O PC do futuro
A Intel fez uma demonstração do PC do futuro em uma exposição sobre comércio eletrônico em San Jose, Califórnia. A apresentação foi feita por Sean Maloney, vice-presidente da empresa e segundo ele, o PC do futuro funcionará basicamente comandado pela voz (speech recognition) e estará no mercado dentro de três a cinco anos, quando será uma ferramenta indispensável para a grande maioria das pessoas. O usuário será capaz de usar ferramentas inteligentes de procura, ser informado sobre notícias, cotações, informações diversas e ainda fazer anotações em sua agenda, cancelar uma reunião e muitas outras transações sem a necessidade do uso dos teclados. O PC do futuro não usará fios para a conexão com os periféricos e com a Internet. Estará conectado na grande rede mundial usando linha de alta velocidade, 24 horas por dia. A tecnologia de reconhecimento de voz é grande alvo de pesquisas, consumindo montanhas de dinheiro nos Estados Unidos. No Brasil ainda está engatinhando, nem mesmo a tecnologia que permite o computador ‘‘falar’’ a partir de textos escritos (text speech) está bem desenvolvida no Brasil. No Estados Unidos ela funciona em microcomputadores desde os anos 80.

Reconhecendo a voz
Uma empresa chamada Dragon Systems está comercializando um software para PCs que faz reconhecimento de voz e permite ao usuário gravar sua fala e automaticamente transcrevê-la para anotações, agendar um compromisso ou mesmo transformá-lo em conteúdo de um e-mail. Além da falta de inteligência e precisão prometidas pelo PC do futuro apresentado pela Intel, o software Naturally Organized funciona somente com o software PIM chamado ACT. A Dragon Systems promete uma versão OutLook e Lotus Notes para breve. O software leva quase 30 minutos para ser instalado. Depois o usuário deve fornecer alguns de seus textos, e-mails e memos para o programa analisar. Por último, deve ditar diversas frases para que o software ‘‘aprenda’’ sua dicção e jeito de falar. A revista Windows Magazine testou o Naturally Organized e com muito esforço conseguiu produzir textos com 60% de precisão. Por enquanto, essa tecnologia só consegue ser precisa na sua forma mais elementar, oferecendo recursos onde o usuário grava palavras e as relaciona a determinados comandos do computador, que podem então ser ativados com a pronuncia das tais palavras. A expectativa é de grande evolução dessa tecnologia nos próximos cinco anos.


INTERNET BUSINESS
XLM é a nova pedra de rosetta
Pelo menos foi esse o apelido atribuído à tecnologia XLM-extensible markup language nos Estados Unidos. A internet impressiona por seu volume inesgotável de informações, porém a virtude está se transformando em um grande problema: Encontrar a informação desejada nesse oceano de dados vem se tornando uma tarefa cada vez mais difícil. As ferramentas de pesquisa exibem uma lista interminável de páginas como resultado de uma simples pesquisa. Acessar as diversas páginas na procura de uma informação específica pode ser uma tarefa pra lá de tediosa. Existe porém uma luz no fim do túnel. Mas será que a luz é tão forte assim para ser comparada pelos especialistas com a pedra de rosetta? Assim como a antiga pedra encontrada e decifrada por Champollion teve papel fundamental para o entendimento da escrita e da cultura egípcia, a tecnologia XLM poderá se transformar em uma poderosa ferramenta de organização de dados e de vital importância para que o internauta possa decifrar os ‘‘hieróglifos’’ resultantes das pesquisas feitas em sites como Yahoo, Altavista, Cadê e tantos outros. Mas o que será que essa tecnologia tem de tão especial? Ela é simples e eficaz.

XLM dá nome aos bois
A tecnologia XLM é nada mais do que uma evolução da linguagem HTML, porém com uma solução genial que promete transformar a Internet em um grande banco de informações e não um simples repositório de dados. Quando uma ferramenta de pesquisa está indexando seu banco de dados, ela capta páginas web (HTML) em endereços diversos e indexa seu conteúdo. Se uma determinada página contém a especificação de uma equipamento DVD, nome e preço, por exemplo, a ferramenta não consegue associar o nome do produto como sendo um produto do segmento de áudio digital e nem mesmo consegue identificar que alguns dos números encontrados na página representam o preço do tal produto. Com a linguagem XLM, as informações nas páginas serão identificadas com tags, que são códigos internos invisíveis ao internauta. No exemplo citado, antes do nome do produto poderia ser colocado um tag informando que se trata de um produto da categoria de áudio digital e ainda outro tag no preço identificando que o tal número representa um preço. Agora e só imaginar as ferramentas de procura tratando esses códigos. É absurda a economia de tempo e de processamento dos servidores web. Os resultados das procuras serão bem mais objetivos e menores. Se multiplicarmos a economia de uma única procura pelas bilhões de procuras feitas mensalmente nos sites, o resultado da economia em dólares também é gigantesco.

Novos padrões
A idéia é a de que sejam criados padrões desses códigos identificadores (tags) para cada segmento da indústria. Algumas entidades que congregam indústrias nos mais diversos segmentos já estão se reunindo e criando seus padrões. As primeiras serão da área de telecomunicações, computadores, bancos e comércio varejista. A linguagem XLM básica já foi aprovada pelo WWW Consortium, porém a aprovação das codificações específicas para cada segmento vai também depender do entendimento entre as principais empresas de tecnologia. Pra variar, a Microsoft, SUN, Oracle, IBM e outras empresas estão querendo criar o seu próprio padrão, forçando o mundo a aceitá-lo. Parecido com o que aconteceu com o Java. A Microsoft não quis pedir a benção para a SUN e decidiu criar o seu próprio Java, gerando mais confusão ainda. Existe o risco de a tecnologia XLM ficar sem um padrão definido, toda fragmentada, simplesmente porque os maiorais da tecnologia se negam a sentar como gente civilizada e estabelecer juntos um padrão. A idéia é tão boa e produtiva que o entendimento deverá vir mais cedo ou mais tarde. Poderia vir mais cedo.

Para Pensar
‘‘Assim como no mercado convencional, crianças e adolescentes têm um profundo impacto nas decisões de compra on line. As crianças de hoje são sofisticadas e têm a Internet como sua principal fonte de informação. Comprar on line é um progresso natural’’ Anya Sacharow, analista da Jupiter Research.

Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos internet. Escreva para [email protected]

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