Wyly Wade começou a trabalhar há nove anos, nos mesmos computadores da companhia de petróleo que haveria de contratá-lo, depois de ser invadida. Explica-se: ele descobriu um buraco no sistema e, em vez de se aproveitar dele, se apresentou ao gerente de sistemas e disse:
- Ei cara, descobri uma superfalha no seu sistema. Quer que eu conserte?
Claro, disse o gerente, inaugurando a carreira de Wyly. Nesse meio tempo, ele vem reescrevendo rotinas de segurança para os AIX da IBM, desenvolvendo chaves de criptografia para autenticação em redes e criando aplicação internacional de vendas para a Lotus, com direito a um sistema de segurança de dados... nada mal, hein?
Semana passada, Wyly esteve em São Paulo, em reuniões com Digital, HP e Sun. É membro permanente do Enterprise Security Systems Group, considerado uma espécie de ‘‘divisão de combate’’ contra os oportunistas de plantão on-line. Quanto ele ganha? Segredo. Analistas desse mercado apontam para, no mínimo, uns US$ 10 mil por mês.
Estrelas à parte, o mercado é composto de gente bem mais comum, como os cerca de 20 hackers contratados pela Módulo Consultoria e Informática, única empresa especializada em segurança de dados no Brasil e desenvolvedora do tradicional software de segurança ‘‘Curió’’, hoje transformado no ‘‘He@t Seeker’’, um firewall testado e aprovado aqui e nos Estados Unidos.
Com o crescimento do mercado, a Módulo vem contratando uma média de dez novos hackers por mês. Atualmente com cem funcionários, a empresa se orgulha de ter em seus quadros gente do calibre de Bruno Coelho da Costa, de 25 anos, formado em informática pela PUC e contratado por causa de uma invasão. Involuntária, diz ele:
‘‘Estava rodando um programinha que testa possíveis portas de entrada do website da Módulo para ver o que estava funcionando lá, quando meu provedor informou que alguém havia usado a minha conta para invadir o sistema deles’’, conta.

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