Informe Informática Carlos Trindade

Longas férias curtas
Ou seriam breves férias longas? Pra mim ainda continua sendo um paradoxo, pois ainda não consegui chegar a uma conclusão quando penso sobre o tempo que estive de férias. Meu lado veranista ainda se mostra inconformado com as curtas férias. O tempo passou na mesma velocidade em que chegaram as chuvas no litoral: Em um piscar de olhos. Mesmo com as chuvas, eu queria mais. Curtir a família, ficar de papo pro ar, fazer simplesmente ‘‘nada’’ por mais tempo. Felizmente não cedi a tentação de conectar na Internet o HPC que levei e assim poder checar os meus e-mails ou quem sabe até mesmo dar uma surfadinha na Internet. No último dia de férias, ainda dominado pelo meu lado veranista, minha mente parecia clamar por mais sossego. Me sentia como quem tinha iniciado as férias ainda ontem, porém, já no primeiro dia de trabalho, comecei a ter uma sensação oposta: a de que tinha ficado uma eternidade ‘‘desplugado’’ do mundo. Começando pela quantidade de e-mails pendentes que tinha para responder. Mesmo deixando alguém para cuidar das mensagens mais simples, encontrei mais de uma centena de e-mails para responder. Foram necessários dez dias para colocar tudo em dia. Quanto tempo um ser humano normal, sem a Internet, levaria para receber uma centena de cartas? É como se estivesse meses ou anos fora. E o Pentium III ? Não deu nem tempo para sentir saudades do meu Pentium II e quando voltei já tinham lançado o Pentium III. Enquanto experimentava novamente a sensação de ler jornais em papel convencional na beira da praia, a imprensa mundial anunciava os primeiros testes com o papel digital, que até alguns dias antes do início das minhas férias mais parecia coisa de futurólogo lunático. Os últimos 30 dias foram até mesmo suficientes para mostrar ao mundo que a Microsoft não é mais a mesma. Os reflexos no mercado de tecnologia, sobre fatos como a consolidação operacional dos negócios da AOL e Netscape, a decisão da justiça obrigando a MS a mudar o seu Java para o padrão nativo da Sun e o crescimento do Linux, parecem tomar um rumo que aos poucos vai minando as forças da gigante Microsoft. Mas não é só isso. Qual empresa decidiria em tão pouco tempo um negócio envolvendo mais de US$ 3,5 bilhões? Esse foi o valor que a empresa Yahoo! pagou pela GeoCities, uma empresa que fornece espaço gratuito para quem quer construir o seu próprio web site (homepage) na Internet. Ao tomar conhecimento de tantos negócios feitos, produtos novos lançados e as novas perspectivas do mercado de software hardware, não tive outra, senão, a sensação de que tirei as férias mais longas da minha vida.


Yahoo! nada de braçada
Se você é daqueles que ainda não percebeu o real valor da informação, tente explicar essa negociação: Ao adquirir a empresa GeoCities, a Yahoo! pagou mais de US$ 3,5 bilhões por uma empresa que não apresenta lucros desde que foi criada. Assim como muitas outras grandes empresas na Internet, a GeoCities tem assistido de camarote suas ações subirem como que para o espaço nos últimos 12 meses. A empresa, que oferece espaço gratuito para web sites, tem um patrimônio de mais de 3,5 milhões de sites (homepages) armazenados em seus servidores, garantindo uma audiência de 53 milhões de pageviews (páginas exibidas) por dia. São quase 1,6 bilhões ao mês. Juntas, as duas empresas têm um cadastro de quase 60% de todos os usuários Internet do mundo. Mais de 110 milhões de internautas deixaram seus nomes, endereços de e-mail e outros dados registrados nos banco de dados da Yahoo! e GeoCities. Por que uma empresa, que ainda não opera com grandes lucros, adquire por um valor tão alto outra empresa que amargou um prejuízo de US$ 8,4 milhões no último quadrimestre 1998? A resposta é uma só: Pelo seu grande potencial de gerar audiência e o patrimônio digital armazenado em seus bancos de dados. Esses valores parecem loucura quando comparados a negócios como o da grande rede de lojas norte americana J.C. Penney que adquiriu 70% das ações preferenciais das Lojas Renner no Brasil por apenas US$ 40 milhões. As 12 holdings que formam o sistema Telebrás foram negociadas por US$ 22 bilhões. Parece impossível difícil que todo o sistema Telebrás foi negociado por apenas seis vezes o valor da GeoCities.


Eliminando o IE do Windows
Na defesa de seus interesses comerciais, a Microsoft tem sustentado o argumento de que é impossível desassociar o produto Internet Explorer do Windows 98. A briga na justiça iniciou justamente em razão da união dos dois produtos em um só, obrigando o usuário Windows 98 a conviver com o browser Internet Explorer. A justiça norte-americana tentou diversas vezes solucionar o impasse sugerindo a Microsoft que criasse uma versão do Windows 98 sem o IE. Bill Gates e seus técnicos continuam afirmando que é impossível fazer isso sem comprometer o funcionamento do Windows. Mas não é o que garante o biólogo australiano Shane Brooks, que criou um programa chamado 98Lite. Brooks afirma que o seu programa desinstala o Internet Explorer sem afetar o funcionamento do Windows. O 98Lite usa os discos originais do Windows 95 e do Windows 98 para fazer a desinstalação. Além de eliminar diversos arquivos do IE, o programa substitui alguns componentes do Windows 98 por outros do Windows 95 para garantir o funcionamento. Testes feitos por algumas revistas especializadas garantem que o 98Lite compromete apenas algumas poucas funções não significativas do Windows 98 e como vantagem ainda resulta em um aumento no desempenho do micro rodando aplicativos do Windows. A MS, é claro, ataca dizendo que o programa de Brooks é um risco para o funcionamento do Windows.


Salvando páginas com imagens
Qual internauta já não ficou frustrado e inconformado quando ao salvar uma página de um site com a opção ‘‘salvar como...’’ usando qualquer um dos browsers Netscape ou Internet Explorer, percebeu que as páginas HTML são sempre salvadas sem as respectivas imagens. Isso porque os links das imagens contidos dentro das páginas fazem referência a endereços remotos e não ao winchester ou diretório local o micro. O programa teria que, ao salvar uma página HTML, copiar também as imagens para o micro e alterar nas páginas salvadas, os endereços onde as imagens devem ser encontradas para a exibição nessas respectivas páginas. Um programador desenvolveu um plug-in para o Netscape 4.x, que ao ser instalado acrescenta ao menu ‘‘Arquivo’’ uma função ‘‘Salvar com as imagens’’, resolvendo de vez por todas esse problema. O plug-in pode ser baixado para testes no site hotfiles.zdnet.com. Ele em 300K, só está disponível para o Netscape 4.x e sua versão definitiva custa apenas US$ 10.


Carlos Trindade é gerente de informática da Folha e consultor. Sugestões e comentários para [email protected]

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