Imersão pós-apocalíptica sem clichês
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local
Se existe algo que intriga os seres humanos é o que irá acontecer com o planeta Terra. Como será o fim do mundo? Todos se perguntam. Entre crenças religiosas e projeções da ciência, o fato é que hoje a população vive em meio a perspectiva de guerras, disputas nucleares, terrorismo e tensões políticas entre Ocidente e Oriente Médio. Assuntos que apesar de assustadores - são pratos cheios para as desenvolvedoras de games. Como acontece no cinema hollywoodiano, os estúdios criam mundos pós-apocalípticos com perspectivas tenebrosas, mas também extremamente divertidos e intrigantes para quem gosta de assumir o controle de diferentes personagens virtuais.
Em 2015, coube à desenvolvedora Bethesda de games de sucesso como Skyrim criar um planeta destroçado pela guerra nuclear, mas que foge do óbvio, com o lançamento de Fallout 4. Depois do sucesso de Fallout 3, em 2008, a publisher retorna com mais um game da série para a nova geração de consoles (seguindo a linha do seu antecessor, é verdade), mas com histórias emocionantes e intrigantes, num RPG de mundo aberto envolvente e que foge de tudo que é clichê.
É preciso deixar claro: Fallout 4 não é para jogadores casuais. Diálogos, tramas e negociações entre personagens marcantes, decisões difíceis entre o que é bom e mau e dedicação na construção de vilarejos são aspectos diferenciados do game. Apertar o gatilho se torna quase secundário na trama, bem mais complexa que os simplistas jogos de tiro que se vê por aí. Logo no início do gameplay, o jogador já se dedicará pelo menos uma hora para construir a face do personagem principal do game e, com alguma criatividade, deixar próxima a sua fisionomia da vida real.
Depois de ficar dois séculos congelado no abrigo subterrâneo 111, ver a esposa assassinada e o filho bebê raptado (chega de spoilers!) cabe ao jogador começar a explorar uma Boston devastada e com os mais variados desafios. Um ponto é chave: Fallout 4, como acontece em outros clássicos da Bethesda, não se preocupa em ter gráficos bonitos e polidos, mas sim oferecer ao jogador uma imersão única na história, passando facilmente das 250 horas de gameplay. "Este é um jogo mais filosófico, diferente, que sai do senso comum. Talvez não atraia todos os tipos de jogadores, mas os que já conhecem Fallout 3 certamente vão gostar demais deste novo game", relata o proprietário da Koopa Troopa Games, Gabriel Modenuti.
Os sistemas de tiro também foi aprimorado, com o jogador podendo utilizar tanto o sistema tradicional (mirar e atirar) como também pelo "VATS", sistema que permite escolher em que parte do corpo dos inimigos e atirar, enquanto o jogo fica em câmera lenta. Neste último modo, as mortes são bem exageradas e divertidas, característica da série.
Se o jogador tiver paciência e certa dedicação, também pode construir casas e estruturas, em espécies de guetos junto aos aliados que fizer pelo caminho. Modificações de armas e peças da famosa armadura Power Armor também são bem interessantes, com uma gama variada de opções. De tudo isso, o que fica de Fallout 4, sem dúvida, é sua ambientação do que uma guerra nuclear pode trazer à humanidade. E o mais interessante do game e que deixa os jogadores pensativos e intrigados é que mesmo com o mundo quase transformado em pó, a guerra continua a mesma e não pode parar.