Alguns meses depois de fazer grande alarde sobre a parceria exclusiva, o portal Terra deixou de usar o conteúdo do Grupo Estado sem qualquer aos usuários. Até o fim da semana passada, Marcelo Lacerda, diretor geral do Terra Brasil, não tinha fornecido maiores explicações.
A parceria previa fornecimento exclusivo de notícias geradas pelo Grupo Estado para a veiculação de informações no portal e outros serviços Terra. A exclusividade era recíproca. Muitas empresas internet que compravam conteúdo da Agência Estado não puderam renovar seus contratos em razão do contrato de exclusividade com o Terra.
No tal contrato firmado em fevereiro deste ano, o Terra teria direito exclusivo sobre todo o conteúdo do jornal Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Rádio Eldorado, pelo qual o Terra pagaria US$ 15 milhões por ano, até o quarto ano, e US$ 8 milhões no quinto ano. Metade desse montante seria pago pelo Terra na forma de ações.
As informações veiculadas no Terra desapareceram inesperadamente, os links para conteúdo do Estado foram rapidamente cortados. O desentendimento com o Grupo Estado demandou uma ação rápida de renovação no acordo com a Agência JB, antigos fornecedores de conteúdo do Terra.
Existem muitas especulações sobre o ocorrido, desde a falta de pagamento pelos serviços, até mesmo a possibilidade de que o Estado teria percebido que os US$ 34 milhões que seriam pagos na forma de ações, ou 50% do contrato de cinco anos, acabaria representando muito pouco no valor total da empresa. A imprensa e o mercado aguardam esclarecimentos.
Telefônicas viram Cybercarriers
As grandes empresas de telefonia em todo o mundo investem bilhões de dólares no desenvolvimento de serviços Cybercarriers. Na medida em que a Internet vai se tornando necessidade na vida das empresas, existe uma demanda por serviços Internet de alta tecnologia e disponibilidade. Servidores de grande capacidade e performance para hospedagem de dados (datacenters) e aplicações (ASP), links Internet de alta velocidade, serviços de manutenção e suporte qualificados, disponíveis 24 horas por dia.
A maioria das empresas tradicionais estão investindo na Internet da mesma forma que fizeram na década de 80 com a informatização de processos. Muita desconfiança, pequenos e tímidos investimentos em equipamentos, infra-estrutura e tecnologia. As médias e grandes empresas precisarão da Internet como precisam hoje de seus sistemas informatizados e isso não será possível com aquele ‘‘servidorzinho’’ de R$ 2 mil, um link de 64K compartilhado, Firewall inexistente ou de baixa qualidade.
Ao contrário disso, serão necessários servidores de alta capacidade, redundância de equipamentos (espelhamento, etc), serviço de back-up eficaz, suporte 24 horas por dia, sete dias por semana. O investimento é grande, e aí é que entram os Cybercarriers fornecendo toda a infra-estrutura necessária através de links, aluguel de servidores e grandes ‘‘armazéns’’ de dados e aplicações, além de outros serviços acessórios.
Em todo o mundo, nos próximos três anos, as empresas de telefonia investirão US$ 133 bilhões em infra-estrutura para a prestação dos serviços de cybercarrier. A estratégia é extremamente importante já que a concorrência no segmento de voz é cada vez maior e será ainda maior com o desenvolvimento da voz sobre IP. Aliado a isso, a oferta de serviços Internet de banda larga baseados em Cabo e DSL (em alguns casos), deverão diminuir a receita das operadoras com impulso local.
A Telefônica já investiu no Brasil mais de US$ 400 milhões em rede de comunicação no Estado de São Paulo e mais de US$ 50 milhões na criação de um datacenter com capacidade de 20 terabytes. A Telemar investirá R$ 300 milhões na criação de três datacenters no Rio, São Paulo e Brasília.
Americanos querem iTV
Um estudo da TechTrends revelou que existe grande demanda por comércio eletrônico através de serviços da tecnologia de iTV (TV Interativa). Segundo a empresa, 46% dos consumidores norte americanos estão interessados em serviços de comércio eletrônico através da tecnologia de iTV, que é chamado de t-Commerce.
A tecnologia iTV é resultado da integração das tecnologias Internet e broadcasting. Existem já algumas alternativas de iTV usando broadcasting convencional, como é o caso do Web TV Plus. A utilização de todo o potencial da tecnologia entretanto, só será possível com o broadcasting digital (transmissão digital de sinais de TV).
A pesquisa identificou que 80% dos usuários de e-Commerce estão interessados no t-Commerce. O iTV não é simplesmente o uso de equipamentos tipo ‘‘top box’’, que conectados à uma TV e Internet, permitem o acesso à rede mundial, mas a verdadeira interação entre a programação de TV e a tecnologia Internet. O estudo identificou também os segmentos de mercado com maior potencial para a exploração da tecnologia. O ‘‘vídeo on-demand’’ vem em primeiro lugar na necessidade dos consumidores, seguido do ‘‘comércio eletrônico’’, ‘‘publicidade interativa’’, ‘‘desenvolvimento de programação própria com horários escolhidos pelo consumidor’’, ‘‘notícias e informações on-demand’’, ‘‘jogos interativos’’, ‘‘gravação de programas’’ (como um serviço de videocassete remoto) e ‘‘guia de programação interativa’’ (TV Guide).
Esses são alguns dos exemplos de serviços que serão explorados com a tecnologia de iTV. Baseados nesta lista, o leitor pode imaginar a quantidade de tecnologias e serviços disponíveis no dia de hoje, que serão afetados de forma radical com a expansão do iTV.
Rapidinhas
- Segundo o IDC, o mercado de e-Books crescerá de US$ 9 milhões no ano 2000, para US$ 414 milhões em 2004
- O crescimento de usuários Internet na região chamada de Pacific-Asia, foi de 79% esse ano, saltando de 42 milhões de usuários em 1999, para 70 milhões no fim do ano de 2000.
- Segundo a Nielsen/NetRatings, os web sites mais acessados no mundo, na primeira semana de dezembro, são o AOL, seguida do Yahoo!, MSN, Excite@Home e o Microsoft.com.
Carlos Trindade é consultor em Estratégia Internet, especializado em Marketing pela Universidade de Berkeley, Califórnia. [email protected]

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