O Ministério das Comunicações aprovou a digitalização para mais de 6 milhões de aparelhos.Concluída a fase de habilitação dos consórcios que disputam a Banda B da telefonia celular, o Ministério das Comunicações decidiu que irá se concentrar nos próximos meses na modernização da rede móvel existente. Ainda estatal e funcionando com obsoleta tecnologia analógica, a Banda A deve ter seu sistema promovido para digital no próximo ano. ‘‘Vamos investir agora na digitalização’’, disse o ministro Sérgio Motta.
A preocupação da Telebrás é que, com a concorrência da Banda B, que já virá digital, a rede móvel em funcionamento perca espaço no mercado, além de ficar sucateada. Para o Ministério das Comunicações, a perda do poder competitivo da Banda A será um golpe na valorização das atuais concessionárias, que devem ser privatizadas no ano que vem. ‘‘Minha preocupação é o valor de mercado dessas empresas’’, disse Motta.
Hoje, a expectativa de analistas de mercado é que, se fossem vendidas separadamente das teles, as subsidiárias que administram o serviço móvel celular no Brasil valeriam mais que os R$ 6 bilhões esperados para a Banda B. Algumas avaliações indicam um valor patrimonial de até R$ 10 bilhões. Sérgio Motta não cita números, mas concorda que a rede em funcionamento, já montada e com clientes, vale mais. ‘‘A Banda A já tem patrimônio’’, lembra o ministro.
O processo de digitalização que, segundo Motta, deverá custar ‘‘alguns bilhões de reais’’, será iniciado definitivamente quando se encerrar a consulta pública em andamento para a definição da fórmula de análise das propostas tecnológicas das empresas. Existem duas tecnologias em jogo. A mais conhecida e já em utilização é a TDMA. A outra, mais moderna e eficiente mas ainda em testes, é a CDMA.
‘‘É preciso que se estabeleça uma espécie de tabela de conversão para podermos cumparar uma proposta feita com tecnologia CDMA, de outra feita com a tecnologia TDMA’’, diz Motta. O Ministério das Comunicações decidiu que não definirá a tecnologia a ser utilizada no País. ‘‘Isso será uma decisão de cada empresa’’, lembrou Motta.
Digitalização Após essa fase, serão publicados os regulamentos e normas que determinarão a digitalização. ‘‘Em novembro, creio que poderemos liberar a modernização das primeiras empresas’’, avalia o ministro. Ele aprovou a digitalização para mais de 6 milhões de celulares no País. Hoje o sistema tem 2,5 milhões de usuários.
Para os terminais em funcionamento, o Departamento Jurídico do ministério está analisando a possibilidade de abrir mão da exigência de licitação. As empresas fornecedoras de equipamentos para as concessionárias da Banda A, como a NEC e a Siemens, informaram ao ministério que têm capacidade de promover um ‘‘Upgrading’’ da atual planta analógica para digital. Segundo Motta, ‘‘por 30% do valor de implantação de um sistema novo’’. ‘‘Não teria sentido uma empresa fazer um upgrading no sistema da outra’’, explicou.
A licitação ficaria restrita às novas plantas celulares a serem instaladas. A tecnologia digital promete para o usuário algumas boas novidades. A primeira é a possibilidade de maior oferta de linhas no mercado e com qualidade melhor de transmissão. Outra é a segurança e sigilo nas ligações. ‘‘As linhas não cairão tanto’’, lembrou Motta. ‘‘Com a digitalizaão da Banda A, os novos concessionários da Banda B terão que ficar de olho’’, afirmou Motta.

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