Caos na Internet
A previsão é do guru Internet da IBM, John Patrick. Com um tom bastante catastrófico, John Patrick se mostra preocupado com algumas das limitações que a Internet deve encontrar brevemente pela frente. As duas maiores preocupações são a insuficiência das linhas Internet de alta velocidade para atender uma futura demanda e a outra é a limitação na quantidade de endereços IP disponíveis atualmente. Quando um usuário se conecta à Internet, recebe automaticamente do provedor um endereço IP exclusivo que o identifica na Internet. Dessa forma, quando ele solicita informações navegando na Internet, os computadores servidores Internet sabem exatamente para quem enviar os textos, imagens e demais informações das páginas Internet requisitadas. Quando o usuário faz uma procura no Yahoo, por exemplo, é pelo endereço IP que a informação chega até seu computador. Toda informação enviada pela Internet até o computador do usuário, carrega sempre junto o seu endereço IP. Segundo Patrick, a IETF-Internet Engeneering Task Force aprovou o novo padrão IP chamado IPv6, que aumenta de 32 para 128 bits o tamanho do espaço dedicado ao endereço nos pacotes IP. Fazendo uma comparação bastante simplista, é como o problema do bug do ano 2000, onde os computadores usam somente dois dígitos (bytes) para se referir ao ano e com a virada do século, o ano 2000 se transformará em ano 00, gerando a maior confusão.

Correndo contra o relógio
Assim como nesse caso em que as datas precisam usar 4 bytes para armazenar o ano nos computadores, as informações que trafegam na Internet precisam usar mais espaço para transportar o endereço IP. O número de novos servidores de acesso, servidores de informação e usuários está aumentando em ritmo acelerado e a capacidade do padrão IP atual pode gerar um colapso se o novo padrão IPv6 não for colocado em prática, garante Patrick. A mudança requer alterações complexas e grandes investimentos. O novo padrão aumentará para 4 bilhões o número máximo de endereços IP. Segundo Patrick, a capacidade e velocidade dos backbones Internet, que são as linhas principais que carregam informações em todo o mundo, também precisa aumentar em aproximadamente 35 vezes para atender a demanda nos próximos cinco anos.

Será o fim dos PCs?
John Patrick afirma também que dentro de três anos, os PCs serão minoria acessando a Internet. Segundo ele, não é a venda de PCs que cairá tanto, mas o mercado de outros tipos de equipamentos e dispositivos é que vai crescer mais. Para Patrick, os TV Box, quiosques, telefones celulares e Internet Phones dominarão o ambiente Internet. A Internet será mesmo uma mídia de massa, quando a tecnologia for literalmente para as mãos das pessoas, para a sala de TV, cozinha e interagir definitivamente com a vida da população.

INTERNET BUSINESS
Ilustres desconhecidos
A corrida pela garantia de uma generosa fatia do mercado Internet nos próximos anos agita cada vez mais o mercado de Wall Street. Os investimentos em novas empresas ou fusões com grandes corporações de outros segmentos parece não ter limites. As empresas de telecomunicação, comércio Internet e de software são as preferidas. A Microsoft já teria adquirido mais de 30 empresas do segmento Internet nos últimos três anos. Geralmente são empresas desconhecidas do público ou mesmo da maioria dos que acompanham as tendências do mercado de computadores informática. Grandes ou pequenas, essas empresas têm seus valores determinados por seu potencial, pela promessa de grande faturamento. A disputa acaba se transformando em um jogo, reunindo elementos como percepção, perspicácia, estratégia, domínio da tecnologia e até mesmo uma boa dose de sorte. Muitas vezes a aquisição pode representar grandes riscos.

As futuras estrelas
A Cisco Systems que se cuide. As empresas Juniper Networks e Avici Systems estão desenvolvendo roteadores de alta velocidade e podem ameaçar a hegemonia da gigante Cisco. Outra novidade é a Cerent Corp., uma empresa da cidade de Petaluma na Califórnia. Ela desenvolveu uma tecnologia que permite empresas telefônicas transmitirem voz e dados a um custo bastante inferior se comparado às alternativas existentes. A previsão é de que o faturamento da Cerent deve quadruplicar no próximo ano. A WebVan, uma empresa de comércio eletrônico, promete ser a Fedex da Internet. A empresa comercializa produtos de supermercado na Internet e desenvolveu uma logística de entrega rápida de produtos perecíveis em centenas de cidades dos Estados Unidos. A empresa entrega uma encomenda Internet de kiwi ou lagostas frescas em até 30 minutos. A WebVan vai partir para o segmento de lavanderia e processamento de fotos com entrega a domicílio. Não deu nem tempo para que a empresa de comércio Internet de produtos farmacêuticos Drugstore.com pudesse festejar seu sucesso. O projeto do site PlanetRx.com recebeu investimentos de US$ 80 milhões de um dos executivos da AOL e Federal Express e já começa a incomodar: grandes perspectivas! A Qubit Technology foi pioneira no lançamento de um pequeno equipamento de acesso à Internet sem o uso de fios. O aparelho parece uma prancheta e é dotado de um display colorido, modem sem fio e tem as dimensões de um livro. O usuário pode navegar pela Internet, receber e enviar e-mails de qualquer ponto de sua casa ou escritório. Quem também está rindo a toa é a iCompression Inc. A empresa desenvolveu um chip de alta tecnologia e baixo custo que já começa a equipar gravadores de vídeo digital. O chip deverá estar presente em milhares de TVs, PCs e outros dispositivos para gravação de imagem digital. ‘‘A iCompression será para os equipamentos gravadores de vídeo digital, o mesmo que a Intel é para o os PCs’’, afirma Neal Margulis, CEO e presidente da empresa.

Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos Internet. Escreva para [email protected]

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