Impressoras 3D começam a se popularizar no Brasil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de março de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
O que há alguns anos atrás imaginávamos como algo distante, já se tornou realidade no País. A impressora 3D já tem fabricantes nacionais, alguns deles jovens em busca de provocar a revolução neste mercado no Brasil. A maioria das máquinas vendidas está localizada em instituições de ensino e empresas, mas pelo preço, que já está na casa dos R$ 3,5 mil e tende a baixar ainda mais, as fabricantes apostam fortemente no consumidor doméstico como público-alvo.
A máquina produz objetos tridimensionais em material termoplástico, fundindo filamentos de PLA (Polylactic Acid) ou ABS (Acrylonitrile Butadiene Styrene) e depositando camadas do material sobre uma plataforma. Camada por camada, o objeto é então formado. A impressão parte de um projeto 3D, que pode ser desenvolvido a partir de softwares conhecidos como o AutoCAD e outros mais amigáveis a pessoas leigas, como o Google SketchUp.
Por R$ 3,5 mil é possível adquirir uma impressora 3D da empresa Metamáquina, fruto do empreendedorismo de três jovens de São Paulo. O produto está em fase de pré-venda, e o primeiro lote deve ser entregue na primeira quinzena de maio. Segundo Guilherme Vaz, designer de produto da empresa, a Metamáquina fabrica cerca de 50 máquinas por lote.
Com projeto inteiramente open-source, a impressora está sendo vendida principalmente a universidades pelo seu cunho didático. Fato de ser open-source quer dizer que todo o projeto da impressora, inclusive o código-fonte, é público, para que qualquer pessoa possa ver ou até realizar modificações no equipamento. "Nossa meta é popularizar a tecnologia e o conhecimento", diz Vaz.
Nascida em uma empresa incubada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), a impressora também 100% nacional Cliever CL1 já foi adquirida por grandes empresas como Embraer e Intelbras. Segundo Rodrigo Krug, diretor da Cliever, já existem mais de 40 máquinas em funcionamento pelo País, uma lista de pedidos de mais de cem e uma meta de comercializar 500 delas este ano. Para isso, a empresa passa pela ampliação da capacidade de produção, de dez a 15 máquinas para 50 ao mês, e a contratação de mais funcionários. O produto custa R$ 4.650.
No mercado de impressoras 3D para a indústria, principalmente a automobilística, a Robtec representante da marca norte-americana 3D Systems - já soma 20 anos de atividade. Mas só há um ano entrou no mercado doméstico, com máquinas de valores a partir dos R$ 6 mil. "(O equipamento é voltado) a qualquer pessoas que tenha interesse em criar um objeto em casa, um profissional liberal, arquiteto, designer, engenheiro ou um estudante de engenharia", afirma Luiz Fernando Dompieri, diretor-geral da Robtec. A empresa vende de 20 a 30 máquinas por mês.
Em Londrina
Por aqui, o departamento de Design da Universidade Estadual de Londrina (UEL) já adquiriu uma impressora 3D, da empresa Robtec, para uso acadêmico. Alunos dos cursos de Design Gráfico e Design de Moda, que antes tinham que fazer protótipos à mão e modelar em papel, agora se beneficiam da impressão 3D, que dura apenas algumas horas. "É um ganho de produtividade", afirma Cláudio Pereira de Sampaio, coordenador do curso de Design Gráfico. O equipamento custou R$ 6,5 mil e foi montado pelos próprios alunos, processo que fez parte do estudo da tecnologia. Um dos estudantes, integrantes de um projeto de pesquisa e ensino do departamento, estuda uma maneira de replicar a máquina produzindo as peças na própria impressora.


