Hackers voltam a desafiar segurança dos Estados Unidos
Edinelson Alves, Especial para a Folha
Quando o FBI prendeu David L. Smith, criador do vírus Melissa, que afetou mais de cem mil computadores em poucos dias, parecia que a polícia cibernética criada pelo governo dos Estados Unidos estava dando um golpe definitivo nos hackers. Com isso, agentes federais saíram pelo país com ordens de prisão contra aqueles que não respeitam as regras da comunicação on line.
A reação dos hackers foi imediata. Em ataque simultâneo, eles invadiram os principais sites do governo americano, inclusive do FBI que foi tirado do ar por saturação. No site do Senado, eles abriram um página satirizando a polícia cibernética.
Mas os hackers também fizeram sérias advertências. Disseram que, por enquanto, estão apenas entrando nos sites para provar que são capazes de invadir, alterar e até destruir arquivos importantes de órgãos do governo. Eles ameaçam inviabilizar e paralisar diversos serviços prioritários e sistemas de segurança se a polícia especializada prosseguir na caçada aos grupos de hackers espalhados pelos Estados Unidos.
Esse é o mais agressivo confronto dos agentes cibernéticos contra os piratas on line. O governo promete não recuar. Paul E. Coggins, procurador federal de Dallas disse que os promotores federais emitiram 16 mandados de busca e apreensão em 12 jurisdições.
A estratégia do governo é desestruturar o quanto antes a ação dos hackers. Se continuarem livres para executar ataques simultâneos, eles deverão infernizar ainda mais na virada do próximo ano, justamente quando poderá explodir o bug do milênio. Essa investigação é a mais abrangente desse tipo. É uma investigação com implicações nacionais e internacionais, admitiu o procurador. A investigação não se resume aos hackers, pois até alguns provedores estão tendo equipamentos e gravações apreendidos. O objetivo do FBI é conseguir qualquer tipo de prova que possa incriminar os suspeitos.





