O ano de 1998, sem sombra de dúvidas, foi o mais movimentado da década no segmento da tecnologia da informática. Apesar da crise mundial, os mercados de telecomunicações, Internet e tecnologia da informação cresceram assustadoramente. A movimentação foi muito grande no estabelecimento de parcerias, fusões e novas estratégias. E não é para menos, pois foram muitas mudanças de valores, paradigmas e de comportamento. A preparação para a entrada no próximo milênio também causa grande expectativa e estimula a reflexão. Aqui seguem algumas rápidas considerações sobre o ano em algumas áreas importantes, relacionadas de alguma forma com o mercado da informação.
COMÉRCIO ELETRÔNICO O comércio eletrônico explodiu. A maioria das grandes lojas e magazines consolidaram suas presenças na Internet. Grandes redes norte americanas como Macy’s, JC Penny, Wal-Mart, K-Mart, The Gapp e Sears estão presentes na Internet. Segundo a Jupiter Research, um das mais respeitadas empresas de pesquisa do mercado online, a previsão é de que o ano vai fechar com um total de vendas online na ordem de US$ 7,1 bilhões. Só em bens de consumo, 1998 deverá fechar com US$ 3,7 bilhões em vendas. Lojas de eletrônicos, automóveis, CDs e livros foram os grandes vencedores. O mercado de leilões também descobriu a Internet. São diversos sites fazendo leilões de equipamentos, antiguidades, obras de arte e até mesmo lotes de produtos. A agência de notícias NewsWire listou alguns sites interessantes para presentes de natal: Gravatas (www.gift-ties.com); Brinquedos (www.etoys.com); Perfumes (www.perfumemart.com); Livros (www.amazon.com); Música (www.towerrecords.com); Cartões (www.fredericks.com); Doces & alimentação (www.harryanddavid.com).
AQUISIÇÕES E FUSÕES O ano foi também de grandes negócios com empresas se fundindo e se unindo para garantir a competitividade. A Compaq adquiriu a Digital, a AOL comprou a Netscape. A AT&T comprou a TCI, a WorldCom comprou a MCI, Bell Atlantics se juntou a GTE. O mesmo aconteceu com CDNow e N2K. Microsoft comprou a WebTV, Nortel comprou a Bay Networks. E a lista não para aí. O mundo dos negócios de tecnologia se tornou menor em quantidade de grandes empresas, porém algumas delas se tornaram ainda maiores e mais poderosas. As negociações de maior impacto foram sem dúvidas a aquisição da Netscape pela AOL, em parceria com a SUN, e a da TCI pela AT&T. A compra da Netscape foi mais estratégica e muda o cenário da disputa pela liderança monopolista da Microsoft.
CRISE ASIÁTICA A crise asiática afetou grandemente o mercado de componentes e peças para PCs, fusões e parcerias foram feitas para garantir o fornecimento. A maioria dos grandes fabricantes tem bases instaladas nos países afetados ou forte relacionamento com fornecedores dos mercados do Japão, Coréia e Indonésia.
WALL STREET Além das crises do mercado financeiro, que abalaram todo o mundo, Wall Street aprendeu muito com o comportamento do mercado de ações das empresas Internet. Suas ações tem um comportamento muito diferente das empresas convencionais e as oscilações também são muito maiores. Os investidores aprenderam a conviver o grande dinamismo e com a realidade de que uma pequena e desconhecida empresa pode ter suas ações altamente valorizadas do dia para a noite, simplesmente por que desenvolveu uma tecnologia que pode se tornar grandemente utilizada. O valor das ações das empresas Internet tem muito maior relação com sua potencialidade do que com o seu atual desempenho financeiro.
PC MAIS BARATO 1998 foi também um ano decisivo para a queda dos preços de PCs, impressoras e outros periféricos. Nos Estados Unidos, algums modelos de PC chegam a custar US$ 599. As impressoras jato-de-tinta coloridas custam a partir de US$ 140. Ninguém podia imaginar que as impressoras jato de tinta custariam menos do que as impressoras de agulha, em tão pouco tempo. Scanners, discos rígidos, câmeras fotográficas digitais também seguiram a mesma tendência. A Apple se esforça para entrar na comercialização em massa de micros com o iMac. As vendas foram um sucesso e pode ser o começo para uma virada definitiva da empresa.
DISPUTAS NA JUSTIÇA O ano foi também marcado pela grande quantidade de disputas judiciais contestando o uso indevido de tecnologias, espionagem, postura imprópria no mercado e muitas atitudes. No início do ano a Novell entrou na justiça contra uma empresa formada por alguns de seus ex-engenheiros, acusados de usar tecnologia Novell e oferecer à Microsoft. A Microsoft é acusada pelo Departamento de Justiça Norte Americano sobre prática antitrust, a empresa SUN move ação contra a Microsoft acusando-a de uso indevido da tecnologia Java, A FTC-Federal Trade Comission entra na justiça contra a Intel, acusando-a de dificultar o acesso a informações importantes de seus chips para os fabricantes de PCs. Algumas pequenas empresas da Califórnia entrarão na justiça contra a Microsoft, acusando-a pelo uso de tecnologias de sua propriedade.
INTERNET BUSINESS-TO-BUSINESS Há cinco anos, nem mesmo as previsões mais otimistas poderiam imaginar o volume das transações na Internet envolvendo negócios entre empresas, o chamado e-business-to-business. A DELL chega ao fim do ano comercializando na Internet mais US$ 10 milhões/dia e a IBM nada menos do que US$ 6 milhões/dia. A Intel faturou na Internet US$ 2,5 bilhões nos últimos quatro meses. A Cisco alcançou a casa dos US$ 11 milhões/dia. Quem tiver dúvidas sobre o ritmo de crescimento desse mercado é só olhar para a previsão feita pela Forrester Research para o ano de 2003, quando os negócios Internet deverão atingir a casa dos US$ 3,2 trilhões. Mais de 5% de toda a economia mundial.

VCR ou um PC ?
A Replay Networks Inc., uma empresa de Palo Alto na Califórnia, lançou o Replay TV, um novo equipamento que permite a gravação de vídeo em disco rígido, procurando de forma inteligente os horários dos programas de TV preferidos do usuário. Segundo seus dirigentes, o equipamento é muito mais do que um simples gravador de vídeo em mídia digital, pois com ele é possível conectar via Internet com as empresas provedoras de TV a Cabo e Satélite, baixar (download) toda a programação e a partir dela instruir o equipamento a gravar seu programa preferido. O Replay TV usa dois discos rígidos de 13,7 GB cada um e com eles é possível gravar 28 horas de vídeo com qualidade digital idêntica aos serviços de TV por satélite. O Replay TV também pode ser instruído a gravar sempre os últimos minutos de um programa que está sendo assistido e assim ter nas pontas dos dedos recursos como replay e câmera-lenta de programas em transmissão. Segundo Anthony Wood, CEO da Replay Networks, a tendência é de que as empresas de TV a Cabo e Satélite ocupem os espaços das madrugadas (entre 1 e 6 da manhã) com bons programas, dedicados especialmente a serem gravados. A novidade, que entra no mercado em meados de março, custará inicialmente US$ 995, porém a empresa acredita que no meio do ano de 1999 o preço praticado será de aproximadamente US$ 500.
Carlos Trindade é gerente de informática da Folha e consultor. Sugestões e comentários para [email protected]

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