Governo testa Internet 2 ainda este mês
Demétrio Weber
Agência Estado
De Brasília
O governo começa a testar, até o fim do mês, o projeto piloto da Internet 2, rede de computadores por fibra ótica que vai permitir a transmissão de dados com velocidade pelo menos 300 vezes superior à da atual Internet. Mais do que uma questão técnica, o aumento de velocidade intensifica, em proporções antes inimagináveis, o uso da rede para atividades como a telemedicina, a criação de bibliotecas virtuais e a educação a distância.
O projeto piloto da Internet 2, coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MEC), prevê a interligação de quatro centrais em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.
Inicialmente, elas vão operar a uma velocidade 17 vezes maior (34 megabits/segundo) do que a da atual rede mundial de computadores (2 megabits/segundo), devendo, nos meses seguintes, ser 77,5 vezes mais velozes do que a Internet de hoje.
A meta, até março, é estender a Internet 2 a 12 estados e ao Distrito Federal, onde estão sendo instaladas 14 Redes Metropolitanas de Alta Velocidade (Remavs). Concebidas a partir de 1997, essas redes metropolitanas são formadas por consórcios de instituições públicas e privadas e servirão de base para a Internet 2. Seis delas já estão em fase de testes, em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Fortaleza e no Rio.
O acesso à nova rede, de caráter acadêmico, será limitado inicialmente às 79 instituições públicas e privadas que compõem os consórcios responsáveis pelas Remavs. Isso inclui universidades, centros de pesquisa, órgãos de governos estaduais empresas de TV a cabo e de telecomunicações. Mas o acesso comercial à Internet 2 deverá estar disponível em cerca de três anos, segundo o coordenador-geral da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), órgão do MCT encarregado de gerenciar a instalação da Internet 2, José Luiz Ribeiro Filho.
O papel do MCT é estimular a criação de condições para que esse serviço se torne comercial no médio e longo prazo, reforça o secretário-executivo do ministério, Carlos Américo Pacheco.
Isso inclui a formação de pessoal e a capacitação de empresas para produzir equipamentos de hardware e software adaptados à nova tecnologia. Para a instalação das Remavs, foram estimados investimentos de R$ 20 milhões, incluindo a participação das operadoras de telecomunicações, que cedem suas redes de fibra ótica. A iniciativa privada percebeu o impacto comercial da Internet 2 e está interessada em participar, observa Américo Pacheco.
Para interligar as 14 Remavs, o MCT buscou a parceria do Ministério da Educação (MEC). Os dois órgãos estão em vias de assinar convênio que prevê investimentos conjuntos de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos. O MEC tem interesse especial na criação de bibliotecas virtuais. Também está sendo negociada parceria com uma operadora de telecomunicações.
Entre os avanços permitidos pelo aumento de velocidade na transmissão de dados, está o da telemedicina em larga escala. A idéia é interligar por computador os hospitais do interior aos das capitais ou de centros de referência em cidades maiores. Assim, no caso de um exame de raio X, por exemplo, o paciente se submeteria ao exame em sua cidade, mas o diagnóstico seria feito pelo especialista de um grande hospital. Tudo em tempo real, com transmissão de dados de alta resolução sem interferências nem congestionamentos de linha. O mesmo valeria para tomografias e outros exames.
Segundo o secretário-executivo do MCT, um convênio nesses moldes será firmado ainda este mês entre hospitais de São Paulo e Belo Horizonte. A nova rede poderá ser usada também para a realização de videoconferências sem cortes ou interrupções no fluxo de som e imagem, como ocorre atualmente. A Internet 2 possibilita a distinção entre pacotes de informação de voz e texto, dando prioridade ao som, explica Ribeiro Filho. Desse modo, segundo ele, as videoconferências poderão transcorrer no mesmo ritmo de uma ligação telefônica.
Outro uso previsto diz respeito à troca de informações entre órgãos do governo e à distribuição desses dados para os cidadãos. A nova tecnologia facilitará a criação de bibliotecas virtuais e o desenvolvimento de programas de educação a distância. Américo Pacheco destaca que o projeto integra diversas áreas do governo. Cada aplicativo envolve um ministério diferente, diz ele.





