Informática combina com sociabilizacao
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Jaqueline Conte Especial para a Folha Hightech 
Francisco Serra Neto/DivulgaçãoCrianças fazem aula de computação: Dinâmicas de grupo no pátio e depois trabalho em pares no computadorUnir diversão e ensino, tecnologia e brinquedo, imaginação e movimento. Esse foi o caminho encontrado por uma escola de informática de Londrina para desfazer a idéia de que computador é caminho certo para a individualização da criança.
Pensando em uma forma de promover a sociabilização do aluno durante as aulas, a educadora Silvia Crusiol, proprietária da Lume Informática, criou em 1995, uma metodologia de ensino própria. Com o objetivo de proporcionar a interação social da criança através do computador, a metodologia tem como base o método Montessori, filosofia educacional que defende que a criança aprende mexendo, trabalhando com o concreto. Silvia registrou a idéia, no último mês, no Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional.
Jaqueline ConteSilvia Crusiol: registro da metodologiaA fórmula básica é simples: as crianças são divididas por faixa etária, em salas com alunos de 4 a 6 anos, 7 e 8, e 9 a 12 anos. As aulas têm uma hora e meia e são divididas em três fases, envolvendo movimentação, trabalho no computador e arte. Durante os primeiros 20 minutos, o aluno participa de dinâmicas de grupo, no pátio ou na própria sala de aula, que o colocam em contato direto com os colegas. As crianças brincam com cordas, bolas, brinquedos pedagógicos e jogos em geral. Só depois é que assumem o computador. Mesmo assim, em duplas ou em equipes, interagindo com o colega e aprendendo a respeitar a vez.
À frente dos equipamentos, as crianças e pré-adolescentes trabalham com programas educativos, que estimulam raciocínio lógico, atenção, concentração e coordenação motora, de acordo com a faixa etária. A escola possui mais de 70 softwares nacionais e importados, com as mais diversas finalidades. Entre elas, aprender cores e formas, adquirir noções de preservação do meio ambiente e higiene, ou escrever e dirigir peças teatrais. Em um dos programas, os alunos têm que construir uma cidade, colocando rede de esgoto e outros serviços, de acordo com o número de habitantes. Se a criança não utiliza essas noções e não dá importância a esses serviços, a cidade explode, diz Silvia Crusiol. Para os maiores, os softwares utilizados estimulam, por exemplo, o desenvolvimento de narrações. Com esses recursos, o professor incentiva o aluno a construir narrativas. Desafia a criança, oferecendo a ela oportunidades de experiências e simulações. Os programas são um instrumento a serviço da aprendizagem. Segundo Silvia, os softwares educativos são uma revolução na pedagogia da tela do computador, mostrando que o equipamento pode ser utilizado de forma a não individualizar o usuário.
Na última fase da aula, que ocupa cerca de 25 minutos, o aluno registra o que produziu no equipamento de forma gráfica e artística. O desenho virtual deixa a tela e é impresso em preto e branco. A partir daí, as crianças se divertem pintando, recortando ou montando maquetes. Quando o programa não permite a impressão, são utilizados outros materiais e técnicas, como pintura a dedo, dobraduras, ou escultura em argila, desenvolvendo sempre os temas abordados no computador.
Jaqueline ConteFábio Martins: professor e coordenador de cursos de computaçãoAs crianças com mais de seis anos, além de trabalhar com softwares educativos, que acompanham seu desenvolvimento, recebem noções básicas de informática. A partir dos 8, aprendem a mexer com Windows e Word e a utilizar recursos multimídia e programas de editoração, que permitem elaborar folders, jornais e livros, em que os textos são produzidos pelos próprios alunos.
Sequência Uma das turmas já completou todas as fases oferecidas pela Lume, dentro dessa metodologia. Mesmo assim, quis continuar as aulas. Para não frustrar os alunos, Silvia ampliou o trabalho e encomendou um outro software, mais avançado, em que o aluno pode criar seu próprio programa. Acabamos de adquirir o Hyperstudio, programa que possibilita, inclusive, a criação de páginas interativas em multimídia, com sons, imagens e texto, diz.
A escola também tem uma turma especial para excepcionais. Criada neste ano, ela é formada por cinco alunos, entre 12 e 17 anos, que trabalham dentro da mesma metodologia.
A Lume Informática levará a metodologia aplicada na escola para a 6ª edição da Feira de Informática e Tecnologia de Londrina - Infotech 97, que acontece entre 12 e 17 de agosto. A escola gerenciará a Infobaby, espaço dedicado ao público infantil, de 4 a 12 anos, que funcionará em uma área de 200 m2. Lá as crianças e pré-adolescentes terão à disposição oito computadores. Sob a orientação de professores preparados, elas poderão brincar com programas educativos e desenvolver as mais variadas atividades, em um trabalho semelhante ao realizado na própria escola.


