Incríveis substâncias
A Ecologia Química é um dos ramos mais recentes da química e são raros no mundo os especialistas que se dedicam a ele. Anita Marsaioli é uma das únicas brasileiras. A Ecologia Química estuda as substâncias mediadoras de interações entre organismos. Segundo Anita, a preocupação com este assunto já existe desde os primórdios das ciências naturais. ‘‘Theophrastus, naturalista grego que viveu 300 AC já dizia: ‘‘Todas as árvores têm vermes, mas algumas têm menos, como o figo e a maçã, e algumas mais, como a pêra. Geralmente, aquelas que são menos consumidas pelos vermes são as que têm um suco acre amargo’. Isso era Ecologia Química’’, exemplifica.
Mas só no final do século XVIII, as interações entre plantas e insetos começaram a ser estudadas cientificamente. O fundador da ecologia floral, a parte da ecologia que trata do processo da polinização das flores, o alemão C.K. Sprengel, avançava nesta direção quando, em 1793 disse: ‘‘As flores não foram concebidas pela natureza com a finalidade de enfeitar, mas possuem um papel importante na reprodução das plantas, através da disponibilização de néctar e pólen’’. Sprengel foi também o primeiro a sugerir que a finalidade da coloração e dos aromas das flores era atrair polinizadores. Ele descreveu que algumas flores marrons, que possuem um aroma semelhante ao de carniça, seduziam certas moscas, que geralmente se encontram em carniça. Visitando as flores, as moscas desempenham o papel de polinizadoras. As idéias modernas de Sprengel foram pouco aceitas pelos seus contemporâneos e só 70 anos depois, o próprio Charles Darwin descobriu a grande importância de sua obra.
Ao longo dos anos 60-70, diversos autores estudaram o papel de substâncias envolvidas nas interações dos organismos mas só a partir dos anos 80 a Ecologia Química se firmou como um ramo próprio da química. Hoje, ele permeia inúmeras atividades humanas: da agronomia à indústria farmacêutica e quase todos os campos de estudo das ciências naturais. A complexidade e sofisticação dos fenômenos químicos envolvidos nas relações entre os organismos apenas começa a ser compreendida por estes cientistas. ‘‘Os químicos e os ecólogos descobriram que têm muito a aprender com a Natureza’’, conclui.(P.S.M.)

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