Indústria nacional ainda aposta no fax
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Andrea Machado, da Agência Globo 
Quem precisou comprar um aparelho de fax recentemente nos Estados Unidos provavelmente conhece uma historinha parecida com essa. O consumidor bate perna em lojas especializadas e magazines atrás de um fax simplesinho, desses com secretária eletrônica, e encontra muito mais dificuldade do que poderia imaginar. Temos multifuncionais, com copiadora, scanner, impressora e fax, dizem muitas vezes os vendedores. Quando a gente acha o que quer, pode se deparar com uma cara de incredulidade: O senhor sabe que este aqui é de papel térmico, não sabe? Vai querer levar assim mesmo?
DivulgaçãoAparelho de fax - de papel térmico, principalmente - é artigo cada vez mais raro (e mais barato) nos EUA. Uma tendência que, ao que tudo indica, ainda vai demorar para ser realidade por aqui. Pelos menos é nisso que apostam os fabricantes. Multifuncionais ainda não pegaram no Brasil.
Os motivos são vários. Aparelhos com várias funções ainda não conquistaram o usuário doméstico, como lembra Sérgio Hadachi, gerente comercial de telecomunicações da Panasonic. É um pouco mais fácil encontrá-los em escritórios.
Em primeiro lugar, porque ainda são caros e, em segundo, porque o consumidor tem muito receio de ficar sem várias máquinas quando apenas uma das funções dá problema. Ou seja, se o scanner vier a apresentar algum defeito, lá vai tudo junto para a assistência técnica: copiadora, impressora e... fax!
Por outro lado, só agora é que o mercado de aparelhos de fax de papel comum começa a crescer, principalmente em escritórios que precisam guardar as cópias como documento. Essa situação já aconteceu há algum tempo lá fora.O Brasil ainda nem chegou ao boom do fax de papel comum, ainda vai demorar para acontecer aqui o que está acontecendo nos EUA, diz Angelo Roberto Labate, gerente nacional de vendas da Brother.
Que o Brasil deve passar pelas mesmas mudanças, todo mundo concorda. Mas isso deve acontecer mais perto do ano 2000. Até lá, o mercado de fax ainda tende a crescer no País, acredita Hadachi, da Panasonic. De acordo com ele, as vendas de aparelhos de fax no Brasil crescem bastante, em torno de 10% a 15% anualmente; a demanda é de 150 mil unidades por ano. Desse mercado, a Panasonic é a empresa líder, com 34% das vendas no País.
Quem vem logo atrás é a TCE, segundo o gerente de marketing Sergio Perrenoud. A empresa vendeu 20 mil peças no ano passado e espera um crescimento de 30% para este ano. A TCE é a única a fabricar aparelhos de fax no Brasil, mais precisamente na sua fábrica em Manaus. Tem dois produtos de papel térmico no mercado; o top de linha, o F-400, que vem com secretária eletrônica digital (dispensa o uso de fitas) e permite que se recupere as mensagens por acesso remoto, ou seja, pode-se ouvir as mensagens de um telefone externo. O F-400 sai para o consumidor final por R$ 442 e o F-110, uma versão com menos recursos, por R$ 384.
TCE e a concorrente Brother ainda pretendem investir na importação e na produção de aparelhos de fax para o Brasil por um bom tempo. A Brother, dona de uma linha que vai de aparelhos simples de fax aos multifuncionais, prepara o lançamento do Intellifax 770, de papel térmico. Modelos mais simples como esse da Brother podem ser ligados num computador e acabam tendo mais de uma função, já que podem imprimir.
O fim do fax vem sendo apregoado há algum tempo, principalmente por causa do crescimento das vendas de computadores. No entanto, aqui no Brasil, ainda é pouco comum os usuários dispensarem o aparelho de fax, confiando apenas no micro para enviar/receber cópias. Ninguém gosta de ter que deixar o computador ligado para esperar por um fax - afinal, nunca se sabe quando pode haver um pico de energia.
Serviço: TCE: 0800-157878; Panasonic:0800-550405; Brother:011-223-2211.


