Imunização tem que ser mantida sob controle
A poliomielite é uma doença fundamentalmente da infância, transmitida através do contato com alimentos e água contaminados. Ela já foi de alta incidência no Brasil, matando ou deixando sequelas em milhares de crianças. As campanhas de vacinação, realizadas anualmente e intensamente no País, desde 1980, mudaram esse quadro. Segundo o médico José Luís da Silveira Baldy, o Programa Nacional de Imunização, criado em 1973 e que é modelo para muitos países do Terceiro Mundo tem sido de fundamental importância nessa luta.
Porém, o médico diz sentir-se receoso diante das crises sucessivas pelas quais tem passado a Saúde Pública no Brasil. Para ele, a falta de verbas, a redução do número de crianças vacinadas (dados do próprio Ministério da Saúde) e até o adiamento da campanha de multivacinação, que neste ano foi transferida de junho para agosto são fatos preocupantes.
O próprio programa de imunizações do Paraná, que já foi modelo para o país, atravessa sérias mudanças que podem comprometer os trabalhos. Segundo o médico, a equipe responsável pelo programa foi quase completamente desfeita. Na atualidade, existem apenas duas pessoas remanescentes da equipe que existia há até dois anos. O comitê assessor de imunizações do Estado foi desativado e a qualidade do Programa sofreu uma queda significativa nos últimos anos, critica.
Segundo Baldy, diante de quadros como esse, o risco da poliomielite retornar é maior do que a possibilidade de controle absoluto. Portanto, é preciso manter a imunização sob controle e para isso são necessários programas de qualidade, lembra. (J.N.)





