Oferecer acesso gratuito à internet e serviços on-line à população, manter órgãos públicos integrados em rede e outros fatores caracterizam uma Cidade Digital. Há alguns anos este termo ganhou força no Estado, que possui várias cidades consideradas digitais por diferentes entidades. Este ano, Curitiba conquistou o primeiro lugar no Índice Brasil de Cidades Digitais (IBCD), ranking desenvolvido anualmente pelo CPqD, instituição com foco na inovação e inclusão digital.
Entre as 100 cidades pesquisadas, constam no ranking mais oito cidades paranaenses. O Movimento Nós Podemos Paraná, da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), lista 34 municípios que podem ser considerados digitais no Estado (veja quadro).
Apesar de o termo já ser tratado com certa familiaridade por entidades e administração pública, na opinião da secretária de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Lygia Pupatto, ainda não existe no Brasil uma definição exata do conceito de Cidades Digitais.
''Muitos prefeitos me procuravam com o conceito de que Cidades Digitais é liberar sinal gratuito à sociedade'', ela conta. Entretanto, na sua opinião, o conceito inclui muitos outros aspectos. ''O objetivo maior das Cidades Digitais é ter fibra ótica percorrendo todos os pontos e órgãos públicos, possibilitando ao governo fazer o e-Gov, digitalizar todos os dados, colocar serviços à disposição da sociedade. É melhorar a qualidade, a transparência da gestão e dos serviços, e para isso é preciso ter fibra ótica, conexão e também aplicativos.''
Na opinião da secretária, as Cidades Digitais também devem funcionar como centros de desenvolvimento da cultura digital através de centros públicos com conexão e computadores e de pontos de conexão livres em espaços públicos. A qualificação das pessoas que deverão lidar com isso também é importante. ''Mais de 70% dos municípios brasileiros não têm pessoal especializado em Tecnologia da Informação (TI).'' Em uma Cidade Digital também é preciso pensar nas empresas. ''A maior parte das micros e pequenas empresas têm conexão mas usam muito pouco para os negócios.'' Em março deste ano, a secretaria selecionou 80 cidades do Brasil para fazerem parte de um projeto-piloto de Cidades Digitais.
Para avaliar os municípios e posicioná-los no ranking do Índice Brasil de Cidades Digitais, o CPqD pontuou cada um ouvindo gestores municipais e utilizando critérios agrupados em presença de equipamentos primários ou infraestrutura, acesso público à internet, cobertura geográfica e conexão, acessibilidade, usabilidade e inteligibilidade, banda, serviços públicos e privados, integração de serviços públicos, integração de comunidades e novo espaço público e integração de cidades, estados e países.
Entre os critérios utilizados, destaca-se a acessibilidade, usabilidade e inteligibilidade, que consiste não apenas na acessibilidade física dos espaços públicos de conexão com a internet, mas também na acessibilidade de sites e aplicativos de serviços do governo, explica a pesquisadora responsável pelo IBCD, Graziella Bonadio.
A coordenadora do movimento Nós Podemos Paraná, da Fiep, Maria Aparecida Zago Udenal, também concorda que não existe um conceito definido de Cidade Digital, mas citou algumas características que podem enquadrá-las neste termo: internet gratuita para toda a população com alguns requisitos, órgãos da prefeitura integrados em um sistema e serviços on-line aos cidadãos.

Imagem ilustrativa da imagem Inclusão e gestão digital nas cidades
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