Informe Informática (Carlos Trindade)
Óculos transformados em display
A empresa MicroOptics demonstrou na semana passada uma tecnologia que permite transformar um par de óculos em um monitor de computador. São os chamados HMD-Head Mounted Display (display para ser colocado na cabeça). Segundo a MicroOptics, a nova tecnologia não é nada parecida com os óculos de realidade virtual existentes hoje. Tudo o que precisamos é de uma lente de poucos milímetros de espessura para colocar uma camada de display usando uma nova tecnologia de display LCD em miniatura, garante Tom Holzel, vice-presidente da empresa. Dentro de pouco tempo, a camada de LCD poderá ser recomendada junto com a prescrição médica. A presença do display é quase imperceptível nos óculos. A novidade apresenta vantagens e uma infinidade de aplicações. Para o uso como monitor de um micro ou de uma TV, uma das principais vantagens é a sua ergonometria. O usuário fica com a cabeça na posição que desejar e sempre tem a melhor visão, além de sua portabilidade. Segundo os pesquisadores, a imagem é projetada nos óculos por uma fibra óptica e sobrepõe a imagem do mundo real. O usuário pode simplesmente desviar o foco dos olhos no display e olhar à sua volta, como se tivesse dois mundos à sua disposição.
Sem limites para uso
Usando o HMD, um passageiro de avião pode assistir uma TV portátil mesmo que ele ou o passageiro da frente estejam com suas poltronas inclinadas. Normalmente os displays convencionais dos aviões são colocados na parte de trás das poltronas, limitando a sua forma de uso. O display pode ainda estar conectado a uma pequena câmera de visão noturna ou a um sistema de miras remotas em uma frente de batalhas. Algumas pequenas câmeras são especialmente desenvolvidas para a visão em ambiente com muita fumaça ou debaixo de águas turvas. O uso do HMD integrado a essas câmeras pode ser de grande utilidade. Tom Holzel apresentará uma versão VGA colorida e garante que a versão super-vga estará brevemente no mercado. Um display HMD da MicroOptics pode custar entre US$ 1500 e US$ 5000, por enquanto.
Cuidado com os Sub-1000
Crescem assustadoramente nos Estados Unidos as vendas de microcomputadores com preços abaixo de US$ 1000. O micro sub-1000, é a opção mais procurada das famílias que já possuem um micro e precisam de um segundo ou terceiro equipamento em casa. No início de 1997, a venda dos sub-1000 representava 25% do total de micros comercializados. Atualmente, 63% dos micros vendidos nos Estados Unidos custam menos de US$ 1000. Recentemente o mercado está oferecendo micros com preços abaixo de US$ 600 e já estão sendo apelidados de sub-600. A tendência promete chegar ao Brasil, porém é preciso ficar de olho para não cair em armadilhas. É possível encontrar micros sub-600 Brasil, porém chamados aqui de sub-1000 (custando até R$ 1000). Entretanto, muitos são comercializados sem monitor, modem, kit multimídia e eventualmente outros periféricos. É preciso fazer a conta na ponta do lápis para verificar se o preço é justo e se apresenta as vantagens anunciadas pelo comerciante. Como consequência da nova tendência na queda dos preços, alguns fabricantes já estão contabilizando queda na margem de lucro, se comparado com anos anteriores. A Compaq teve a sua margem bruta de lucro reduzida de aproximadamente 14,5% em 1997, para 12% em 1998. Pode parecer pouco, mas essa diferença já está causando preocupações nos investidores.
Internet Business
Intenet War
A guerra da Iugoslávia está sendo chamada por especialistas da mídia internacional como a Internet War . As grandes guerras desse século sempre tiveram como um dos mais importantes aliados, uma grande mídia do momento. Na Segunda Guerra Mundial foram o rádio e os filmes em película. A televisão na guerra do Vietnã e a as transmissões ao vivo na Guerra do Golfo. Especialistas da mídia afirmam que a guerra de Kosovo é a primeira guerra da Internet ou Web War I. Segundo a empresa eMarketer, a Internet é o meio mais utilizado pela Otan e pelo governo iugoslavo para a distribuição de notícias sobre o conflito. Infelizmente não há razões para a comunidade internet comemorar e espero que não haja a Web War II, Fiber Optics War I, Network War I ou seja lá qual for a próxima onda.
Vencendo o medo
Os microcomputadores surgiram da necessidade dos adultos, mas não há dúvidas que o público jovem e infantil se sente muito mais à vontade manipulando esses equipamentos. A Internet experimentou seu boom nas mãos dos jovens, que aprenderam rapidamente sobre seu funcionamento e sobre diversos softwares disponíveis desde então. Nos últimos anos a média de idade dos internautas vem crescendo. Depois de entrar em casa para atender a necessidade dos filhos, parece que os pais, aos poucos, foram perdendo o medo da novidade e hoje representam uma fatia respeitável dos internautas. Segundo a empresa de pesquisas Cyber Dialogue, mais de 28 milhões de pais norte-americanos estão acessando a Internet. A pesquisa também identificou que os pais têm um comportamento diferente quando compram on line. Além de fazer compras de maior valor, eles demonstram uma grande preferência para a compra em sites das lojas e marcas tradicionais do mercado convencional. As grandes redes de lojas de departamento e supermercado estão entre os sites preferidos pelos pais.
17 milhões de internautas
A AOL-America Online, o maior provedor de acesso e conteúdo internet dos Estados Unidos, ultrapassou a marca dos 17 milhões de usuários em todo o mundo. A grande maioria dos assinantes, aproximadamente 15 milhões, mora nos Estados Unidos. Aumentou também o tempo médio que seus assinantes ficam plugados diariamente. A média subiu dez minutos nos últimos cinco anos, e hoje está em 55 minutos diários. Nos horários de pico, mais de 1,1 milhões de assinantes acessam simultâneamente os servidores da AOL.
Voluntários insatisfeitos
Ao longo dos últimos anos, a AOL arregimentou um batalhão de mais de dez mil voluntários que atuam em seu site respondendo perguntas técnicas dos usuários, monitorando grupos de chat (conversa online) e executando algumas outras tarefas. Alguns desses voluntários estão reclamando seus direitos na Justiça do Trabalho norte-americana, alegando que tais atividades caracterizam trabalho profissional e devem ser remuneradas. Se a moda pega, não só a AOL, mas também e outros provedores internet terão grandes problemas pela frente. Depois de comentar o caso em uma roda de amigos, um deles logo sugeriu: devem ser voluntários brasileiros...
Para Pensar
Essa é a regra: se uma idéia vem à cabeça pela manhã, ela deve ser testada na Internet antes do sol se por. - Todd Miller, ex-diretor de marketing da Netscape e atualmente um dos acionistas da empresa Apogee.
Os países em desenvolvimento saltarão como sapos no mundo do comércio eletrônico porque o sistema de comércio convencional está seriamente deficiente. - Nicholas Negropante, uma da maiores autoridades da área de informática e fundador do MIT Media Lab.
Carlos Trindade é consultor em sistemas de informação e projetos internet. Escreva para [email protected]





