Mais fusões
A cada dia, acontecem novas fusões entre grandes empresas internet, na tentativa de unir forças e garantir uma maior participação no mercado. Enquanto o governo norte americano analisa a proposta de fusão entre a AOL, maior provedor internet do mundo, e a Time Warner, uma das maiores empresas mundiais de mídia e entretenimento, uma outra grande fusão está em andamento na Europa. A Vivendi, empresa francesa do segmento de mídia e uma das suas empresas, a Canal Plus, estão se fundindo com a empresa canadense do ramo de mídia e entretenimento, Seagram Co. O negócio de mais de US$ 33 bilhões é uma resposta à fusão das mega empresas norte americanas AOL e Time Warner. Entre outras vantagens, a fusão das três empresas vai permitir a distribuição na Europa, dos conteúdo de entretenimento da Seagram, principalmente no megaportal internet Vizzavi, de propriedade da Vivendi. A estratégia vai reduzir o poder de fogo da AOL na Europa.
Ditadura vestida de cordeiro
A pior ditarura é aquela que não se pode ver claramente, que não assume seus verdadeiros intentos, e que escondida atrás de supostas boas intenções tais como a estabilidade, segurança, ordem, ou quem sabe ainda o avanço da tecnologia, melhor qualidade de serviços, aumento da competitividade e outras tantas, mascara o verdadeiro abjeto motivo de sua existência: o poder. Muitos de nós ainda nos lembramos da não tão velha ditatura que teve o seu fim no governo do General Figueiredo. Acredito que estamos vivendo um tempo onde, aos poucos, uma outra forma de ditadura vem sendo desenvolvida, a do poder econômico. Entre maior e menor intensidade nesse tipo de postura no mercado ao longo dos anos, essa modalidade de ditadura parece se reafirmar com todo o vigor no mercado internet. Parece que foi ontem que ouvi os discursos sobre ‘‘a internet não ter dono’’. Talvez não na forma literal, e talvez não um único dono, mas aos poucos, algumas poucas megaempresas vão se fundindo, adquirindo outras empresas menores, nos levando a crer no desenvolvimento de um cenário onde a internet em alguns anos será controlada por algumas poucas grandes empresas. Não são novas empresas, mas as mesmas que já controlam o mercado de mídia, telecomunicações e o mercado financeiro. Na internet, parece que tudo começa a convergir para as mãos daqueles que já detiam o poder, e agora se tornam ainda maiores. A mídia nos Estados Unidos já começa a falar sobre uma provável quebradeira de muitas das empresas internet, e a permanência de algumas poucas, em cada um dos segmentos. Não falo de quantidade de sites, que sempre serão aos milhões, mas falo do volume de negócios. Empresas de pesquisa internet estão prevendo que a economia da rede vai somar US$ 1,4 trilhões em 2004, quase 5% de toda a economia mundial. A união da AOL e TimeWarner poderá estabelecer uma grande desigualdade na competição entre empresas provedoras de acesso e conteúdo no segmento de entretenimento nos Estados Unidos. Como se não bastasse, a Time Warner está negociando uma join venture com a EMI, maior empresa fonográfica da Inglaterra. O mesmo se dará com a associação da empresa francesa Vivendi , Canal Plus e Seagram. Grandes idéias certamente continuarão a aparecer na internet, muitas vindas de pequenos empresários ou estudantes escondidos em escritórios no fundo de casa, entretanto, tão logo a idéia ganhe visibilidade e se torne sucesso, sempre haverá um dos grandes maestros da internet prontos a adquirir a tal empresa ou idéia. No Brasil, o lançamento da Globo.com, a sua associação com a Telecom Italia, coincide com uma estratégia da Rede Glogo em assumir o controle das suas concessionárias em todo o território nacional, tirando delas parte da autonomia. Coincidência? Não acredito nesse tipo de coincidência. Não devemos aceitar que o controle econômico da internet fique na mão de umas poucas megaempresas, sob nenhum pretexto, nem mesmo o de fornecer melhores serviços, maior qualidade ou tecnologia de ponta. Felizmente, nem tudo está perdido, pois a internet nos dará sempre a possibilidade de escolha, de usá-la para combater o ‘‘bom combate’’, como disse o apóstolo Paulo na sua segunda carta à Timóteo, de dizer não a aquilo que não é saudável.
Quer mais ?
A AT&T, mair empresa de telecomunicações dos Estados Unidos, concluiu uma operação onde adquiriu a empresa MediaOne Group por nada menos do que US$ 44 bilhões, tornando-se a maior provedora de TV a Cabo dos Estados Unidos. Segundo a empresa eMarketer, só o mercado de TV Interativa (integrada com a internet) alcançará em 2004, a soma de US$ 5 bilhões. Empresas norte americanas já se preparam para entrar no mercado brasileiro de TV interativa, em especial a WebTV, empresa da Microsoft. Não há previsões específicas desse segmento para o Brasil, que deverá faturar ente US$ 6 e 7 bilhões com comércio eletrônico em 2003. Na coluna da semana que vem, estarei divulgando novas estatísticas e previsões sobre o mercado internet na Ameica Latina e em especial do Brasil.
Assinatura eletrônica
A Câmara dos Deputados norte americana aprovou por unanimidade a aplicação da assinatura eletrônica para uso em documentos, contratos e transações financeiras. Com a aprovação, um usuário internet poderá assinar cheques e outros documentos, usando uma assinatura eletrônica que tem a mesma força de lei da assinatura gráfica. Atualmente o internauta pode solicitar uma transação de hipoteca ou seguro, mas na hora de consumar o contrato, é exigido uma assinatura física, de punho. Com a nova lei, o internauta poderá consumar a transação na internet, usando sua assinatura eletrônica. Nenhum cliente poderá ser forçado a usar assinatura eletrônica, e poderá optar pela forma tradicional. Nenhum negócio na internet poderá oferecer apenas a alternativa eletrônica.
Carlos Trindade é consultor em Estratégia Internet, especializado em Marketing pela Universidade de Berkeley, Califórnia. [email protected]

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