Senha do banco, do e-mail, da rede social... São tantas as senhas solicitadas no dia a dia que há quem tenha dificuldade de memorizá-las. A saída vista por muita gente é anotá-las em algum lugar, e o grande "amigo" que está sempre à mão atualmente é o smartphone. É o equipamento que também está presente em todos os momentos da vida das pessoas. Por isso, a câmera do celular é sempre a primeira a ser lembrada quando alguém quer registrar um acontecimento especial.
Uma pesquisa da Kaspersky Lab, empresa de segurança digital, mostrou que a grande maioria dos brasileiros (89%) guarda informações confidenciais ou insubstituíveis em seus smartphones, como senhas, mensagens, fotos, contatos e arquivos. Quando fazem isso, os usuários de dispositivos móveis correm o risco de terem informações valiosas perdidas caso o aparelho seja extraviado, roubado ou sofra danos.
Sem contar o risco de que os aparelhos sejam invadidos em redes Wi-Fi públicas, por exemplo. Segundo a pesquisa, apenas 30% dos brasileiros mudam seu comportamento on-line quando usam redes Wi-Fi públicas desprotegidas. O estudo revelou ainda que 25% das pessoas que perderam ou tiveram seus dispositivos roubados tiveram suas informações pessoais divulgadas. E ainda, 25% dos entrevistados não usam funções de bloqueio remoto e localização no smartphone.
A consultora de vendas Karina Silva diz que não possui qualquer tipo de proteção no smartphone, mas também afirma não se importar se alguém tiver acesso a fotos ou vídeos em seu aparelho. "Não vai encontrar nada demais, nada que já não esteja nas redes sociais", ri. Já o estudante de História Pedro Rodrigues conta que procura guardar arquivos pessoais em pen drives ou HD externo para evitar que outras pessoas tenham acesso em caso de roubo ou invasão ou que arquivos importantes sejam perdidos em caso de problemas no aparelho. "Tenho tudo duplicado."
Fotos e acesso a redes sociais são as informações confidenciais mais guardadas pelos brasileiros nos smartphones, afirma Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab. "Na sua maioria, são fotos e acesso a redes sociais, que por si só trazem muitos dados pessoais de conversas armazenadas (WhatsApp, Facebook, etc)."
O roubo das senhas é o primeiro risco pelo qual os brasileiros passam ao adotar esta postura, diz o analista. "Se for de e-mail e de redes sociais, eles serão usados para disseminar links maliciosos para os contatos da vítima", explica. Outro risco associado ao roubo de senhas é o ransomware, uma espécie de código malicioso que cifra os dados do aparelho e exige "resgate" para que o usuário tenha os seus dados de volta. "Esse tipo de ataque é comum em desktops, e não tão comum em smartphones, mas isso deve mudar em pouco tempo, devido à importância dos smartphones no armazenamento de dados pessoais."
Nas redes Wi-Fi públicas, o usuário corre o risco de ser redirecionado a sites falsos, por meio de um ataque chamado de ARP spoofing. Nestes sites, o criminoso pode roubar dados do usuário ou sugerir que ele instale aplicativos maliciosos. Ao usar o redes Wi-Fi públicas, o usuário corre ainda o risco de ter seus dados de navegação não criptografado capturados, como senhas, perfis, informações postadas, etc, alerta Assolini.
De acordo com Assolini, mesmo que o smartphone seja protegido por senha, os criminosos virtuais são capazes de ter acesso aos dados do aparelho dependendo do sistema operacional utilizado. "As versões mais recentes são mais difíceis de serem acessadas sem autorização, já versões antigas possuem bugs ou são suscetíveis a jailbreak e outros ataques que permitem ter acesso aos dados. Portanto é uma boa prática de segurança manter o sistema operacional do celular sempre atualizado." O analista lembra que os aparelhos com Android são particularmente suscetíveis, já que não são todas as fabricantes que disponibilizam atualizações ao sistema operacional.

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