Helsinque caminha para ser uma cidade virtual
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Ednelson Alves Correspondente em Miami 
Arquivo FolhaHelsinque, na Finlândia, país com maior índice de uso da InternetPaís pequeno e localizado fora do eixo central da Europa, a Finlândia tinha tudo para ficar de longe do competitivo mundo da tecnologia. Mas a realidade é outra: a Finlândia tem o maior uso per capita de Internet do mundo, estimando-se que 60% dos cinco milhões de habitantes estão interligados à rede e também é o primeiro no uso de telefones móveis. Como se isso não bastasse, um avançado projeto quer transformar Helsinque, a capital, na Arena 2000, um guia da cidade interativa.
A área metropolitana de Helsinque, com quase um milhão de moradores, vai se transformar num cenário futurístico virtual com câmeras interativas penduradas em árvores, edifícios, praças, teatros, lojas, ruas, cassinos, repartições públicas, enfim em todas as partes da cidade. Tudo isso para que daqui a três anos, o Helsinque Arena 2000 mostre ao mundo a nova maneira de agrupar pessoas. De casa, em tempo real o internauta poderá fazer um pente fino na cidade e saber tudo o que está acontecendo, através de audiovisual. O sistema já é comum, mas a novidade é a massificação e abrangência que está sendo dada em Helsinque, onde não apenas um quarteirão, mas toda vida da cidade será colocada numa rede multimídia.
O projeto é tão avançado que tanto o barbeiro como o banqueiro que estiverem conectados via Internet apenas com uma câmera minúscula no computador, poderão ser acessados em tempo real com imagem e som. O Arena 2000 permitirá que, com um simples clique no mouse os bombeiros ou polícia sejam capazes de identificar, instantaneamente, o edifício, rua e o número da casa de onde está partindo um sinal de socorro. Com um outro clique, os bombeiros farão um advertência a toda vizinhança, inclusive com mensagem gravada, para que abandonem suas casas.
O que estamos fazendo é uma interface em 3-D que vai criar 100 mil estações privadas de televisão na cidade, unindo as pessoas através da combinação do telefone, do computador e da Internet, disse ao jornal The New York Times Risto Linturi, engenheiro de computação e diretor de tecnologia da Companhia de Telefone de Helsinque, empresa que está financiando o projeto. Só o sistema de apoio, incluindo colocação de fibras óticas e cobre em todo subsolo da cidade para vários usos como conexões eletrônicas e de telefone, está orçado em quase US$ 100 milhões.
Por que uma empresa estatal está financiando todo esse sistema futurista? A resposta é simples: tudo isso é um grande negócio de comunicação. Vai faturar muito a companhia exploradora dos serviços.Cada vez mais as pessoas estarão envolvidas em trabalho à distância, em casa, de telefones móveis ou computadores pessoais, observa Linturi. Só para recordar, a Telecon Finland, de propriedade do governo, foi a primeira companhia do mundo a oferecer, a seus clientes, conexões de telefone através da Internet, uma ligação que hoje é muito comum.
Nokia, um símbolo Há uma indústria na Finlândia que também agrega sobre si essa referência de tecnologia mundial: é a Nokia, que tem dado a cada ano um passo gigantesco para competir em condições de igualdade com os fortes concorrentes: Motorola, Ericsson, Sony e Microsoft. Além de dar grande contribuição para a transformação do telefone portátil, a empresa também já é a segunda em produção, atingindo 1,5 milhões de unidades mês, com cinco fábricas espalhadas pelo mundo.
Através do projeto Communicator, a Nokia tem dado prioridade a criação do primeiro escritório móvel de bolso do mundo. O aparelho com multifunções permitiria teleconferências, envio e recebimento de fax, uso do e-mail e navegação na Internet e isso tudo de um carro em movimento, de um trem ou simplesmente de uma calçada. Estima-se que até o ano 2002 bem mais da metade dos dados, voz e imagens do mundo viajarão sem fios. É nesse dado que a Nokia aposta todas as suas fichas para criar e fabricar telefones móveis, agregando a eles tudo o que for possível em termos de tecnologia para oferecer algo mais ao usuário.


