Agência O Globo
No dia 9 de setembro de 1945, pesquisadores debruçados sobre uma máquina revolucionária - uma calculadora automática eletromecânica, pesando cinco toneladas, com 15 metros de comprimento e 750 mil componentes - ficaram intrigados: sem nenhuma razão aparente, o Mark tinha parado de funcionar. A solução foi desmontá-lo e checar o que (não) acontecia em suas entranhas. Surpresa! Em meio a válvulas e circuitos, havia uma mariposa parcialmente carbonizada. Nascia um mito: o inseto, segundo reza a lenda, teria originado o folclore do bug na indústria de informática, numa alusão a algum tipo de mau funcionamento ou erro de projeto.
Agência O GloboAntigo? Nem tanto, comparado com o modelo abaixo...Pura lenda. Na verdade, o termo bug já era usado por engenheiros às voltas com defeitos, décadas antes do nascimento do Mark. O próprio pesquisador que achou a tal mariposa relatou em seu relatório que aquele era ‘‘o primeiro caso genuíno de descoberta de bug’’.
Foi costurando episódios clássicos da indústria de tecnologia como este do bug, misturando mito e realidade, que o analista de sistemas Ricardo Rangel escreveu ‘‘Passado e futuro da Era da Informação’’ (Nova Fronteira, 262 páginas, R$ 26,00), primeiro livro de autor brasileiro a narrar toda a história da informática, dos seus primórdios até hoje. Lançado durante a Bienal do Livro, que terminou ontem no Riocentro, o livro acompanha, numa narrativa cronológica, o desenvolvimento da indústria de computadores.
Agência O GloboUnivac: o primeiro a processar dados numéricos e alfabéticosUma indústria relativamente jovem (o Eniac, considerado o primeiro computador da história, surgiu no início de 1946), mas cheia de histórias para contar. Ou melhor, para serem contadas.
Ele costuma dizer que gosta de computadores, mas prefere Bach e Shakespeare. Talvez por isso, Ricardo Rangel tenha conseguido atuar em áreas tão distintas quanto análise de sistemas e tradução de peças para o teatro. Hoje, é gerente de suporte e tecnologia do Banco Icatu, mas também encontra tempo para escrever. Colabora com o jornal ‘‘O Globo’’, há oito anos, e também já publicou diversos artigos em outras publicações especializadas, como as finadas revistas ‘‘Internet World’’ e ‘‘Byte’’. O livro que está sendo lançado agora, e que marca sua estréia no mundo editorial, é uma compilação revista e ampliadíssima dos mais de 200 artigos escritos nos últimos anos.

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