Informatiquês invade a terra do blues
Informatiquês invade a terra do blues
Evento particular da CA World mostrou soluções e reuniu milhares de visitantes e parceiros efetivos e potenciais
Agência Globo
Divulgação
Charles Wang, chairman e CEO da Computer Associates: durante o evento, perfeito mestre-de-cerimôniasO primeiro ímpeto é dizer que New Orleans, uma das cidades mais animadas dos Estados Unidos, parou por conta da realização do CA World, evento de informática financiado pela Computer Associates, encerrado há duas semanas. Mas não foi bem assim. Primeiro, porque New Orleans não pára por coisa alguma. Segundo, porque a cidade sediava, simultaneamente, a edição 98 do Festival Anual de Jazz, um dos maiores (e melhores) festivais de música dos EUA. Portanto, o mais correto é dizer que New Orleans ficou ainda mais agitada com esta versão do CA World, que teve a participação de cerca de 25 mil visitantes - segundo a CA, claro.
Para quem resume a informática ao uso de Internet, de games em CD-ROM ou mesmo para pequenos trabalhos de digitação, é difícil imaginar o que existe do outro lado do mundo da computação, o famoso mercado corporativo, que movimenta cifras incalculáveis e tem como perfeita tradução o adjetivo parrudo. Máquinas parrudas, softwares parrudos, sistemas operacionais parrudos, redes parrudas e... negócios parrudos. Pois este mundo existe, e a Computer Associates é um dos mandachuvas dele.
Atuando no mercado de software parrudo, ela fornece mais de 500 produtos nas áreas de gerenciamento de informação, computação empresarial, controle de rede, etc. Para se ter uma idéia, em 97 a empresa teve um faturamento de US$ 4,5 bilhões, e conta com mais de 11 mil funcionários, distribuídos em 160 escritórios pelo mundo afora. É coisa de gente grande.
Por isso mesmo, o CA World é considerado hoje pela indústria de tecnologia como um dos principais eventos privados do setor, ou seja, aqueles realizados em torno de uma única companhia (ou um único produto). Mistura de exposição de soluções de software com seminários e palestras, ele impressiona pela quantidade de visitantes e reúne clientes, parceiros, funcionários da companhia e jornalistas do mundo inteiro.
Ocupa praticamente todo o New Orleans Convention Center e confirma uma tendência cada vez mais forte no setor de informática: em vez de participar de grandes eventos, como a Comdex, onde rivalizam atenção com outros pesos pesados da indústria, as companhias têm preferido investir na realização de um show particular.
Nele, elas bancam sua própria festa, e podem convidar quem bem entendem e mostrar o que realmente desejam. Apple, IBM, Compaq, Lotus e Microsoft, entre outras, já fazem isso.
Rivalizando atenção com os astros do jazz & blues que se apresentaram na cidade, no CA World os destaques foram os discursos de Bill Gates, chefão da Microsoft, Eckhard Pfeiffer, chefão da Compaq, e John Major, ex-primeiro ministro britânico.
Charles Wang, chairman e CEO da Computer Associates, comanda o acontecimento. Durante toda a semana do evento, parece um daqueles pais comemorando os 15 anos da filha. Como está bancando a festa, fala o tempo todo e com todo mundo, recebe os convidados, posa para fotos, faz discurso... Junto com seus convidados, Wang anunciou novas versões de softwares e mais parcerias, com Microsoft (no mercado de Windows NT) e Compaq (na área de servidores).
Seu carro-chefe Unicenter, por exemplo, ganhou nova extensão: era TNG (de Next Generation) e virou TND (de Next Dimension). O produto é uma infra-estrutura aberta, orientada a objetos, que integra funções de gerenciamento com diversos outros produtos de tecnologia da informação. Entre outras coisas, ele permite a uma grande corporação controlar, verificar e gerenciar toda a rede da empresa, num ambiente tridimensional e cheio de figurinhas.
Na tela, é possível visualizar todo o mapa da rede, como se fosse um daqueles jogos de estratégia. Desta forma, um gerente de rede pode antever, de forma rápida e fácil, que ponto da rede terá problemas, onde estará localizado (em nível mundial) e o que pode ser feito para evitar um desastre.
Entre as clientes-parceiras da CA, está a McLaren, que usa o Unicenter para monitorar o funcionamento e o desempenho de seus carros de Fórmula 1. Por razões óbvias, representantes de ambos os lados não divulgam detalhes do sistema.





