Quando em 1989, o telescópio espacial Hubble foi lançado, astrônomos de todo o mundo jamais poderiam pensar que existiria uma outra galáxia dentro do nosso espaço sideral e tão próxima de nós.
A surpresa foi registrada recentemente pelo telescópio que leva o nome de Edwin Hubble, o astrônomo que há mais de 60 anos, descobriu que o Universo está em expansão permanente. Realmente não parece algo excepcional que um telescópio de apenas 2,4 metros de espelho refletivo possa superar os telescópios que temos sobre a face da Terra, com espelhos de até 5 metros. Também o fato de o Hubble estar colocado em uma órbita 70 quilômetros acima da face terrestre, poderia não significar muita coisa, até porque as estrelas estão a trilhões, quatrilhões de quilômetros distantes de nós.
Importante é o fato de que o ‘‘Hubble Space’’ (este o verdadeiro nome do instrumento espacial) está acima da camada atmosférica de nosso planeta. Nossa atmosfera absorve uma grande parte da radiação solar e das estrelas, e sua luz não chega à superfície terrestre. Em outros casos, a radiação que consegue penetrar na atmosfera é obscurecida, porque o ar dispersa a luz que oculta o espaço sideral durante os dias, além de nuvens e neblinas constantes debilitarem nossa visão externa durante as noites. Mesmo que tivéssemos uma noite clara e aparentemente limpa, as variações de temperatura do ar causariam um expressivo desvio nos raios de luz, o que cria a cintilação nas estrelas e uma imagem borrada do objeto focado. Pois nada disso atrapalha o Hubble. Esse ‘‘novo olho’’ terrestre vê tudo de modo limpo, apesar dos problemas iniciais de desfocagem logo após seu lançamento, o que obrigou duas novas missões espaciais para consertá-lo.
Até o advento do Hubble, os astrônomos detectavam galáxias de até 17 bilhões de anos luz de distância. Mas o Hubble Space consegue agora ‘‘vê-las’’ também com maior nitidez e até divisar outras galáxias a mais de 34 bilhões de anos luz, como o caso recente da nova galáxia de nosso sistema.
Mas por que tudo isso é importante?
Arquivo Nasa/ReproduçãoO telescópio espacial Hubble rompeu o limite de alcance de 17 milhões de anos luz, conseguido antes por outros telescópios. Hoje, galáxias distantes não só podem ser observadas, como também fotografadasOs antigos telescópios podiam ver astros e planetas até uma distância máxima de 17 milhões de anos luz, o que significa que a luz desses astros levou 17 milhões de anos até chegar aos nossos olhos. Víamos as galáxias de um universo mais jovem 17 milhões de anos. Se de um lado isso ajudava os astrônomos a avaliar a juventude do espaço sideral, por outro não se sabia o que estaria acontecendo nesse mesmo universo nos dias de hoje. É essa a curiosidade dos astrônomos de nossos dias, e o porquê deles estarem agora eufóricos com os progressos do Hubble Space. E mais: as galáxias podem agora não só ser melhor estudadas, como se obtem fotografias muito mais nítidas desde o espaço extraterrestre. Há, até, uma melhor visão da evolução do espaço infinito, o que possibilitará novas teorias sobre o que ocorreu depois do ‘‘big-bang’’. Aliás, o Hubble já está sendo responsável pela conclusão científica de que o espaço sideral não cessou sua atividade expansionista após o ‘‘big-bang’’. Pelo que o telescópio já informou, o universo sideral segue em expansão permanente. Mais do que todas essas maravilhas que justificam plenamente os gastos para lançá-lo e consertá-lo no espaço, o Hubble poderá aferir, muito em breve, o comportamento universal e o tempo que levará para se manter no status atual.
Podemos, agora, estudar os centros das galáxias mais profundamente e ver com maior eficiência os aglomerados globulares que circulam em suas zonas centrais. Aprenderemos coisas ainda inéditas sobre os tão falados ‘‘buracos negros’’ do Universo, e estudaremos as formações gasosas que se encontram ao redor de muitos astros e das estrelas cadentes, além de obtermos melhor noção de sua composição química. Também poderá ser determinado como se desenvolvem os planetas, inclusive o nosso, além de estudarmos melhor a configuração solar.
O telescópio Hubble Space pode medir inclusive a posição de uma estrela de modo preciso e também as vibrações de astros e planetas com muito maior precisão. Uma das maiores vitórias do projeto foi, sem dúvida, a descoberta de outros planetas orbitando ao redor de estrelas mais longínquas. O Hubble Space tem, enfim, a finalidade de estudar o sistema solar, descobrindo detalhes que os telescópios anteriores jamais conseguiram, como por exemplo, estudar Plutão e sua Lua Charon, da qual só tínhamos notícia muito empiricamente. Igualmente, o telescópio poderá fornecer fotos riquíssimas e nítidas das luas Io, Europa e Ganimedes - esta última a maior das luas do sistema solar - três dos dezesseis satélites de Júpiter. Graças ainda à nitidez do Hubble, os arquivos da NASA têm agora a mais soberba coleção de fotos coloridas e fielmente focadas das luas Trikão, a maior das oito luas de Netuno, Fobos a maior das luas de Marte, Caronte a lua que tem metade do planeta Plutão e Titã, a soberba lua de Saturno, coberta de uma mistura de nitrogênio, metano e outros compostos que tornam sua atmosfera muito semelhante a da Terra há bilhões de anos atrás. Ele consegue examinar também os cometas que se movimentam incessantemente no espaço, o que os telescópios terrestres mal conseguem ver. Hoje, já é possível analisar a vasta nuvem de cometas que se encontra no limite do sistema solar, um fato que a maioria dos cientistas acredita ser a origem dos bombardeios cósmicos que periodicamente ocasionam todo tipo de extinção de vida, possivelmente igual a que registramos na Terra.
Conclusão: o mais excitante em tudo isso é a possibilidade de que o Hubble Space venha a nos defrontar com o inesperado e imprevisível.Arquivo Nasa/ReproduçãoGraças aos dados fornecidos pelo Hubble, os astrônomos chegaram à conclusão de que o Universo está em permanente expansão desde o ‘‘big-bang’’, antes acredita-se também numa possível retração da matériaJanet Asimov
Los Angeles Times Syndicate

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