Hormônios diminuem, mas riscos permanecem
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Iara Lessa Londrina 
Arquivo FolhaArriscando a vidaMulheres que fumam e tomam pílula estão mais sujeitas a trombose, hipertensas também devem evitar a conjunçãoApenas um ano depois que o FDA (Food and Drugs Adminstration - rigoroso órgão norte-americano responsável pela liberação comercial de novas drogas) autorizou a venda da pílula anticoncepcional, o medicamento já era usado por cerca de meio milhão de mulheres somente nos Estados Unidos.
Considerada desde seu nascimento como a melhor e mais eficaz arma contraceptiva, essas pílulas pioneiras eram elaboradas a partir do estrógeno e o progestágeno, susbtâncias sintéticas que imitam o estrogênio e a progesterona, hormônios que regulam o ciclo menstrual. Porém essas pílulas apresentavam uma dosagem hormanal muito grande e consequentemente causavam inúmeros efeitos colaterias.
Neste mais de 30 anos, graças aos estudos desenvolvidos por centenas de cientistas e muitos laboratórios, diversas substâncias foram sendo descobertas e paulatinamente foram substituindo ou diminuindo a dosagem desses hormônios pioneiros. Hoje, na prateleira das farmácias, as opções se multiplicam. A grande novidade nesta área é a Femiane, lançada no Brasil no começo do mês pelo laboratório Shering do Brasil.
Esse novo medicamento possui a dosagem hormonal mais baixa do mercado e praticamente não oferece efeitos colaterais. Para o médico londrinense Dalmo Borges Ramos, que participou do lançamento do produto no começo do mês em Curitiba, comemorar a quase total ausência de efeitos colateriais é ótimo e mostra uma preocupação dos laboratórios em investir vada vez mais na boa qualidade dos medicamentos. Mas mesmo com as baixas dosagens hormonais do produto alguns cuidados não podem ser esquecidos. A pílula hoje é um método que garante um índice de 99,8% de sucesso na contracepção porém algumas coisas podem por em risco este índice como a má utilização do medicamento: muitas vezes a usuária esquece de tomar ou não segue corretamente as indicações médicas. Outro problema é a interação medicamentosa, principalmente quando a pílua é usada junto com alguns antibióticos, o que pode fazer com que o índice de eficiência diminua sensivelmente e cause uma gravidez, explica o ginecologista.
Arquivo FolhaBrincando de mulherHoje, a vida sexual começa cedo, mas o corpo das adolescentes não está pronto para a pílula que é indicada a partir dos 18 anos
Contra-indicaçõesOutra característica ressaltada pelo médico é que, embora as dosagens sejam cada vez mais baixas, as pílulas ainda oferecem riscos para mulheres com diabete, hipertensão, histórico de trombose e tabagistas. Os riscos existem e devem ser expostos para as mulheres, acredita.
Recentemente a Universidade Federal do Rio de Janeiro divulgou uma pesquisa sobre a sexualidade do brasileiro e constatou que, a vida sexual no Brasil (que não difere em nada dos índices do mundo ocidental) começa cada vez mais cedo. Segundo os dados da UFRJ os jovens em nosso país começam sua vida sexual com cerca de 14 anos. Essa tendência precoce para sexo também pontua as pesquisas nos medicamentos contracepctivos, principalmente as pílulas. O público alvo desses lançamentos é mesmo os adolescentes, que começam a vida sexual cada vez mais cedo. A orientação médica porém prevê que pílulas anticoncepcionais não devem ser indicadas para menores de 18 anos, já que antes dessa idade o organismo da mulher ainda está em formação e a ingestão desses hormônios, mesmo em baixas doses, pode prejudicar o organismo da mulher, que ainda não está inteiramente pronto, nem para o sexo propriamente dito, nem para esse tipo de método contraceptivo, adianta Dalmo Borges Ramos.


