Espaço democrático
No início do mês, fiz algumas mudanças na coluna, dando mais espaço para negócios Internet, área a qual tenho mais me dedicado nos últimos cinco anos. Solicitei ao time da informática da Folha para colocar uma enquete no site, para que o leitor pudesse votar se prefere a coluna como era feita anteriormente ou da forma atual. Mais de uma centena de pessoas votaram e quase 80% escolheram o novo formato, com mais conteúdo sobre o mercado Internet. Obrigado a você que participou da enquete.

Games e a violência
Depois da tragédia com os estudantes ocorrida na escola de Littleton, no estado de Colorado, a comunidade norte-americana tem promovido diversos debates sobre as causas da violência de seus jovens. A PC Data, uma empresa de pesquisas, concluiu que 43% dos pesquisados acreditam que os jogos de computador com cenas de violência influenciam negativamente os jovens. Mais de 59% acreditam que os filmes violentos de TV e cinema causam violência nos jovens. Considerando que a quantidade de tempo gasto na TV e cinema é bem maior, os jogos de videogame têm grande influência negativa. A pesquisa também concluiu que 58% dos norte-americanos acreditam que as letras das músicas de rock pesado também promovem a violência. Mais de 31% dos entrevistados afirmaram que os pais deveriam proibir os filhos de jogar games violentos. Em proporções não muito menores, o fenômeno dos games acontece no Brasil. Os pais deveriam gastar um pouco de tempo analisando o conteúdo dos jogos e das letras de músicas ouvidas por seus filhos. Em nome dos tempos modernos, é mais fácil se omitir, fazer de conta que é absolutamente normal e não impor limites. Se você tem filho adolescente, basta dar uma olhadinha nas capas e textos dos games de seu filho, ou nas letras dos CDs de bandas como Megadeth, Kiss, Metalica e outros, para perceber que não podem fazer bem aos nossos jovens. Nos últimos anos, os mercados de games, música e filmes faturam bilhões plantando e promovendo a indústria do horror e da violência. Tudo aos nossos olhos e não fazemos nada. A colheita já começou.

Câmera ou computador?
Os dois. A Sony lançou recentemente um pequeno microcomputador que também funciona como câmera fotográfica. O micro tem o tamanho de um H/PC e pesa pouco mais de um quilo. O equipamento é dotado de um Pentium MMX 266MHz, 64Mb RAM e 4,3Gb de disco, além de um modem interno de 56kpbs e porta USB (universal serial bus). Uma pequena lente giratória, montada na parte superior do display de matriz-ativa, capta imagens a uma resolução de 1024 x 480 pixels, a uma velocidade suficiente para a criação de animações AVI. A lente é bem discreta e o usuário pode fazer anotações enquanto tira fotos ao seu redor, sem que seja percebido. O brinquedinho custa US$ 2.300 no Japão.

INTERNET BUSINESS

Turismo na Internet
Um dos mercados que crescem assustadoramente na Internet é o de turismo. São centenas de sites com recursos para pesquisar preços, reserva e compra de passagens, aluguel de automóveis, reserva de hotéis e pacotes turísticos diversos. Um estudo feito pela empresa norte-americana PhoCusWright concluiu que o volume mundial de negócios on line na área de turismo chegará a US$ 20 bilhões em 2001. Nos Estados Unidos, a Jupiter Research prevê que em 2003, 10% do mercado de turismo serão comercializados através da Internet. As passagens aéreas lideram o volume de negócios com 80% das transações, e segundo a Jupiter, continuará em primeiro lugar, entretanto representará aproximadamente 60% em 2003.

Mudando paradigmas
A Internet tem uma grande capacidade de estabelecer novos paradigmas e costumes, resultando em novos modelos de comércio e relação entre fabricantes, distribuidores e pontos de venda. O comércio on line criou um ambiente ideal para a concorrência e a venda direta. Mesmo sob a ‘‘chiadeira’’ dos agentes e intermediários, a tendência continua. O mercado de turismo é um dos que está revolucionando o mercado de revendedores. Empresas de aviação, de locação de veículos e hotéis, oferecem oportunidade para a aquisição on line de seus bens e serviços, sem o intermédio das agências. Outro segmento que está em revolução nos Estados Unidos é o das seguradoras. Algumas das maiores seguradoras norte-americanas estão comercializando seguros diretamente em seus sites. Por enquanto, mesmo para as vendas diretas, muitas das empresas estão remunerando intermediários com margens reduzidas e considerando a sua posição geográfica e a do cliente, entretanto essa é uma fórmula ineficiente e temporária. Acredito que os intermediários permanecerão, em menor número, acima de tudo nas áreas em que atuam mais como suporte e atendimento personalizado, transformando-se em uma rede de serviços. Porém, mesmo nesses casos, as comissões deverão diminuir, remunerando apenas o serviço e não a transação de venda.

Tem gente que não acredita
Conversando com alguns executivos de concessionárias de automóveis da região de Londrina, eles garantiram que na área de veículos, o fenômeno norte-americano não se repetirá no Brasil. As justificativas vão desde o perfil do brasileiro, passando pelo forte acordo entre as concessionárias e dos chamados cartéis dos grandes estacionamentos em todo o Brasil. A experiência nos Estados Unidos mostrou que a Internet não respeita cartéis e lobbies. A maior prova disso é o mercado fonográfico, um gigantesco cartel que está ameaçado com a distribuição das músicas em formato MP3 e lançamento de bandas independentes pela Internet. Se você é um daqueles que acha que aqui será diferente, o Brasil é o quarto país que mais compra produtos da gigante on line Amazon.

Complementando
Na semana passada escrevi sobre a tendência das conexões Internet usando linhas digitais DSL, cable modem e satélite. O leitor André Piazza me escreveu uma gentil mensagem perguntando sobre as linhas ISDN, e sobre isso gostaria de complementar. Usadas em grande escala nos EUA, as linhas ISDN usam as linhas de cobre convencionais dos telefones e atingem a uma velocidade máxima de 128kbps, apenas o dobro dos modems comuns de 56kbps. Por essa razão, as conexões ISDN tendem a ser substituídas dentro de pouco tempo, principalmente pelas do tipo xDSL, que também usam os fios de cobre convencionais e pode chegar a 7Mbits/s.

Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos Internet. Escreva para [email protected]

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