelo de comércio existente atualmente.



Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos Internet. Escreva para [email protected]

mockup