Guru é discreto e um cientista da pesada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Globo 
O principal apóstolo da tecnologia transparente não é um tecno-guru como William Gibson, ou um digerati como Nicholas Negroponte; é um cientista da pesada, o que se chama, em meios acadêmicos, a scientists scientist, isto é, o cientista admirado como tal por seus pares.
Seu nome é John Seely Brown, e ele é o Grão Pesquisador do legendário Palo Alto Research Center, Xerox PARC para os íntimos. Quando todo mundo ainda babava de admiração diante dos sinos & apitos das interfaces gráficas coloridas, movimentadas e barulhentas dos PCs mais envenenados, ele já pensava num mundo calmo como uma biblioteca.
O tipo de tecnologia defendido (e posto em prática) por Seely Brown é o exato oposto da exuberante filosofia Wintel: máquina boa é máquina que funciona. Sem espalhafato. Como são, hoje, os aparelhos de televisão de modo geral - discretos, eficientes, permitindo ao usuário prestar atenção ao que está assistindo, virtualmente esquecido do gabinete ou da engenharia nele embutida.
Outro exemplo óbvio é o que sai do PARC - copiadoras e impressoras da Xerox, máquinas que frequentemente são o que pode haver de mais complicado... por dentro. Por fora, o que o usuário vê é um objeto bastante familiar, e portanto pouco ameaçador, onde tudo o que precisa fazer é apertar o botão. Verde, naturalmente, já que há tempos vêm convivendo com a noção de que verde significa trânsito livre.


