Grandes eventos são alvo de crackers
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de agosto de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
Denegrir, destruir a integridade do evento: este é o objetivo de crackers que eventualmente tentam realizar ataques cibernéticos a grandes eventos como a Rio+20 que aconteceu recentemente no Brasil. Com Copa do Mundo e Olimpíadas vindo aí, em 2014 e 2016, respectivamente, a segurança da informação passa a ser uma grande preocupação quando pensamos no desempenho brasileiro ao abrigar eventos de grande porte.
Especialista da Módulo, empresa com atuação internacional especializada em Segurança da Informação e responsável pelo software que realizou a centralização e o monitoramento das informações na Rio+20, Gastão Lombas diz que é ''normal'' serem registrados ataques de pessoas má intencionadas a grandes eventos. Como o centro de operações com o objetivo de monitorar os riscos de ataques na Rio+20 foi coordenado pelo Exército Brasileiro, Lombas não soube precisar quantos ataques cibernéticos ocorreram durante o encontro, mas observou que eles podem ter vindo de vários lugares do mundo.
''A nuvem traz problema de tudo quanto é lugar'', declara Lombas, referindo-se à web. ''Tem que estar com equipamentos e infraestrutura bem avaliadas e equipe treinada para fazer com que um evento deste flua normalmente.'' Não só Copa e Olimpíadas estão suscetíveis a ataques, mas também a Jornada Mundial da Juventude, no ano que vem, que trará o papa ao Brasil e reunirá cerca de 3 milhões de pessoas.
Em situações como estas podem ocorrer ataques para derrubar sites que dão toda a infraestrutura ao evento, assim como para derrubar a conectividade durante os dias de operação. Outra possibilidade é a ocorrência de blecautes de energia. ''Mas isso por pouco tempo. Os eventos precisam ter uma infraestrutura preparada para as contingências. Mas o que tem que ser feito é não usar a contingência.''
''A comunicação e a informação são os maiores patrimônios de grandes eventos'', ressalta Lombas. Mas o que os crackers almejam em ocasiões como estas, diferentemente de outras situações, não é a vantagem financeira, nem obter mesmo a informação. ''É destruir a informação, denegrir e desintegrar o evento.''
No evento da Rio+20, o especialista afirma que não houve nenhum ataque de sucesso. Na sua visão, a infraestrutura de segurança da informação no Brasil é muito robusta. ''Isso, de certa forma, mostra a maturidade, o preparo da organização brasileira para receber estes eventos, os investimentos na área de segurança, tanto do Ministério da Justiça quanto da Defesa'', opina Lombas, confiante no sucesso dos próximos grandes eventos que ocorrerão no País.
''Acho que o Brasil está muito bem alinhado com o que existe de melhor no mundo. E independente da responsabilidade de (os eventos) serem no Brasil, os interesses não são apenas brasileiros. Delegações inteiras de outros países estarão aqui também participando.''


