Informática é atrativo em escolas pagas
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de fevereiro de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
Para o aluno que frequenta escola particular, o computador já faz parte da sua rotina educacional. Tanto em casa quanto no colégio, a informática já não representa nenhum segredo e sua abrangência tem se ampliado a passos largos.
E não poderia ser diferente. Nos colégios particulares, o porcentual de alunos com computador em casa chega até a 95%. Enquanto isso, a realidade encontrada nas escolas da rede pública é bem diferente, onde apenas uma pequena parte dos estudantes têm acesso caseiro.
Segundo Daniele Zoega Carvalho, membro da diretoria do Sindicato das Escolas Particulares do Norte do Paraná (Sinep-NPR), a informática já se transformou num diferencial muito procurado pelos pais. Na parte administrativa, é impossível trabalhar sem computadores. Na parte de educação, tem sido uma variante que os pais procuram cada vez mais, complementa. De acordo com ela, as poucas escolas particulares da região que não aderiram à informatização são as que tem poucos alunos e, consequentemente, poucos recursos.
Ela reclama que os custos são altos e é preciso destinar uma verba anual para atualização dos softwares e para compra de novos equipamentos. Tanto é assim, que, embora a imensa maioria dos estabelecimentos de ensino particulares estejam informatizados, uma grande parte ainda não disponibiliza Internet de forma regular para os alunos.
No Colégio Marista, por exemplo, o computador é peça-chave para a aprendizagem já no jardim de infância e auxilia na educação de crianças a partir dos dois anos de idade, aponta a diretora pedagógica Marize Rufino. A utilização do computador é diária e incentivada pelo professor, ressalta.
O processo de informatização do Marista iniciou-se há mais de seis anos e hoje os alunos das salas de ensino fundamental e médio contam com três modernos laboratórios (um em funcionamento e dois que serão inaugurados ainda este mês) equipados com os mais modernos PCs, softwares e ferramentas como a Internet. Fora do horário regular de aula, o aluno matriculado no colégio dispõe de dez máquinas na Biblioteca, onde pode fazer suas pesquisas.
(O uso do computador) é mais um recurso que serve para ampliar a capacidade de pesquisa e, por consequência, a aprendizagem, reforça Marize. O membro do núcleo de tecnologia do Colégio Marista, Emerson Galliano, completa afirmando que o computador aproxima o colégio da vida fora da escola. Sua expectativa para o futuro é que o computador se torne ferramenta na sala de aula, quando cada aluno terá o seu terminal.
A próxima tacada do Colégio Marista em informática será o lançamento do portal www.marista.org.br, previsto para ser levado ao ar em março. Nele, alunos e pais (cada um com uma senha) poderão ter acesso online ao boletim escolar, saber sobre o que está acontecendo na escola de Londrina e nas outras unidades espalhadas pelo Paraná. O aluno pode também contribuir com conteúdo para a página, divulgando trabalhos ou simplesmente deixando sua mensagem no mural de recados. Poderá ainda participar de fóruns de discussão em videoconferências sobre temas variados, como drogas e sexualidade. O portal será uma fonte de informação sobre educação para os pais também, veiculando serviços e não somente informação sobre o colégio, frisa Galliano.
Como trabalho social, o Marista mantém uma escola de ensino fundamental de 1ª a 4ª série no Jardim Nossa Senhora da Paz em parceria com a Microsiga Softwares. Lá, pelo perfil dos alunos e das famílias, foram incluídos cursos de introdução à informática, tanto para os alunos quanto para a comunidade.
No Colégio Universitário, a informatização toma conta de todos os setores. Os cursos de introdução à informática foram banidos e o computador é usado como ferramenta pedagógica no ensino das disciplinas regulares. Segundo Rodrigo Ferraresi, gerente de informática do Universitário, o uso do computador em sala de aula se tornou indispensável para alunos e professores.
A supervisora pedagógica do colégio e coordenadora pedagógica da área de informática, Waldeliz Maria Okano, argumenta que o computador desenvolve o raciocínio lógico dos alunos, melhora a auto-estima e aguça a criatividade.
Como diferencial, a escola utiliza o software Megalogo, onde uma tartaruga constrói a ação e realiza os comandos executados pelos alunos. É uma forma de fugir da caretice e desenvolver o raciocínio. O professor também tem a possibilidade de personalizar sua aula através de CD-ROM. A aula fica com a cara do professor e não desses softwares comerciais, complementa Ferraresi.
A dificuldade (dos exercícios no computador) aumenta de forma gradual, conforme a série do aluno. Nas classes do ensino fundamental, a máquina é usada no período de aula, uma vez por semana. Na quinta-série, é iniciado o uso na prática escolar. Nas classes de 6ª, 7ª e 8ª, há o direcionamento para pesquisas relacionadas às disciplinas regulares.
O Universitário mantém um site (www.geu.g12.br) com informações sobre o colégio, exercícios e desafios didáticos, informações culturais, sempre interagindo com o aluno no que diz respeito ao conteúdo. O boletim pode ser acessado nos oito terminais espalhados pelos corredores da escola, por meio de um cartão magnético. Este cartão também é usado no controle de entrada e saída dos alunos, como medida de segurança.
É bem verdade que escolas e colégios particulares contam com os recursos das mensalidades. Com isso, eles podem oferecer ensino de melhor qualidade. Mas é verdade também que falta para o ensino público uma política melhor definidade sobre o ensino e aplicação da informática.


