Informe Informática (Carlos Trindade)
Caso Microsoft
Recebi e-mails de leitores perguntando sobre o processo que a Microsoft está sofrendo através do Departamento de Justiça norte-americano que a acusa de monopólio e conduta predatória no mercado de softwares. O processo entrou em recesso em março e volta a movimentar o mercado a partir de hoje. A Justiça somou pontos com a apresentação de importantes e consistentes testemunhos contra a empresa de Bill Gates que, por sua vez, perdeu pontos com uma tentativa desastrosa de demonstrar que o Windows não funcionaria sem o Internet Explorer, além de apresentar alguns testemunhos contraditórios. Com isso, a Justiça espera aplicar os golpes finais nas próximas semanas, apresentando novos indícios de que a MS manipula o mercado de sistemas operacionais e softwares aplicativos, pressionando fabricantes e prejudicando usuários. Os advogados da Microsoft acreditam em uma virada. A principal razão é a mudança do cenário e do mercado provocada pela aquisição da Netscape pela AOL e o joint venture da AOL com a gigante Sun Microsystems. Os advogados da Microsoft tentarão provar que a união dessas três empresas é suficiente para o estabelecimento de uma grande competição. A linha de defesa dos advogados será fundamentada no princípio de que o próprio mercado se encarregará de corrigir o problema de monopólio. Muitos especialistas não acreditam na estratégia da Microsoft, pois o que está em julgamento é a postura da empresa nos últimos anos e nada do que poderá acontecer no futuro, devolverá os prejuízos causados a clientes e outras empresas concorrentes. Um dos importantes testemunhos contra a MS será o do Garry Norris, diretor da IBM. Segundo ele, a Microsoft proibiu a IBM de fazer alterações na tela de entrada de seus próprios microcomputadores para prejudicar as vendas dos softwares IBM Lotus Smart Suite e o Lotus Notes. Mas Bill Gates tem ainda em seu favor o provável fato de que a Suprema Corte dos Estados Unidos só apresentará a decisão final em 2001. Até lá, muitas pedras vão rolar.
INTERNET BUSINESS
O futuro na Internet
As grandes empresas de telecomunicações e de serviços internet dos Estados Unidos vivem um momento decisivo na estratégia para o próximo milênio. Nunca se viu tanta movimentação no mercado. São diversas fusões, parcerias, participações acionárias e investimentos para garantir uma ampla rede de dados de alta velocidade para um futuro próximo. Não há dúvida de que os serviços de telefonia, TV a Cabo e Internet estarão convergidos em um único meio físico. As residências receberão um único cabo ou conexão satélite para telefones, fax, computadores, Internet e sinais de TV. Para isso é preciso uma infra-estrutura que permita linhas de altíssima velocidade. Existe porém, algo ainda mais importante: garantir a entrada nas residências. As empresas de TV a Cabo são disputadas à unha por empresas de telefonia, informática e de serviços internet. Todas querem garantir o mercado e as operadoras de TV a Cabo estão com os pés dentro de 97 milhões de residências norte-americanas, o que pode garantir uma grande clientela e fazer toda a diferença. Outro importante fator é que o conteúdo internet e TV (broadcast) caminharão associadas e integradas.
Grandes estratégias
Entre os grandes passos rumo à conquista do mercado, a AT&T e AOL disputavam até dias atrás, para ver quem ajudaria a ComCast a adquirir a empresa MediaOne e participar nos negócios das duas empresas. No fim, a AT&T venceu a briga e adquiriu por US$ 58 bilhões a MediaOne, terceira maior empresa de TV a Cabo nos EUA. Juntas, a Comcast e MediaOne somariam 18% do mercado norte americano de TV à Cabo. É bom lembrar que a AT&T adquiriu no começo do ano a empresa TCI, gigante das TV à Cabo. Pela TCI, a AT&T pagou US$ 55 bilhões, garantindo assim um mercado de 33 milhões de residências norte-americanas. A AOL não desistiu e resolveu se unir com a DirectTV, unidade da Hughes Eletronics Corp. Juntas a AOL e Hughes estarão investindo em um projeto para prover acesso à Internet via satélite. Além desse negócio, a AOL também está em negociação com a Baby Bells na busca de linhas de alta velocidade. Como Bill Gates não dorme o ponto, a Microsoft resolveu investir US$ 5 bilhões na AT&T e mais US$ 1 bilhão na Nextel e garantir assim sua participação nesse novo cenário. Não é difícil entender a disputa pelas empresas de TV a Cabo. Mais de dois terços de todas as residências norte-americanas possuem conexão de cabo. Com as devidas alterações e atualizações nos cabos coxais das provedoras, eles poderão transportar dados a 30 Mbits/segundo, isso representa aproximadamente 500 vezes a velocidade de um modem de 56kbps, ou mais de mil vezes a velocidade de um modem de 28.8kpbs
Qual a melhor tecnologia?
A Internet promete se expandir através de conexões a cabo, linhas digitais usando fios de cobre das linhas de telefone (DSL) e comunicação via satélite, porém qual é a melhor alternativa? A resposta não é tão simples, todas oferecem vantagens e desvantagens. Teoricamente a conexão a cabo é a mais rápida com o potencial de 30Mbits/s, entretanto um mesmo cabo é compartilhado por diversos assinantes, diminuindo a velocidade para cada ponto. As linhas digitais DLS podem transportar informações a uma velocidade de até 7Mbits/s, porém cada usuário tem uma linha dedicada, só para ele. As linhas DLS porém são mais sujeitas a interferências e o alto desempenho não é sempre garantido. Contra a tecnologia DLS ainda existe o fato de que os usuários não podem estar a mais do que 4,5KM de uma estação de chaveamento da empresa telefônica. Já a comunicação satélite pode chegar a qualquer lugar sem a necessidade de fios e cabos, mas por enquanto exige também uma conexão internet usando linha telefônica convencional. É que as informações via satélite só navegam no sentido download (do satélite para o usuário), já as informações e requisições do usuário enviadas para a Internet (upload) caminham pela linha telefônica convencional, para uma transmissão full-way satélite, cada usuário necessitaria de um transmissor satélite de alto custo. Na verdade isso não está longe de acontecer, o projeto da AOL com a Hughes prevê a instalação de pequenos satélites de órbita baixa que receberão sinais de cada usuário através de um transmissor de menor potência, mas o sistema só deverá estar funcionando a partir de 2003.
Para pensar
O novo mundo das telecomunicações promete mudar totalmente o cenário da nossa sociedade. Essa realidade está realmente anunciando uma nova era. David Nagel, diretor de tecnologia da AT&T.
Não há dúvidas de que a TV é o novo campo de batalhas. Hal Krisbergh, CEO da WorldGate Communications
Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos internet. Escreva para [email protected]





