Informe Informática - Carlos Trindade
Depois que o Banco Bradesco lançou seu serviço de Internet grátis em 1999, uma grande agitação se seguiu no mercado de provedores. Muitos deles passaram a enxergar um futuro negro, tendo que ajustar seu planejamento em função de novos preços de assinatura. A UOL e Terra Networks seguiram a tendência e lançaram seus serviços gratuitos. Mas o que aconteceu? Por que recuaram?
O Super11.net ia de mal a pior e foi comprado pelo IG, a UOL decidiu fechar o seu braço de acesso gratuito, a NetGratuita. São duas as principais razões pelo recuo do mercado de acesso gratuito. O volume de investimento para o funcionamento de um provedor nacional é de dezenas de milhões de dólares e exige, portanto, outras fontes significativas de receita.
O volume de publicidade na Internet ainda é pequeno. Apesar do Brasil receber 64% (US$ 80 milhões) de todo o investimento em publicidade on-line na América Latina, o valor não representa mais do que 1% de todo o gasto com publicidade no País.
As leis e regulamentações do mercado de telecomunicações não permitem que as empresas telefônicas repartam a receita de impulso com os provedores Internet, o que podia ser uma solução. Uma vez que a Internet grátis estimula o uso e aumento do impulso telefônico, a receita com esse aumento poderia ser compartilhada com os provedores e viabilizá-los.
Um estudo publicado pelo eMarketer revelou que o preço de acesso não tem grande influência no orçamento das classes A e B, maioria na Internet do Brasil. Além do mais, 75% dos usuários brasileiros já estavam conectados quando o acesso gratuito foi lançado. Grande parte dos usuários de serviços gratuitos eram também assinantes de serviços pagos.
Talvez o lançamento da Internet grátis no Brasil tenha sido precoce, antes da desregulamentação do mercado de telecomunicações em 2002, e da existência de um faturamento expressivo no segmento de publicidade on-line. A Forrester Research prevê para 2003 um volume de US$ 509 milhões em publicidade on-line, enquanto a Morgan Stanley, mais otimista, prevê que o mercado será de US$ 703 milhões. Nesse ponto, com a desregulamentação do mercado de telecomunicações e a publicidade on-line bem mais forte, é possível que o acesso gratuito seja viável.
De qualquer forma, ele deve continuar, mas de forma bastante restrita. Os bancos, que desejam e precisam levar seus clientes para o Internet Banking para reduzir custos, deverão fornecer acesso gratuito limitado, de poucas horas por mês, o suficiente para o cliente movimentar sua conta através dos serviços on-ine.
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