Impressão 3D cria novas possibilidades de mercado
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quarta-feira, 04 de março de 2015
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Quando as primeiras impressoras 3D começaram a desembarcar no Brasil, há cerca de três anos, as possibilidades de aplicação desta tecnologia eram muito restritas. Havia um grande mercado em desenvolvimento lá fora, mas, no País, pouca gente imaginava que a impressão em três dimensões poderia revolucionar a rotina de pessoas e empresas.
As impressoras mais populares atualmente produzem objetos tridimensionais a partir de filamentos de material termoplástico, que se fundem e, camada a camada, formam o objeto desejado sobre uma plataforma. A impressão parte de um projeto 3D desenvolvido computacionalmente.
O mercado mundial de impressão 3D tem o potencial de atingir US$ 12,8 bilhões em faturamento até o ano de 2018, e US$ 21 bilhões até 2020, segundo a organização do Inside 3D Printing - evento itinerante de impressão 3D, que será realizado semana que vem em São Paulo. Trata-se de um considerável crescimento em relação a 2013, quando este mercado faturou o equivalente a US$ 3,07 bilhões.
O maior potencial está na indústria, que detém 95% do mercado de impressão 3D. Em algumas situações, o processo de prototipagem é muito mais interessante quando feito pela impressão tridimensional, mesmo que o custo seja elevado. A empresa de design de produtos Eidee, incubada na Universidade Estadual de Londrina (UEL), usa a impressora 3D para fazer protótipos de produtos. Antes, este processo era feito manualmente, usando materiais como papel ou isopor.
"A impressão 3D usa polímeros (um tipo de plástico), e podemos testar as peças mecanicamente", observa Ricardo Dantas, diretor da Eidee. Antes, elas eram produzidas num centro de usinagem. "Ficava muito mais caro. E dependendo do tipo de projeto, quanto mais internamente melhor", diz Dantas, referindo-se à necessidade de sigilo dos projetos.
A impressão 3D também pode ser utilizada para suprir necessidades cotidianas. O empresário Diego Maeda tem uma impressora 3D que usa para atender seus clientes. Ele já construiu com a impressora, por exemplo, peças para carros e equipamentos que não poderiam ser vendidas separadamente, não existem mais no mercado ou custam caro.
"Já fiz uma peça para o painel de uma camionete S10 que não existe mais no mercado; uma peça para a bomba d´água de um Audi 2001, que sempre quebra e custa R$ 800. Na impressora 3D, custou R$ 50. Também já fiz uma peça de uma impressora de tinta que não era vendida separadamente, mas em um conjunto que custa R$ 400. Saiu por R$ 35."
Maeda também "fabrica", com a impressora 3D, peças para consumo próprio, como as de maquetes de ferromodelismo e plastimodelismo - seus hobbies -, na proporção que deseja. "Fiz uma ponte, uma casa de materiais, uma caixa d´água para a maquete."
O mesmo ele fez para um colega, que construiu uma maquete da casa dos personagens da série animada Os Simpsons, mas não encontrava um Homer personagem principal - na escala adequada. Uma das vantagens, na opinião dele, é a autonomia que a tecnologia oferece. "Hoje, não existem limites. E se quebrou, é só fazer outra (peça)."
Hebert Sato, dono de uma loja de impressão 3D em Londrina, também vê na tecnologia a solução para problemas do dia a dia. No escritório, a peça que mantém o modem preso embaixo da mesa, foi desenhado por ele próprio e materializada por meio da impressão 3D. Para clientes, ele já desenvolveu uma peça para segurar os dutos do ar condicionado do carro algo que não existia - e uma peça do manete de um avião, que só poderia ser importada e custaria cerca de R$ 200.
Seus projetos incluem ainda uma peça para um arco profissional, que quebra facilmente. Sato aprimorou o projeto e tornou a peça mais resistente que a original. Também já é possível escanear uma pessoa e imprimir uma versão "mini" dela mesma, ele diz. "Já barateou a tecnologia, mas ainda assim não chega a ser tão viável. Em dois anos, acredito que será mais possível as pessoas terem em casa, e então, quando elas precisarem de algo é só imprimir." Com esta proposta, Sato, que também comercializa impressoras 3D, se mostra otimista em relação ao futuro da tecnologia. "Apesar da crise, acredito no mercado pois, dependendo do serviço, as empresas buscarão outras alternativas e a impressão 3D pode ser uma delas."


