HIV reativa Doença de Chagas
HIV reativa Doença de Chagas
Quando os primeiros casos da doença de Chagas foram detectados em pessoas HIV positivas, em 1990, a relação entre as duas enfermidades ainda era desconhecida. Hoje, com cerca de 50 casos de co-infecção registrados no País, dificuldades como falta de literatura sobre o assunto e desconhecimento sobre o tratamento a ser dado ainda persistem.
Segundo pesquisa feita por Alda Maria da Cruz, do Departamento de Protozoologia, e Claude Pirmez, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Fiocruz, na maioria dos casos relatados na literatura a infecção pelo HIV reativa a doença de Chagas. As principais manifestações dessa reativação são alterações no sistema nervoso central e miocardite (inflamação do coração).
Com base nesses dados, as pesquisadoras desejavam verificar se havia contaminação pelo Trypanosoma cruzi nos hemofílicos HIV-positivos do Rio de Janeiro, tanto para conhecer melhor a história da co-infecção como para pensar em medidas preventivas que evitem a reativação da doença de Chagas. Após estudarem 150 hemofílicos infectados com o HIV, elas constataram que três deles estavam contaminados com T. cruzi. Nenhum dos pacientes apresentou sintomas de reativação da doença de Chagas em dez anos de acompanhamento, apesar de o parasita ter sido detectado por métodos indiretos.
O tratamento dos pacientes co-infectados ainda é um problema. Os que apresentam sintomas chagásicos de reativação são normalmente tratados como doentes agudos, mas há dúvidas quanto à abordagem que deve ser dada aos pacientes que ainda não tiveram a doença de Chagas reativada pelo HIV.
O Ministério da Saúde sugeria em 1996 que só deveriam ser tratadas as pessoas que apresentavam reativação, já que as drogas disponíveis são extremamente tóxicas e existe o risco de o parasita desenvolver resistência a elas.





