Heroína de Heavy Metal põe Lara Croft no chinelo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de novembro de 2000
Agência OGlobo Do Rio 
Inspirado no universo de fantasia e maldade do filme de animação Heavy Metal, do início da década de 80, a história de Heavy Metal F.A.K.K 2 game da Ritual Entertainment, distribuído aqui pela Greenleaf desenrola-se 30 anos depois. A personagem principal, Julie, e seus companheiros moram em Éden, um planeta com águas mágicas que impedem o envelhecimento de seus residentes. O mundo deles é protegido por um imenso escudo de energia, mas, mesmo assim, coisas estranhas acontecem, como uma invasão de insetos malévolos e constantes chuvas de meteoro. E logo fica evidente que uma invasão maior ainda está por vir.
O jogador controla o destino de Julie e explora três áreas diferentes: a Colônia Éden, os Pântanos Mooglay e o Cemitério WE. O início da jornada é interessante: você está na pacata Colônia de Éden, a casa de Julie, uma verdadeira cidade viva com muitos vizinhos para interagir. Quando o cerco inimigo começa, tudo vira uma bagunça e fica ainda melhor, cheio de confrontos gosmentos, obrigando o gamer a encontrar maneiras criativas para derrotar seres aparentemente invencíveis. É só nos Pântanos de Éden que se fica sabendo da existência de um artefato místico que pode dar fim à ameaça.
Construído sob o engine do Quake III, Heavy Metal tem paisagens e personagens de alta definição e textura detalhada. Os efeitos de iluminação fazem deste jogo um dos mais bonitos do ano. Não há uma boa variedade de inimigos, pois os mesmos monstros são enfrentados de uma maneira cansativa. Os combates são brutais e há um considerável derramamento de sangue. Através de um arsenal combinatório o jogador pode segurar uma espada numa mão e uma Uzi na outra.
Deste modo, é fácil inventar várias sequências de ataques alternados, como cortar ao meio um enorme lagarto rastejador e ainda se virar para metralhar o depravado que achava que ia te pegar de surpresa. As armas são uma delícia de usar, embora só se consiga a última e poderosa espada perto da batalha final. Até lá, Julie pode ter uma espada de fogo, uma elétrica ou uma espada motoserra que destroça tudo que encontra pela frente. O armamento pesado é composto de bazucas, escopetas, lança-chamas e um sugador de almas, drenador de toda energia vital dos infelizes que atinge. É possível escalar paredes, se pendurar em barras de macaco e subir por canos ou cordas, pena que isso não esteja bem integrado com a aventura. Tudo se restringe ao velho método de puxar alavancas, girar manivelas e encontrar interruptores.
Em matéria de explosivos, Julie conta com detonadores térmicos que, sozinhos, não causam grande impacto, mas uma vez colocados próximos a materiais voláteis, como fezes de rastejantes ou asteróides brilhantes, darão prejuízo a quem estiver por perto.
A colônia Éden está cheia de criaturinhas amistosas, os Shglieks, que têm várias utilidades: o gamer pode jogá-los à distância, o que é um bom meio de alimentar ou distrair outras criaturas. Mas, cuidado! Não os arremesse na água pois eles não reagem muito bem a ela.
O game é muito divertido e tem uma interface prática, contudo é inacabado e nos deixa apenas com o gostinho do que poderia ser um grande lançamento. Não é preciso ter muita experiência para chegar ao final em um único fim de semana. Ou seja, é legal enquanto dura, mas não dura muito. A trilha sonora e alguns cenários surreais são as únicas semelhanças com o longa-metragem de animação. O figurino de Julie é pra lá de variado: a heroína sempre aparece usando algo novo e cada vez mais provocante. E falando pelo público masculino, é importante informar que ela deixa Lara Croft no chinelo...


