O estudo de um esqueleto de 25 mil anos, descoberto em Portugal, sugere que a humanidade contemporânea é o produto do acasalamento de homens de Neandertal com seres humanos semelhantes ao homem moderno. Acredita-se que os ramos de nossa espécie tenham coexistido na Península Ibérica, e seus descendentes híbridos teriam evoluído para a forma que a espécie humana possui hoje, diz o diretor do Instituto de Arqueologia de Portugal.
‘‘Homens de anatomia moderna chegaram ao que hoje é a Península Ibérica entre 28 mil e 30 mil anos atrás, e encontraram o homem de Neandertal aqui’’, explicou João Zilhão. ‘‘Há duas teorias sobre o que ocorreu então: alguns dizem que o homem de Neandertal foi extinto, enquanto o homem moderno continuou a evoluir. Mas há quem diga que houve uma mestiçagem dos dois, e a interpretação deste esqueleto diz que, de fato, houve uma significativa hibridização’’.
Segundo a teoria de Zilhão, o híbrido prosperou e é a origem da humanidade atual. Ele admite que novos estudos serão necessários para sustentar a hipótese.
Chris Stringer, um especialista em homens de Neandertal do Museu de História Natural de Londres, diz que ainda não tem muitos detalhes sobre a descoberta do esqueleto português, mas que espera que o achado seja uma ‘‘grande contribuição’’ ao debate sobre a extinção dos neandertais. Ele afirma que as provas disponíveis atualmente não permitem grande apoio à teoria da hibridização, mas que esperará novos desdobramentos sobre a descoberta feita em Portugal.
‘‘A Península Ibérica é uma área onde houve uma significativa sobreposição, de tempo e espaço, entre o homem moderno e o Neandertal. Eles podem ter convivido ali por até 10 mil anos’’, disse.
O esqueleto, aparentemente de uma criança de 4 anos, foi descoberto, por acaso, em novembro, no vale Lapedo, próximo a Leiria, ao norte de Lisboa. Apelidado de ‘‘Criança de Leiria’’, o esqueleto tem mandíbula e dentes de um homem moderno, mas outros ossos com características de Neandertal.
Testes de carbono mostram que o esqueleto tem 25 mil anos. Outras provas indicam que a coexistência entre humanos e neandertais, na área, aconteceu entre 28 mil e 30 mil anos atrás. Como o esqueleto é 3 mil anos mais recente que o período de convivência, Zilhão teoriza que a hibridização deveria ter raízes profundas.

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