Indie games conquistam jogadores
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Não só de grandes títulos vive o mercado de games. Os chamados jogos "indie" também ganham cada vez mais a atenção do público gamer. Games do gênero como Journey, Limbo, Braid e Minecraft e até mesmo Angry Birds hoje são um sucesso. No mês passado, a Sony anunciou a chegada de 40 jogos indie à plataforma PlayStation Network para jogar no PS3, PS3 e PS Vita.
Convencionou-se chamar de jogos indie o gênero de games produzidos por uma pessoa ou pequenas equipes sem o apoio financeiro de grandes publishers ou a ajuda de grandes distribuidoras, sendo seus títulos distribuídos de forma on-line. "A ideia de um jogo indie é algo muito pessoal. Muitos dos desenvolvedores colocam coisas pessoais, experiências pelas quais passaram etc. O desenvolvimento de um jogo comercial é muito diferente, tem muitas mãos envolvidas", observa Felipe Israel Marinho, estudante de Ciência da Computação, sob a ótica de um gamer. Para ele, alguns jogos indie também apresentam alto nível de dificuldade e desafiam o jogador. Braid, Limbo, Audiosurf e VVVVVV são seus jogos independentes preferidos.
Isso é exatamente o que diz Vitor Severo Leães, produtor de Toren, jogo brasileiro que deve ser lançado no primeiro semestre de 2014 pela Swordtales, produtora gaúcha independente. "Enquanto grandes títulos precisam agradar um grande público e não podem arriscar muito, os jogos independentes têm uma liberdade maior para experimentar e propor conceitos diferentes aos jogadores."
Toren, um jogo de aventura e enigma construído em torno de um poema épico que envolve uma torre e uma menina, já recebeu prêmios internacionais e menções em festivais do gênero mesmo antes de ser lançado. Este ano, o projeto conseguiu apoio da Lei Rouanet para receber doações e patrocínios. É um dos primeiros games a serem aprovados pela lei.
Na visão do produtor de Toren, de certa forma, todos os estúdios de game brasileiros são independentes. E por falta de opção. "Nos EUA ou Europa, muitos desenvolvedores preferem empreender e fazer seus próprios jogos a serem funcionários em grandes estúdios. No Brasil não temos essa opção: não existe nenhum estúdio internacional com sede no Brasil. Quem quer trabalhar com games por aqui, precisa ser independente."
Ainda não existem números que expressem o mercado de indie games, mas pesquisa da consultoria Gartner revela que o mercado de games é o terceiro com maior faturamento no mundo. Até 2015, a expectativa é de que US$ 70 bilhões sejam movimentados por jogos eletrônicos. O Brasil é o quarto maior consumidor.
Para Leães, o crescimento do mercado de jogos indie está atrelado ao amadurecimento do público gamer que, com o tempo, passa a ser mais exigente e a buscar jogos mais desafiadores e com propostas inovadoras. E isso vem acontecendo no Brasil, afirma o produtor. "Os jogos indie estabeleceram um mercado muito sólido e um método de desenvolvimento que serve como alternativa para o modelo tradicional conhecido como jogos 'triple A' (jogos milionários desenvolvidos por produtoras gigantes). Acredito que o futuro do mercado de games brasileiro está nos estúdios independentes."
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