Arquivo FolhaA Global One traz uma novidade: as ligações internacionais terão o mesmo preço das locaisA Embratel ganhará, em outubro, o seu primeiro concorrente na área de ligações interurbanas. A Global One - empresa multinacional que nasceu da união dos gigantes das telecomunicações Deutsche Telekom, France Telecom e Sprint - anunciou que também estará entrando no mercado de transmissão de voz no Brasil. Até agora, a empresa era mais conhecida por sua atuação como provedora de backbone (linhas de alta velocidade) da Internet.
‘‘O início das atividades depende apenas da aprovação do Ministério das Comunicações’’, afirmou o supervisor de vendas da empresa, José Victor. ‘‘Estrearemos o serviço dois ou três meses depois da aprovação.’’
O novo produto destina-se ao mercado corporativo. ‘‘O objetivo é conectar os sistemas de PABX (telefonia central) de empresas que têm filiais em estados e países diferentes’’, diz Victor. Ele revela uma novidade: ‘‘As ligações internacionais terão o mesmo preço de telefonemas locais.’’
A Global One não concorre com a Embratel apenas na telefonia interurbana. A empresa anunciou o lançamento de três serviços para disputar o mercado de transmissão de dados: dois novos backbones para setores críticos, como o bancário e financeiro - que utilizarão os protocolos X-25 e frame-relay -, mais um serviço voltado para a integração de intranets (redes corporativas que utilizam a estrutura da Internet) entre si e a outras redes no exterior.
O backbone de X-25 será o primeiro a concorrer com a Renpac (Rede Nacional de Pacotes), serviço da Embratel que transmite dados para empresas, bancos e o mercado financeiro. A Global One investirá US$ 20 milhões, em 97, nos novos backbones.
‘‘Ofereceremos serviços com preços de 10% a 20% mais baixos que os da Embratel’’, afirma Victor. ‘‘Além disso, eles estarão completamente integrados ao backbone mundial da Global One, que já abrange 85 países.’’
ConcorrênciaNo momento, a legislação brasileira ainda impede a Global One de montar sua infra-estrutura no País, com cabos e linhas para a transmissão de dados. Por essa razão, ela precisa arrendar canais de comunicação da Embratel para o funcionamento de seus backbones.
Mas a empresa quer ir além: ‘‘Estamos ocupando todos os espaços possíveis, conforme a legislação nos dá oportunidades’’, comenta Victor, que dá um exemplo: ‘‘Inauguramos nosso serviço de Internet apenas seis meses depois de o governo ter regulamentado a atuação das teles no mercado. Hoje, nosso backbone está presente em sete cidades: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Campinas.’’
Desde a inauguração do serviço de Internet, em junho de 96, a Global One tornou-se um dos principais backbones brasileiros. Reúne, hoje, cerca de 130 clientes corporativos (provedores de acesso e empresas), de acordo com Ulrich Kuhn, diretor de Marketing e Comercial da empresa.
Um dos principais trunfos da Global One é oferecer linhas telefônicas locais a provedores de acesso, para a montagem de seus serviços. Pelo sistema, a empresa vem cuidando do trabalho técnico (conexões dedicadas e linhas de acesso local) enquanto os provedores ficam encarregados de funções mais ligadas ao atendimento (suporte ao usuário, cobrança de mensalidades, administração das contas de e-mail, inserção de conteúdo na Web, etc.).

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