O presidente e fundador da Microsoft, Bill Gates, admitiu na última segunda-feira rever sua relação com cerca de 40 provedores de serviços Internet, para permitir que essas empresas anunciem nos navegadores (browsers) criados por outras empresas, como o Netscape, entre outros. A decisão foi anunciada na antevéspera dos depoimentos na Comissão de Justiça do Senado, previstos para anteontem, para avaliar as acusações de práticas monopolistas por parte da gigante dos softwares. Conforme o acordo anunciado na segunda, os provedores de Internet poderão anunciar outros navegadors, embora devam dar preferência ao Explorer, da Microsoft.
Pelos pactos comerciais existentes entre a Microsoft e 12 provedores americanos, além de 30 europeus, as empresas estavam, até agora, proibidas de anunciar ou fazer promoções dos navegodores concorrentes do Internet Explorer, que integra o cardápio do sistema operacional Windows 95. Como o sistema operacional Windows é usado em mais de 90% dos computadores pessoais, essa exigência foi considerada pelo Departamento de Justiça e pela Agência Antitruste dos Estados Unidos como um mecanismo usado pela Microsoft para dominar o mercado de navegadores.
Gates iria comparecer ante a Comissão de Justiça do Senado para prestar contas de sua atuação no mercado e defender-se das acusações de práticas monopolíticas. Entre as testemunhas de acusação presentes ao depoimento estarão Jim Barksdale, gerente-geral da Netscape.
Também foram convidados a explicar suas dificuldades o administrador da Sun Microsystems, Scott McNealy, empresa que desenvolveu a linguagem de programação e o sistema operacional Java. Tanto a Netscape como a Sun Microsystems são consideradas arqui-rivais da Microsoft.
O milionário norte-americano Michael Dell, da Dell Computer, e Doug Burgum, da Great Plains Software, ambos amigos de Gates, deverão testemunhar em favor do presidente da Microsfot. Para que os depoimentos sejam ainda mais equilibrados, o presidente da Comissão, Orrin Hatch, convidou também Stewart Alsop, um analista independente que escreve com regularidade sobre informática para a revista Fortune.
A tarefa de Alsop será a de assegurar um debate isento sobre as práticas comerciais das empresas do setor, principalmente da Microsoft, abordando os problemas da forma mais objetiva possível. Independentemente dos resultados das discussões, o último veridito do Senado vai, na avaliação dos especialistas do setor, determinar toda a linha de desenvolvimento do segmento de softwares no mundo nos próximos anos.
Independentemente dos resultados, porém, a Microsoft informou que o sistema operacional Windows 98 deverá ser lançado em meados no ano, sem atraso no cronograma.

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