À meia-noite do dia 20 do mês passado, o mercado de games presenciou algo comum no Japão ou nos Estados Unidos mas raro no Brasil: centenas de pessoas enfileiradas, sedentas por um lançamento. A razão de tal frisson foi a chegada de ''God of War III'', exclusivo para o PlayStation 3. Muitos chegaram a comprar o console somente para jogar o capítulo final da saga de Kratos e a espera valeu a pena.
Antes de mais nada, vale aqui uma recapitulação do que aconteceu, até mesmo para quem não conhece a aventura, baseada na mitologia grega. Em ''God of War'' (lançado em março de 2005), Kratos toma de Ares o posto de Deus da Guerra. Movido pela vingança, depois de ser ludibriado por Ares, o Fantasma de Esparta perde seu último traço de humanidade ao matar sua própria família. Após conquistar a Caixa de Pandora, derrota Ares e chega ao Olimpo.
Em ''God of War II'' (março de 2007), Zeus se revolta com a indisciplina e o relapso de Kratos e o coloca novamente entre os mortais. O Fantasma de Esparta volta de uma quase morte com o apoio dos Titãs e parte em busca de vingança contra Zeus, destruindo pelo caminho gente famosa da mitologia, como Prometeu, Teseu, Perseu, Ícaro, entre outros.
A história continua no console de última geração justamente onde terminou a segunda aventura. Kratos se rebela contra todo o Olimpo e, com o apoio dos Titãs, pretende dilacerar, literalmente, qualquer coisa que ficar no caminho de sua vingança. Como já deu para notar, a trama é parte fundamental do sucesso do game e a criatividade com que os roteiristas utilizaram toda a mitologia é algo imprescidível para aproveitar o jogo em sua plenitude.
Tecnicamente, a aventura explora de maneira soberba os recursos do PS3, especialmente porque é a Sony a própria desenvolvedora do jogo. Para ter uma ideia do poderio gráfico, é notável o uso da alta definição na transição das sequências: acontece muita coisa em vários planos do cenário, que alterna o tamanho de Kratos entre toda a tela e apenas um fragmento, sem perder qualquer detalhe.
A jogabilidade continua sendo o ponto forte do game e agora ela está muito mais instintiva. O que antes parecia ótimo na teoria mas não funcionava adequadamente na prática foi resolvido: há uma viciante e recompensadora forma de criar combos alternando as diversas armas e recursos de Kratos. É possível transitar entre dois ou três estilos de combate em segundos. E, na verdade, essa agilidade durante a sequência de golpes é necessária para avançar na trama, especialmente diante dos inimigos maiores.
Aliás, os chefes de fase são o grande destaque do game. Cada um exige uma estratégia diferente e vai fazer os jogadores morrerem pelo menos uma vez até entender como detoná-los. Por exemplo, para enfrentar Hércules - que, de maneira arrogante, diz que matar Kratos será seu 13º trabalho -, é necessário prestar atenção em como o cenário pode ajudar na tarefa. A execução também se baseia nos famosos minigames da série, em que é preciso fazer uma sequência exata de botões em frações de segundos.
''God of War III'' é um bom exemplo de como unir uma história sedutora, com belos recursos técnicos e jogabilidade acima da média. Daí a razão de ter vendido 2 milhões de unidades apenas em dois dias. O game é bastante violento e não é recomendado para os mais novos. Mas é pura diversão para os adultos.

Serviço:''God of War III'' é um título exclusivo para o PlayStation 3, vendido em blu-ray com preço médio de R$ 199.

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